Cinco dicas para quem quer fazer as malas e viver nos Estados Unidos

O atual cenário político e econômico no Brasil traz preocupação para a população e muitos cogitam se mudar para outros países. Antes de fazer as malas é importante pesquisar o mercado, avaliar com calma as possibilidades de fazer essa mudança de vida.  Jorge Bittencourt, pós doutorando em Educação pela Florida Christian University (EUA) e professor de planejamento estratégico no Ibmec do Rio de Janeiro, elaborou algumas dicas valiosas para quem pretende investir no sonho americano.  Com grande experiência em consultoria empresarial, Bittencourt pesquisou o mercado norte-americano durante mais de cinco anos e se uniu a outros profissionais brasileiros para lançar o 1º. Seminário Internacional “Como morar e empreender nos Estados Unidos na Era Trump”, da Escola de Negócios GPS – Global Professional School, que acontecerá de 10 a 20 de julho, na Flórida, nos Estados Unidos.

 

Confira as dicas do especialista:

1)      Esteja legal: muitas pessoas pensam em imigrar ilegalmente para os EUA, entrando com vistos de turistas e permanecendo indefinidamente em território norte-americano. Essa não é uma boa ideia porque as autoridades de imigração estão cada dia mais capacitadas e informadas, transformando a vida de imigrantes ilegais numa experiência difícil. Há diversas formas de mudar para os EUA legalmente, permitindo que a experiência seja muito agradável e tranquila. Uma das formas mais simples é obter um visto de estudante (F1), através da contratação de um curso de inglês (cerca de US$ 6 mil anuais). Se quiser algo mais sofisticado, há inúmeras ofertas de cursos de pós-graduação, mestrado e doutorado, com preços que variam entre US$ 10 mil e US$ 30 mil por ano. Com esse visto, o titular e seus dependentes (F2), poderão permanecer nos EUA sem a necessidade de retornar durante o período do curso. Os vistos F1/F2 não permitem trabalhar durante o período em que estiver estudando, mas dá espaço para evoluir para um visto definitivo e, assim, aplicar para o green card e, quem sabe, para quem tiver interesse, obter a cidadania norte americana. Há inúmeras oportunidades a serem exploradas. Uma boa assessoria jurídica custa cerca de US$ 8 mil para oferecer as formas de transformar os vistos e garantir a permanência.

2)      Busque o local mais apropriado às suas necessidades e características. O território norte-americano é imenso, com variações drásticas de temperatura e estilos de vida. Da quente Florida à descolada Califórnia, passando por estados mais conservadores como o Texas ou mais ao norte, em cidades mágicas como Washington e New York, são muitas alternativas a serem consideradas. Para quem vai se mudar com a família, é importante avaliar opções que considerem qualidade de vida, custos mais moderados, climas mais amenos e opções de escolas, empregos e vida social mais adequada ao que estão acostumados em sua cidade atual. A adaptação nem sempre é fácil e ter parentes ou amigos por perto poderá ser uma grande ferramenta para reduzir as dificuldades e a saudade de casa.

3)      Conheça as regras e… obedeça-as. Desde seguir as leis de trânsito, a saber o que não é permitido no estado selecionado para viver, lembre-se que a América é uma reunião de estados independentes (United States of America) e as leis e regulamentos variam de um estado para o outro, incluindo a pena de morte em alguns deles. Não tente usar o “jeitinho brasileiro” e avançar sinais de trânsito ou tentar corromper um agente da lei, pois terá consequências muito sérias. Aquela estória de que a policia aparece do asfalto para pegar quem dirige mais rápido do que é permitido, é verdadeira. Neste caso, é multa certa e, em alguns casos, apreensão da carteira de motorista, que é um documento essencial.

4)      Crie seu crédito. Não adianta muito ter dinheiro vivo. Para viver nos EUA você deve criar e manter seu crédito, pois é assim que avaliam os imigrantes. Comece abrindo uma conta em banco. Muitos deles aceitam até contas de não residentes, mas você deverá ter o Social Security ou o ID Tax. Junto com a sua carteira de motorista será possível abrir sua conta. Deposite uma quantia numa conta de poupança (savings acount) e solicite um cartão de crédito dentro do limite do seu depósito. O banco terá a garantia que você pagará mensalmente sua fatura, pois se não o fizer, saca o seu depósito da sua poupança e cancela seu cartão. Porém, se você pagar suas faturas nos prazos, seu crédito começa a se consolidar e você vai começar a receber diversas propostas de novos cartões. Cuidado, pois aceitar todas as propostas poderá comprometer seu crédito. Vá devagar, pagando seus débitos e aumentando sua credibilidade.

5)      Faça seguro de tudo! É muito mais barato segurar seus bens do que assumir riscos. Um acidente de trânsito, por exemplo, poderá gerar prejuízos incalculáveis. Em algumas áreas, podem ocorrer variações climáticas como tornados, que podem ser previstos e segurados, evitando despesas grandes para reparar sua casa. Além disso, é necessário ter seguro de saúde, pois o sistema de atendimento em hospitais e clínicas é complexo e caro para quem não tem seguro. Há diversas opções, desde simples cobertura em casos mais graves que exijam internações, até coberturas completas. Os custos não são muito diferentes daqueles praticados aqui no Brasil, dependendo das faixas etárias e tipos de coberturas.

Enfim, há muitas coisas para serem avaliadas. Não é uma opção simples deixar o país e iniciar uma nova vida fora da sua terra natal. As viagens de férias dão uma visão muito limitada dos verdadeiros desafios a serem enfrentados. Mas existe uma chance imensa de ter uma vida mais confortável e segura, num país que oferece uma combinação equilibrada de respeito ao cidadão e oportunidades de obter mais qualidade e possibilidades de crescimento pessoal e profissional.

 

<gyamaral@gmail.com>

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