“Os Três Sobreviventes de Hiroshima” no Fringe/2017

Três pessoas que sobreviveram ao bombardeio atômico em Hiroshima no Japão, sobem ao palco do Fringe nos dias 07 e 08 de abril.

 

Takashi Morita, Junko Watanabe e Kunihiko Bonkohara estavam em Hiroshima, no Japão, na fatídica manhã de 6 de agosto de 1945, quando uma bomba atômica devastou a cidade matando mais de 140 mil pessoas.

 

A peça que estreou em Fevereiro/2016 em São Paulo é resultado de um ano de pesquisa e foi desenvolvida a partir da coleta e organização dos relatos dos sobreviventes trabalhando com o conceito de Biodrama (vertente do teatro-documentário), rememorando a experiência não só do exato momento do bombardeio, como dos dias após a explosão, e a imigração para um país totalmente desconhecido deles – o Brasil. Serão duas apresentações com entrada franca na mostra Fringe do Festival Internacional de Teatro de Curitiba. “A narrativa da peça é um fato que desperta interesse em qualquer pessoa. O publico tem reagido de diversas formas, porque o espetáculo não é só tragédia, mostra também a trama humana e os momentos de superação dos sobreviventes”, diz Rogério Nagai, idealizador do projeto, ator e diretor do espetáculo.

Sobre a importância dessa montagem, Nagai ainda diz que ““A nossa geração será a última que terá contato com sobreviventes que estiveram no local e conviveram com aquele horror, tendo em vista que os mais jovens estão na faixa dos 75 anos de idade. Esse espetáculo é um grito abafado dessas vozes ressonantes das vítimas (em sua maior parte crianças que estavam nas ruas no momento da explosão) não só do Japão, mas de todos os países que foram vítimas de guerras e de ataques como ainda ocorre hoje. Nós não aprendemos com nossos próprios erros, existe no mundo mais de 16.000 bombas atômicas atualmente, e em momentos que a Coréia do Norte faz testes com a temida Bomba H, o espetáculo ainda continua atual e se faz necessário”.

Para Kunihiko Bonkohara, 76 anos, o brasileiro tem um conhecimento mediando sobre a bomba atômica. “O público fica assustado e muito sentido ao saber que ainda existem pessoas sofrendo devido aos efeitos da radiação. É preciso transmitir aos jovens o perigo da bomba atômica e das usinas nucleares, a radiação já está acumulada no mundo inteiro e está modificando o DNA de todos os seres que vivem no mundo.”, diz.

A montagem faz parte do projeto “Sobreviventes pela paz”, idealizado pelo ator e diretor Rogério Nagai, que pretende colocar sobreviventes de grandes tragédias e genocídios em cena, como forma de lembrar esses tristes capítulos da nossa história para que nunca mais se repita esses erros como forma de propagar e manter a paz, valorizando a vida.

Outro sobrevivente que está no elenco, Takashi Morita, 93 anos, lança no dia 06/04 em São Paulo o livro “A última mensagem de Hiroshima”, que conta também faz parte do projeto. “Como sobrevivi ao dia em que o inferno se fez presente na Terra? Como consegui seguir em frente depois de vivenciar tamanho pesadelo? Não sei. Até hoje não tenho a resposta. No entanto, apesar de todas as chances estarem contra mim, de alguma forma eu consegui. Com todas as cricatrizes, sobrevivi.” Diz Takashi Morita.

Extraído do livro inédito “A última mensagem de Hiroshima” de Takashi Morita – universo dos livros.

 

Sinopse

Três sobreviventes reais da bomba atômica de Hiroshima relatam suas experiências no exato momento do bombardeiro, além da Segunda-Guerra Mundial, da imigração para o Brasil e dos dias atuais. O roteiro se desenvolveu a partir da coleta e organização dos relatos dos sobreviventes trabalhando com o conceito de biodrama (vertente do Teatro-Documentário). Com os sobreviventes Takashi Morita, Kunihiko Bonkohara, Junko Watanabe e o ator Rogério Nagai.

 

Sobre os sobreviventes

Takashi Morita, 93 anos

Em maio de 1945, sobreviveu a um bombardeiro incendiário em Tóquio do qual matou mais de 100 mil pessoas, e por isso voltou a Hiroshima para ficar com a família 1 semana antes de cair a bomba atômica. Tinha 21 anos na época. Na hora do ataque, estava marchando com um pelotão de 13 soldados a 1.200 metros do epicentro da explosão. Viu um clarão, foi golpeado pelas costas e arremessado no chão cerca de 10 metros. Sofreu queimaduras e com a radiação e desenvolveu leucemia por ter recebido a chuva negra (radioativa).

 

Junko Watanabe, 73 anos

Tinha dois anos quando uma chuva radioativa a atingiu enquanto brincava com seu irmão a 18 km da explosão. Ela não se lembra do que aconteceu, e sua família escondeu o fato — só descobriu que era uma sobrevivente de Hiroshima aos 38 anos. Aos 24, veio para o Brasil após se casar com um japonês que vivia aqui. Faz palestras desde 2005 contando sua história.

 

Kunihiko Bonkohara, 76 anos

Se mudou para Hiroshima quatro meses antes do ataque. Tinha cinco anos, e estava com o pai em seu escritório no momento do bombardeio, a 2 km do epicentro. Os dois ficaram feridos com estilhaços de vidro. O telhado do escritório foi arrancado pelo vento e calor e foram atingidos pela chuva radioativa. Sua mãe e sua irmã mais velha, que estavam no centro da cidade, morreram carbonizados e seus corpos nunca foram encontrados.


Serviço
Peça: “Os Três Sobreviventes de Hiroshima”
Roteiro e direção: Rogério Nagai

Elenco: Takashi Morita, Junko Watanabe, Kunihiko Bonkohara e Rogério Nagai
Gênero: Teatro-Documentário

Duração: 60 minutos
Recomendação: 12 anos.

Onde: SEEC – Auditório Brasílio Itiberê (Rua Cruz Machado, 138, Centro, Curitiba)
Quando: 07 de Abril às 20h30 e 08/04 às 10h30

Ingresso: Entrada franca

 

Retirada de ingressos 1h antes do início do espetáculo.

Sem estacionamento e sem cafeteria.

Após apresentação debate com o diretor.

<divulgandoarte2@gmail.com>

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