Quem são os artistas da música que sofrem com zumbido

Como a audição dos músicos é afetada pela rotina da carreira. Problemas auditivos tornam-se mais presentes no dia a dia desses profissionais, que precisam equilibrar cuidados com a saúde e a performance nos palcos.

Bob Dylan já dizia em sua canção Call Letter Blues:

“My ears are ringing, ringing like empty shells.”

“Meus ouvidos estão tocando, tocando como conchas vazias.”

Já Bono Vox do U2, diz o seguinte na música Staring at the Sun:

“There’s an insect in your ear. If you scratch it won’t disappear. It’s gonna itch and burn and sting.”

“Há um inseto em seu ouvido. Se você esfregar ele não desaparecerá. Irá coçar e queimar e picar.”

A letra destas canções nos faz refletir o universo musical sob o aspecto da saúde e apresenta o músico como um indivíduo com limitações e problemas comuns.

Além de Bob Dylan e Bono Vox, artistas como Eric Clapton, Phill Collins, Sting, Chris Martin, Will.i.am, Ozzy Osbourne e outros artistas da música sofrem com uma queixa em comum, o zumbido. No Brasil, o cantor Rogério Flausino declarou no documentário da banda, intitulado “20%”, que enfrentou problemas com zumbido.

Os artistas da música possuem uma rotina repleta de shows, passagens de som e contato direto com instrumentos de alta frequência.

O nível de ruído durante uma apresentação musical pode ultrapassar os 120 dB (unidade de medida do som), sendo que o aceitável para o ouvido humano ficar exposto sem sofrer danos é de 85 dB.

Antigamente o Guinness Book (livro dos recordes) tinha uma categoria chamada “banda mais barulhenta”, mas excluiu da lista, pois os músicos colocavam a saúde auditiva em risco para bater o recorde. Nas medições realizadas pelo Guinness o The Who chegou a figurar no topo da lista, em 1976, com um show cujo volume atingiu 126 dB há mais de 300 metros do palco.  Em 1984, a banda Manowar, bateu o recorde e alcançou 129,5 dB. Hoje com a aparelhagem cada vez mais moderna e potente, certamente esses índices já ficaram para trás.

Essa exposição a níveis elevados de pressão sonora pode influenciar diretamente na audição, causando alterações que exigem tratamento antes de se tornarem irreversíveis.

“Quando se pensa em um cantor logo se associa a voz, o que muitos ainda não têm conhecimento é que uma boa audição é a garantia de um bom retorno da voz”, salienta a especialista em audiologia, Katya Freire, doutora em Ciências pela UNIFESP e pioneira na preservação auditiva dos profissionais da música, de diferentes estilos musicais como, Ivete Sangalo, Luan Santana, Luciana Mello, Claudinha Leite, Carlinhos Brown, Maria Rita, Ana Carolina, Michel Teló, entre tantos outros.

As principais queixas auditivas dos músicos são: zumbido, sensação de plenitude auricular e pressão no ouvido.

De acordo com pesquisas 17% da população sofre com zumbidos. Dentre esses, 90% tem ligação com PAIR (Perda Auditiva Induzida por Ruído)

O som emitido pelo zumbido, dependendo da percepção de cada pessoa, pode ser associado com outros tipos de som como chuva caindo, chiados, insetos ou ruídos mais abafados como o som do motor, rádio fora de sintonia ou barulho de cachoeira.

Mesmo conscientes dessas consequências e sintomas, muitos músicos e técnicos de som não se protegem, o que pode acarretar no comprometimento da carreira.

Para que os músicos tenham sua audição preservada e continuem ouvindo o som da música que estão produzindo sem nenhuma distorção, é necessário o uso de protetores com filtro linear, que permitem a audição do som original atenuado, porém com a mesma qualidade, mantendo o pico de ressonância natural.

Outra opção é o uso do monitor in-ear. Um conceito bastante simples no qual é introduzido um sinal de alta qualidade na orelha do músico, que permite ao usuário ouvir com clareza e definição a mixagem do som num volume desejável e seguro.

Porém, para que os monitores in ear tragam benefícios, devem ser bem utilizados. Seu uso precisa ser binaural (nas duas orelhas ao mesmo tempo), apesar de muitos músicos utilizarem só em um lado, pois desejam ouvir a ambiência do palco e da plateia.

“Diferentemente do que imaginam, o uso unilateral é um grande risco para a audição. Se o objetivo é escutar a própria voz e/ou os instrumentos, usando o fone dessa maneira existe uma tendência a aumentar o volume do body-pack para se obter uma audibilidade melhor e compensar o ruído externo. Quando se aumenta o volume, o nível de pressão sonora emitido é muito maior do que num palco aberto, por exemplo. Então, o risco para desenvolver uma perda auditiva é duplicado na orelha aberta pela exposição ao palco com todos os instrumentos tocando juntos e na orelha com o fone, devido ao nível de pressão sonora excessivo”, alerta Katya Freire.

Grandes nomes da música nacional reconhecem a importância dos aparelhos de apoio. A musa Ivete Sangalo é uma delas:

“Minha gente, a preservação auditiva é um assunto sério! A perda de audição causada por ruído é irreversível! Eu tenho muito cuidado com isso e uso fones que me dão essa proteção”

Luciana Melo também destaca a importância dos protetores em suas apresentações:

“Nos meus shows, eu uso monitor In Ear nos ouvidos. E, quando vou a lugares muito ruidosos como outros shows ou frequento aulas onde o som é muito alto, eu coloco meus protetores auditivos. Então é isso aí, abrace essa causa: preserve a audição, ela é seu principal instrumento de trabalho”

Se essas dicas já são aderidas por profissionais conceituados fica evidente a importância do cuidado com a audição em meios musicais. “O músico deve sair do show com a mesma qualidade auditiva que entrou. Sem dores ou zumbidos incômodos. Cuidar da saúde auditiva para o músico é como cuidar de um precioso instrumento de trabalho”, ressalta Katya.

 

Sobre Katya Freire

Katya Freire é pioneira no trabalho de preservação e conservação auditiva de músicos. Graduada em Fonoaudiologia pela PUC-Campinas com especialização em Audiologia pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia, fez mestrado pela PUC-SP e doutorado em Ciências pela Unifesp. Aperfeiçoamento realizado nos Estados Unidos na San Diego State University com atuação no Children’s Hospital de San Diego, na Califórnia. Autora do Treinamento Auditivo Musical e de inúmeros artigos e capítulos de livros na Área de Audiologia.

 

Sobre a Audicare

Fundada em 1999 na cidade de São Paulo, a Audicare atua no mercado brasileiro com atendimento clínico na área de fonoaudiologia, na especialidade de audiologia, realizando avaliação completa, proporcionando uma reabilitação e adaptação auditiva – por meio de próteses – e na preservação da audição em crianças, adultos e idosos. No setor musical, tornou-se referência por oferecer acompanhamento audiológico especializado aos profissionais da música de diferentes estilos. Em 2003, firmou parceria com a Westone, tornando-se representante exclusiva da marca americana no Brasil e, em 2013, foi autorizada a fabricar os renomados monitores in-ears e protetores auditivos, surgindo a Westone by Audicare. (thais@comunicacaoconectada.com.br)