Nutróloga do HCor dá dicas simples para entender o rótulo dos alimentos

Adotar hábitos alimentares saudáveis compreende consumir alimentos in natura, orgânicos ou integrais. No entanto, a realidade de muitos brasileiros é bem diferente. Simplicidade, fácil acesso e preços baixos norteiam as compras, e a tendência é abusar de produtos industrializados. Neste cenário, uma dica importante é ler as indicações nutricionais dos rótulos e saber interpretá-los. Entender de onde vem e do que são feitos os produtos é essencial para uma escolha alimentar equilibrada.

Embora tenham informações essenciais, pesquisas mostram que cerca de 50% dos brasileiros não costumam ler os rótulos e as tabelas nutricionais dos produtos. Entre aqueles que leem esses dados, 3% afirmam não entender o que significa cada item. Tal questão acende o debate sobre como deixar os rótulos mais “didáticos” aos consumidores. “Como não há uma regulamentação específica, o fabricante dá o nome que quiser para os ingredientes, sem que seja considerada uma infração”, destaca Daniela Gomes, nutróloga do HCor – Hospital do Coração.

A dica de ouro, segundo a médica, é observar a ordem em que aparecem os ingredientes. A tabela destaca os produtos em ordem de proporção, ou seja, o primeiro da lista é o que apresenta maior quantidade. Por exemplo: se o açúcar for o primeiro da lista, significa que em sua composição há mais deste ingrediente. No caso dos produtos integrais, por exemplo, nem sempre a farinha integral é o primeiro item da lista. A maioria tem a farinha branca em maior quantidade.

Mais clareza
Hoje já existem leis que regulamentam as informações das tabelas nutricionais. No entanto, há algumas barreiras que tornam mais difíceis o entendimento na hora de comprar um produto: os termos técnicos e a necessidade de fazer algumas contas. “Muitos produtos indicam 0% de gordura trans quando há uma quantidade de até 0,2g desta gordura por porção. Há critérios na legislação que permitem declará-la desta forma”, explica Dra. Daniela. “A única forma de se certificar é verificar se os termos ‘gordura hidrogenada’, ‘óleo vegetal parcialmente hidrogenado’, ‘óleo de milho hidrogenado’, etc. são mencionados nos rótulos”, orienta.

Mas calma! Não precisa esmiuçar a tabela nem suar a camisa para fazer contas. Abaixo, confira as dicas da nutróloga para entender o que significam alguns dos principais itens obrigatórios na tabela.

Valor energético: são as calorias. Até 40 kcal por porção é considerada baixa densidade calórica, de 100 a 399 moderada, e acima de 400 alta densidade calórica.

Carboidratos: o ideal é que sejam evitados alimentos que contenham açucares simples como açúcar, açúcar invertido, xaropes, farinha refinada, mel, etc.

Proteínas: alimentos com maior teor de proteína, essencial para a construção e manutenção dos músculos, proporcionam maior saciedade. Para que seja considerado fonte de proteína, deve ter, no mínimo, 6g por porção.

Gordura total: refere-se à soma de todos os tipos de gordura encontrados em um alimento. Alimentos com baixo teor são aqueles com até 3g por porção.

Gorduras saturada e trans: a gordura saturada está presente em alimentos de origem animal, e seu consumo deve ser moderado – em grandes quantidades aumentam os riscos de desenvolver doenças cardiovasculares. São considerados com baixo teor os produtos que tiverem até 1,5g por porção. Já a trans é uma gordura industrializada e não possui valores diários (representados pela sigla % VD) indicados, pois seu consumo não é recomendado.

Sódio: encontrado, principalmente, em salgadinhos de pacote, molhos prontos, embutidos, etc.. Alimentos que contém mais de 20% VD em sua composição são considerados excesso de sódio e devem ser evitados.

Fibras: para ser considerado fonte de fibras, um alimento tem de conter, pelo menos, 2,5g por porção. Mesmo que o rótulo mencione “integral” ou “contém fibras” é importante verificar a quantidade deste nutriente.

acacia@targetsp.com.br