Depressão e bipolaridade não são frescura nem excentricidade, alerta médica

A depressão é uma das doenças que mais afastam trabalhadores atualmente. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a estimativa é de que, até 2020, ela já seja a maior responsável pelos afastamentos de profissionais. No Brasil, a doença já está na segunda posição, conforme dados do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), ao demonstrar que 48% dos trabalhadores que se afastam por mais de 15 dias do trabalho estão com algum tipo de transtorno mental, sejam eles a depressão, a bipolaridade e outros transtornos relacionados.

Muito além do simples afastamento das atividades laborais, essas são doenças que afetam toda a vida da pessoa. “Essas doenças também afetam o dia a dia em família, as relações sociais, os estudos e até mesmo as atividades profissionais”, explica a médica especializada em psiquiatria, Beatriz Rosa.

Classificada como o mal do século, a depressão pode atingir qualquer pessoa. “Não há um perfil definido, algumas pessoas já têm pré-disposição para a doença que é agravada, muitas vezes, por um ambiente de trabalho que promova muita pressão, ou rotina muito estressante, como ocorrem em diversas profissões, como bancários, policiais, jornalistas, médicos, entre outras. Quanto mais estressante o dia a dia, mais prejudicial será para aquelas pessoas que já têm a doença e precisam encarar essas rotinas. Quando não tratada adequadamente a depressão irá provocar o afastamento do profissional das suas atividades”, informa a médica.

Outra doença que pode afetar muito a carreira profissional é a bipolaridade, que é um distúrbio muito comum. “Ao contrário do que muita gente pensa, o bipolar nem sempre apresenta mudança repentina de humor. Pessoas muito ativas, que fazem muitas tarefas, cheias de energia, também podem sofrer com a bipolaridade. Passam dias muito ativas e, em outros, muito cansados, deprimidos, dormem mal, têm dificuldade para acordar no horário adequado, cumprir horários. Ou seja, nem sempre uma pessoa bipolar será uma pessoa com baixo rendimento, mas esse trabalhador terá mais dificuldade em equilibrar as semanas intensas com aquelas com pouca produtividade. Com o tratamento adequado é possível ajudar o paciente a conseguir ter mais equilíbrio nesses altos e baixos e assim oportunizar uma vida mais estável e sem os grandes picos de alterações de comportamento”, diz Beatriz Rosa.

Outro alerta da médica é que os transtornos precisam de atenção e tratamento médico. “Boa parte das situações de depressão estão relacionadas à bipolaridade, e é preciso acompanhamento de um médico especializado que consiga fazer o diagnóstico correto. Quem sofre com esses transtornos pode ter uma melhor qualidade de vida desde que tenha acompanhamento, medicação e tratamentos adequados para cada caso”, explica a especialista.

Beatriz Rosa é médica especializada em psiquiatria, que atende crianças no hospital Santa Marcelina, em São Paulo, e possui um consultório em Curitiba com atendimento adultos, adolescentes e crianças.

girl-depressão_1098610_1920_crédito Pixabay.jpg

Paula Batista

Seja o primeiro a comentar

Faça um comentário

Seu e-mail não será divulgado.