Como diagnosticar uma empresa familiar antes da crise?

Para prevenir danos financeiros e de relacionamento interno a longo prazo, sócios buscam implantação da governança corporativa cada vez mais cedo

Com o passar dos anos, muitas empresas familiares acabam por não voltar o olhar para pontos importantes do desenvolvimento do negócio, como, por exemplo, a hora de se pensar em um planejamento sucessório. Dentro desse contexto, a governança corporativa deve ser implantada o quanto antes, a fim de prevenir danos financeiros e de relacionamento entre sócios a longo prazo. Mas, como é possível realizar um diagnóstico tão complexo?

De acordo com o diretor-presidente da GoNext, Eduardo Valério, mesmo já tendo alguns métodos de governança, as empresas precisam gerar um modelo de atuação vindo, praticamente do zero. Por isso, a fase de diagnóstico é uma das mais importantes. “É a partir dela que é possível identificar de forma clara qual é o momento que a empresa está vivendo, quais os objetivos dos proprietários, e, assim, quais deverão ser as ênfases dadas em cada instrumento e órgão sugeridos para implantação”, explica Valério.

E essa iniciativa de diagnóstico precoce do negócio tem começado cada vez mais cedo. Segundo Valério, os sócios pertencentes à 2ª geração da família estão valorizando cada vez mais a implantação da governança corporativa. Entre os mais de 100 projetos de governança corporativa já desenvolvidos pela empresa, mais de 30% foram iniciados a partir da demanda dessa geração societária. “Essa é uma das fases mais importantes do processo: o diagnóstico preventivo. O quanto antes os instrumentos de governança forem implantados na empresa, menores serão as chances de haver desequilíbrios financeiros e interpessoais”, explica o especialista.

De acordo com dados da KPMG, as empresas familiares representam cerca de 70% do PIB global. Em nível nacional, apenas 12% das empresas familiares brasileiras sobrevivem após a 3ª geração, segundo levantamento recente da PricewaterhouseCooper. Um cenário cada vez mais receptivo a novas visões de mercado e, principalmente, planejamento. “A partir do diagnóstico completo é possível implantar instrumentos como conselho de sócios, de família, de administração, entre outros, que irão reger todo o processo de governança corporativa na empresa. Assim, pouco a pouco, uma estrutura de atuação frágil se torna forte o suficiente para atuar com mais segurança e, consequentemente, longevidade”, avalia Valério.

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