ARTIGO: Inverno favorece a transmissão das conjuntivites

No dia 21 de junho iniciou a estação mais fria do ano. As baixas temperaturas aliadas à falta de ventilação nos ambientes fechados e à aglomeração das pessoas provocam uma maior quantidade de componentes no ar, ocasionando sensibilidade nos olhos. E isso facilita a transmissão da conjuntivite.

A doença é uma inflamação da conjuntiva, uma membrana que reveste a parte branca do olho e a superfície interna das pálpebras. Ela pode ser causada por vírus ou bactérias. Na conjuntivite bacteriana, os olhos ficam vermelhos, congestionados, com secreção purulenta (aspecto amarelado e grosso) que gruda nos cílios, sem lesões corneanas em geral. Já na conjuntivite viral, a infecção causa vermelhidão, inchaço, lacrimejamento abundante, sensação de areia nos olhos. A conjuntivite viral pode afetar além da conjuntiva também a córnea, deixando como consequências lesões corneanas chamadas númulas que afetam a visão.

Quando a doença se manifesta nas crianças, os pais devem ficar ainda mais atentos, já que causa bastante irritação. Geralmente, o maior problema mesmo é o incômodo. Mas, a conjuntivite também pode temporariamente prejudicar a qualidade da visão do paciente.

O tratamento é realizado de acordo com o tipo de conjuntivite e podem ser prescritos  antibiótico, colírios sintomáticos ou antialérgico. As famosas “compressas” geladas feitas com algodão ou gaze também podem ajudar no alívio dos sintomas. Mas, não se deve utilizar lenços de pano ou toalhas, para que não haja o recontágio. O importante é sempre consultar um oftalmologista para que a causa seja identificada e tratada da melhor maneira possível.

Quem já contraiu a conjuntivite deve tomar algumas precauções para impedir o contágio. É recomendado não cumprimentar as pessoas com beijo ou aperto de mão ou abraços, evitar lugares aglomerados, lavar as mãos com frequência, usar lenços apenas de papel para enxugar lágrimas ou secreções, não compartilhar toalhas de banho ou rosto, trocar diariamente as fronhas de travesseiro, não coçar os olhos, não compartilhar maquiagem ou cosméticos e não usar rímel ou delineador. E, para evitar a doença, mantenha os ambientes limpos e ventilados, além de sempre lavar mantas, cobertores e blusas de lã.

*Ana Paula Canto é médica graduada pela Faculdade Evangélica do Paraná e especialização em Oftalmologia pelo Hospital Evangélico de Curitiba e realiza atendimentos na Clínica Canto, em Curitiba. Possui Research Fellow em Córnea, Catarata e Cirurgia Refrativa e Clinical Fellow na mesma especialidade pelo Bascom Palmer Eye Institute da Universidade de Miami, nos Estados Unidos. É membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, do Conselho Brasileiro de Catarata e Cirurgia Refrativa, da Associação Paranaense de Oftalmologia e da American Society of Ophthalmology e American Society of Cornea and Cataract Surgery, ambos dos Estados Unidos.