Últimas

Saiba como as séries alteram a vida por trás da TV

Em tempos em que séries de TV são lançadas todos os meses, com uma infinidade de temas, e com o acesso a elas cada vez mais facilitados, torna-se muito comum ouvir as pessoas conversando sobre o tema, compartilhando em redes sociais e até mesmo declarando estarem “viciadas”.

Mas até que ponto essa afirmação é correta? É possível estar “viciado” em uma série? Segundo José Palcoski, psicólogo do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), não é plenamente correto dizer que está viciado em uma série , pois qualquer dependência esta relacionada a algum tipo de substância. “É mais um processo de profundo envolvimento, algo mais afetivo e movido pela curiosidade e pelo desejo de conhecimento das resoluções dos fatos e temas apresentados’, avalia.

Ao assistir uma série, acontece o que a psicologia define como “processo de identificação” com alguns personagens, baseado naquilo que gostaríamos para nossa vida ou mesmo em situações de imitação do comportamento do personagem. “Como a série acaba trazendo temas que são significativos em nossa história, isto faz com que mergulhemos no processo dos personagens, muitas vezes nos familiarizando com as tramas por eles vividas, e integrando em nosso repertório de comportamentos as vivencias por eles representadas”, explica.

Existe, ainda, o processo de curiosidade de sempre querer saber o que vai acontecer, pois diferentemente de um filme, que tem a duração média de 2 horas, a série é formada por capítulos de 40 minutos e que se reproduzem semanalmente, possuindo como característica o término de cada capítulo sempre sem seu clímax. “Despertando o desejo de conhecer a solução dada pelo personagem, pois na verdade isso funciona como um ensaio para situações que possam ser vividas em nossas vidas”, ressalta.

Mas, apesar de acontecer esse processo de identificação, José garante que uma série não altera a personalidade do telespectador. “A série pode apenas exacerbar alguns traços que a pessoa já possui, baseado no processo de imitação frente a um personagem que ela tenha maior identificação”, diz.

O psicólogo esclarece que a série de TV deve ser encarada como um passa tempo ou hobby, um momento de relaxamento que faça com que as pessoas possam mudar o pensamento de tudo aquilo que gere estresse no dia a dia. Isso porque o comportamento de se manter focado apenas em séries pode trazer alguns prejuízos, como o desenvolvimento social, perdendo oportunidades de socializar e, com o tempo, isso pode
se tornar uma restrição social. “ O ponto focal da restrição social esta na possibilidade de a pessoa passar a desenvolver um processo de isolamento social, o pode vir a gerar um processo de depressão. E assim a pessoa acaba entrando em um ciclo vicioso”, revela.

É importante ter moderação e para se saber se você ou alguém que conhece está passando por este processo é preciso observar alguns sinais. “É necessário notar se a pessoa realiza apenas essa atividade fora do seu horário de trabalho. Notar se busca inúmeras oportunidades para assistir séries, se perde o interesse por outras situações de vida social, profissional ou mesmo familiar, apenas se interessando pela série”, esclarece.

Além disso, demonstrar interesse apenas por assuntos relacionados às séries que tem assistido também pode ser um sinal de alerta. “ buscar programas, blogs e demais veículos de comunicação que estejam descrevendo, comentando, realizando spoilers, ou qualquer outra situação relacionada apenas à serie também pode ser um sinal”, fala.

Ao notar esses sinais, o psicólogo conta que existem algumas atitudes iniciais que pode ser tomadas. “Primeiramente, buscar entender qual a temática que esta conversando com a pessoa, pois muitas vezes ela vive na série o que lhe falta na vida real. Depois, buscar formas de fazer esta pessoa viver em sua vida aquilo que lhe convida a série – na medida do possível”, exemplifica.

Outra alternativa é mostrar que todo o tipo de excesso irá trazer prejuízos, e pontuar que o segredo é o equilíbrio entre as suas tarefas e os seus passatempos. “Se mesmo assim a pessoa se mostrar extremamente fixada na situação e manter o comportamento evitativo para outras possibilidades, deve-se oferecer e oportunizar uma avaliação psicológica para aprofundar a explicação do que possa estar acontecendo em seu meio social”, conclui.   <imprensa@hnsg.org.br>

Escreva um comentário

Seu e-mail não será divulgado


*