Tratamento multidisciplinar é principal aposta na luta contra as doenças mentais

O Brasil é o país com o maior número de casos de depressão em toda a América Latina, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A doença afeta 4,4% da população mundial e 5,8% dos brasileiros. Mesmo neste cenário, o paciente que enfrenta a doença precisa encarar também o tabu que cerca as complicações mentais. Não é fácil para família, amigos e até mesmo para o paciente buscar ajuda.

Para vencer o preconceito, surgem campanhas como a Setembro Amarelo, iniciada em 2014, em que apresenta uma proposta para encarar as doenças que afetam a mente. Durante todo o mês de setembro, no mundo inteiro, ações incentivam a discussão entre familiares, amigos e instituições sobre o suicídio.

Em Curitiba, a clínica psiquiátrica UNIICA inova ao apresentar o tratamento multidisciplinar como uma maneira eficiente de recuperar os pacientes que estão enfrentando depressão, transtorno bipolar, psicose, dependência química, entre outros. Na unidade, psiquiatras, psicólogos, musicoterapeutas, assistentes sociais, clínico geral, terapeuta ocupacional, educador físico e nutricionista atuam em conjunto para oferecer assistência completa aos pacientes.

“Estudos científicos comprovam os melhores resultados adquiridos com o trabalho multidisciplinar, que soma forças, conhecimentos e habilidades específicas que contribuem na recuperação rápida e sustentada destes pacientes de forma humanizada e com a junção de todas as especialidades necessárias”, afirma o psiquiatra e responsável técnico da UNIICA, João Luiz da Fonseca Martins.

Segundo João Luiz, o grande diferencial do atendimento multidisciplinar é a conquista de melhores resultados na manutenção da estabilidade do paciente a longo prazo, ao reduzir o risco de recaída ou recorrência dos sintomas psíquicos.

A nova forma de tratamento tem auxiliado também na quebra do preconceito em buscar ajuda. No primeiro trimestre deste ano, a UNIICA ampliou o número de leitos e aumentou a capacidade operacional em 68% ao abrir uma nova unidade de internação, devido ao crescimento na procura.

Além das atividades e terapias realizadas com o time de profissionais, a clínica envolve os familiares dos pacientes internados em grupos de apoio. Promovidos por psicólogos e psiquiatras, de forma individual ou em grupo, realizam de uma a três vezes por semana a sensibilização, orientação e psicoeducação a esses familiares, visando prepará-los ao convívio com o paciente pós-alta hospitalar. “Não é raro a presença de familiares que também apresentam alguma sintomatologia psíquica sendo necessário, após a identificação, o direcionamento para atendimento especializado”, alerta o psiquiatra

No tratamento contra a dependência química, reuniões entre pacientes e ex-dependentes, com a moderação do serviço de psicologia, promovem discussões de diversos temas, comportamentos e ações comuns que levam os pacientes a apresentarem riscos de recaída em ambiente externo. Esses fatores são trabalhados com intuito de conscientizar e aumentar a rede de proteção externa destes indivíduos, reduzindo assim a probabilidade de recaída.

Para a psicóloga Carolina Batista, a assistência oferecida por diferentes profissionais e o envolvimento da família oferece ao paciente um tratamento digno, eficaz e único. “O tratamento multidisciplinar desmistifica o que é saúde mental e ressignifica para a sociedade o conceito de tratamento psiquiátrico ao considerar o paciente como um todo e fazer dele um agente importante e ativo do seu tratamento, incentivando que ele retorne para a sociedade e para o seu contexto com a possibilidade de retomar a sua vida de forma ativa e funcional”, conclui Carolina. (s.priscila@grupomarista.org.br)

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