Planejamento sucessório é a chave para a longevidade das empresas

Implantação da governança corporativa auxilia a preparar sucessores para assumir gestão sem desestruturar o negócio

O Brasil é um país empreendedor. Prova disso é a quantidade de empresas que abrem todos os dias. Entretanto, a maioria delas não sobrevive mais que nove anos.  Dados do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) mostram que 15,41% das empresas encerram suas atividades no primeiro ano de vida, 41,86% entre 1 e 5 anos e 75% não chegam aos 14 anos, demonstrando, com isso, que muitas fecham as portas antes de passar por um processo de sucessão. Neste sentido, adotar a governança corporativa estruturada como estratégia de atuação, com planejamento sucessório bem definido, pode ser fundamental para garantir a longevidade da companhia no mercado.

De acordo com o diretor-presidente da GoNext, Eduardo Valério, a característica principal de uma empresa familiar na primeira geração (sem sucessão) é ser uma empresa jovem em que o fundador ainda está no comando. “Nesse caso, ela ainda não constituiu o seu conselho de administração e o fundador está fazendo o papel de principal gestor e até de conselheiro da empresa. Esta é uma oportunidade de se constituir uma governança corporativa estruturada para que o processo de passagem de bastão seja o mais tranquilo possível”, diz Valério.

Um dos principais erros das empresas familiares é não pensar na sucessão. Ou vê-la como algo distante e não dar muita importância. Uma pesquisa da PricewaterhouseCooper (PwC) aponta que apenas 11% das companhias possuem planos de sucessão bem estruturados e documentados. “Ninguém conhece melhor a empresa e a família do que o fundador. Estas informações são muito ricas e decisivas na hora de construir e implementar a metodologia de sucessão”, afirma Valério.

Na GoNext, o planejamento sucessório é sugerido de maneira direcionada e personalizada para cada negócio, com um tempo de implantação que pode levar de seis meses a um ano. “Para que a transição seja efetiva, é importante que essa metodologia não só crie, mas também aplique e, principalmente, acompanhe os resultados. É a partir desse olhar macro que os sucessores passam a enxergar o negócio bem além de sua geração”, avalia o especialista.

Como identificar um sucessor?

O sucessor tem a missão de dar continuidade ao trabalho que já foi realizado até então. Além disso, precisa conhecer bem a empresa e quais os desafios que a companhia terá para os próximos anos. “Estes desafios são facilmente identificados por meio da construção de um bom planejamento estratégico. Assim, com a empresa planejando o seu futuro, ela identifica quais são as necessidades e as competências que os futuros gestores deverão ter para fazer frente aos desafios” explica Valério.

Não basta, entretanto, escolher o sucessor sem prepará-lo para assumir a empresa. “O que acontece, muitas vezes, é que os herdeiros não estão suficientemente preparados para assumir a nova função. Por isso, muitas empresas estão optando pela gestão mista envolvendo pessoas da família (herdeiros e sucessores) e profissionais de mercado”, observa Valério, destacando que nesta combinação de profissionais familiares e externos, cria-se um sistema de gestão seguro que não fica nem predominante familiar nem demasiadamente externo.