Moinho da região de Londrina desenvolve farinha para projeto “Pão Paranaense”

Uma farinha de trigo especial,  feita exclusivamente com grãos paranaenses. Essa é a contribuição do Moinho Globo, de Sertanópolis, no projeto “A Procura do Pão Paranaense”, desenvolvido pelo casal Claudine Botelho e Oscar Luzardo, proprietários da Slow Bakery, de Curitiba.

A temática do pão paranaense está na publicação  “Panifesto – Parte II. A Procura do Pão Paranaense. Compartilhando um Sonho, Difundindo uma Ideia, Lançando um Desafio”,  de autoria de Claudine e Oscar, e também deu origem à linha Panfolia,   feita com trigos colhidos e moídos no Estado e comercializada pela Slow Bakery desde o ano de 2016. 

Segundo Oscar Luzardo, o projeto  é um caminho para discutir e refletir a respeito da qualidade do pão num contexto único e favorável no Paraná. “Consideramos que o Estado tem um potencial extraordinário para ser reconhecido como região com uma panificação de alta qualidade, notadamente pela evolução da produção de cereais”, analisa.

Luzardo ressalta o cenário atual em que  se nota uma procura por produtos de melhor qualidade –  a exemplo da evolução do vinho, do café e da cerveja – e principalmente porque o estado conta com uma herança cultural de origem europeia onde o pão e o trigo têm uma forte presença nas tradições dos imigrantes. “Isso representa uma fonte riquíssima de pesquisa para a evolução de uma panificação genuinamente  paranaense”, afirma.

 

O desafio da produção

Ao idealizarem o projeto, Claudine e Oscar buscaram compartilhar com os participantes da cadeia de produção o desafio da procura pelo pão paranaense. Entre as empresas convidadas, o Moinho Globo aceitou a proposta.  De acordo com  a vice-presidente da indústria, Paloma Venturelli,  esta farinha do pão paranaense  tem características  específicas.  Feita exclusivamente do trigo paranaense, ela é integral, enriquecida com gérmen de trigo e 100% natural, sem conservantes, ideal para o pão artesanal desenvolvido pela linha Panfolia.

Paloma Venturelli acrescenta também que o Moinho Globo é um grande incentivador da produção de trigo paranaense. “Nossa empresa é parceira dos produtores da região de Sertanópolis,   sendo que em alguns períodos do ano utilizamos apenas trigo paranaense na moagem”, esclarece.

 

Mais sobre o livro

Oscar Luzardo conta que a  ideia do livro “Panifesto – Parte II. A Procura do Pão Paranaense. Compartilhando um Sonho, Difundindo uma Ideia, Lançando um Desafio” surgiu como algo natural. Tanto ele, quanto a esposa Claudine, têm o hábito de registrar tudo em fotos, desenhos e textos. “Desde 2012, quando abrimos a Slow Bakery com a Linha de Pães La Panoteca, que são os pães das nossas origens  – Portugal e Uruguai – tínhamos o sonho de ver a qualidade do pão melhorar em termos de sabor, de qualidade nutricional e do resgate do valor cultural”, destaca.

O casal tomou como referência a importância cultural do pão no Uruguai e muito especialmente em Portugal, onde existe uma diversidade de pães fantástica. “Para ter uma ideia em Portugal, um território aproximadamente 50% do território do Paraná, a diversidade de pães regionais aproxima-se a centena”, ilustra Oscar. Ele avalia, no entanto, que o pão paranaense tem  um  longo caminho a percorrer até  se perceber uma melhoria da qualidade  e o reconhecimento da panificação paranaense como algo excepcional.  “Logicamente que não vamos ser nós a determinar qual pão será o pão paranaense. E provavelmente não será necessária uma síntese, uma conclusão ao respeito, mas sim uma procura profunda pelo desenvolvimento de uma cultura de panificação paranaense baseada na matéria prima local, na popularização do conhecimento e da apreciação do pão, assim como da utilização majoritária de métodos de produção que priorizem a obtenção de produtos saborosos e nutricionalmente equilibrados”, finaliza.

 

Serviço:

O livro em breve será distribuído em livrarias. No momento pode ser adquirido na loja Slow Bakery, na Rua Gastão Câmara 384, no Bigorrilho em Curitiba. Preço R$ 44.90.

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