Prisão de ventre é mais frequente em mulheres

A constipação intestinal pode ser definida por mudanças na frequência, tamanho, consistência, ou facilidade de passagem das fezes. A nutricionista Elaine de Pádua explica que a doença é causada por uma série de fatores, “principalmente erros alimentares, hábitos sedentários, desvios de postura e, com maior ou menor frequência, nos indivíduos que não possuem uma regularidade de horário para seu esvaziamento intestinal, o que causa, ao longo dos anos, a perda do reflexo de evacuação, que pode resultar na constipação”, conta.

A prisão de ventre pode ser de origem orgânica, sendo secundária a alguma doença como, por exemplo, neoplasias obstrutivas, hipotireoidismo, diabetes ou ainda a alguma doença que impeça o movimento do conteúdo intestinal. Ela pode também ser de origem funcional, relacionada a fatores como maus hábitos alimentares, sedentarismo e inibição do reflexo de evacuação.

Um bom número de pacientes inicia ou acentua sua queixa intestinal a partir de modificações do seu hábito alimentar ou dos seus horários de trabalho. “Outras causas de prisão de ventre são o estresse emocional, falta de exercício físico, introdução de novos alimentos, parasitoses, hipotireoidismo e doenças intestinais”, complementa Elaine. A especialista diz também que parte significativa dos constipados tem seus sintomas fortemente relacionados ao baixo teor de fibras dietéticas, que compõem sua alimentação.

A constipação é mais comum em mulheres após os 40 anos, e após a menopausa, embora a explicação exata para essa diferença permaneça incerta existem fatores biológicos que podem servir como parâmetro. “Neste período acontecem mudanças anatômicas e fisiológicas que comprometem o assoalho pélvico e os esfíncteres, além das alterações hormonais próprias do sexo feminino, tal como o aumento dos níveis de estrogênio durante a fase lútea do ciclo menstrual. Isso tudo gera um tempo de trânsito intestinal mais prolongado”, diz Elaine. Outro fator importante diz respeito às diferenças comportamentais entre os sexos. Desde a infância, o cuidado por parte das meninas em utilizar banheiros desconhecidos pode contribuir para que estas se tornem mais propensas a ignorar o reflexo evacuatório normal.

A frequência ideal para ir ao banheiro é de no mínimo quatro vezes por semana. Se não tratado a doença pode evoluir para complicações mais graves, como o aparecimento de doença diverticular do cólon, ou alterações anatômicas e funcionais do cólon e reto.

A prisão de ventre pode ser tratada com consumo de líquidos em quantidade adequada, prática de atividade física sob orientação médica e, principalmente, pela a ingestão de alimentos fontes de fibras. Para prevenir o problema o consumo de frutas, verduras e legumes é o mais recomendado. “O ideal é consumir de 20 a 35 gramas de fibras por dia. Um cardápio rico em fibras é de suma importância no tratamento da constipação intestinal, já que o objetivo é aumentar o volume das fezes. Além disso é importante fracionar as refeições ao longo do dia e não deixar de realizá-las em horários regulares, visto que, o volume inadequado de alimentos para formar o bolo fecal, pode diminuir o número de reflexos gastrocólicos e desestimular o peristaltismo intestinal”, finaliza Elaine.

*Fonte: COTA e MIRANDA, 2006; MARI, 2007.

 

Sobre Elaine de Pádua

Nutricionista pós-graduada em Nutrição nas Doenças Crônico-Degenerativas pelo Instituto de Pesquisa e Ensino do Hospital Israelita Albert Einstein. Especialista em Adolescência para equipe multidisciplinar pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP. Pós-graduada em Nutrição Funcional pela Universidade Cruzeiro do Sul. Atualmente é mestre pela UNIFESP.  Autora do Livro “O que tem no prato do seu filho?”, Editora Alles Trade. Ministra palestras em diversas empresas como Nestle, Itaú Unibanco, Bovespa, Grupo O Boticário etc. katarine.monteiro@prestigerp.com.br