Técnica pioneira do HCor reduz risco de AVC em idosos

O Serviço de Hemodinâmica do HCor (Hospital do Coração), é pioneiro e referência no procedimento que tem sido utilizado na prevenção de acidente vascular cerebral (AVC ou derrame) em pacientes idosos portadores de fibrilação atrial (arritmia cardíaca) e que possuem alguma dificuldade ou contraindicação para o uso de anticoagulantes. A técnica já beneficiou milhares de idosos na Europa e Estados Unidos, sendo um procedimento reconhecido pelo Food and Drug Administration(FDA) americano.

No Brasil, estima-se que cerca de 2 milhões de pessoas sejam portadores de fibrilação atrial. Ela se apresenta em curtos episódios inesperados, persistentes ou permanentes. Além de causar sintomas como palpitações, intolerância ao esforço e mesmo insuficiência cardíaca é diretamente responsável por 40% dos fenômenos tromboembólicos (obstrução de vasos por coágulo de sangue), cujas manifestações mais graves são o “derrame cerebral” – com possibilidade de sequela neurológica de cerca de 25% – e a embolia pulmonar.

Durante o procedimento, é inserida uma prótese que veda o apêndice atrial esquerdo (estrutura em formato de dedo de luva) na câmara superior esquerda do coração, onde se formam os trombos que se desprendem e ocasionam o AVC. A prótese é guiada até o apêndice atrial por cateteres manipulados dentro do coração – eles são monitorados por uma sonda de ultrassom posicionada no esôfago). “A prótese leva a oclusão total desta estrutura em mais de 95% dos casos impedindo a formação local de coágulos, também chamados de trombos. São eles que, quando se desprendem do coração, se deslocam podendo causar o AVC”, explica o cardiologista intervencionista do HCor (Hospital do Coração), Dr. Carlos Pedra.

Após o procedimento, é possível suspender o uso de anticoagulantes e os exames de controle do nível de coagulação, na maioria dos casos. Os pacientes são mantidos com medicações mais simples para afinar o sangue como a aspirina, e podem retornar à sua vida normal em poucos dias, além da rápida recuperação. “Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros, esta população tem crescido significativamente nos últimos anos e as doenças características desta faixa etária, como os problemas cardiovasculares, por exemplo, seguem ritmo semelhante. Daí a preocupação de buscar novos tratamentos que possibilitem uma melhoria na qualidade de vida”, esclarece Dr. Pedra.

A indicação do procedimento: geralmente, os pacientes idosos com fibrilação atrial de origem não valvular dependem do uso contínuo de anticoagulantes para prevenir a formação destes coágulos. Porém, estima-se que em aproximadamente 25% a 50% dos casos há alguma restrição a este tipo de medicação, especialmente por causarem sangramentos graves ou por contraindicações clínicas devido a outras doenças associadas, como tumores, hemorragia intracraniana, sangramento digestivo por úlceras ou pólipos intestinais, entre outros. Estes pacientes necessitam de controle contínuo para checar o nível de coagulação (grau de refinamento do sangue) por meio de exames periódicos com o objetivo de ajustar a dosagem.

“É especialmente neste grupo, formado em sua maioria por pessoas com mais de 70 anos, que o tratamento é indicado, pois possibilita suspender o uso de anticoagulante e proteger o paciente de uma possível embolia e AVC. Ainda se enquadram neste perfil de risco os diabéticos, hipertensos e os que já tiveram um AVC”, enfatiza o cardiologista do HCor.

Fibrilação atrial x idosos: a fibrilação atrial é a arritmia mais frequente encontrada na cardiologia, sendo muito comum em pacientes idosos. Nesta doença, as câmaras superiores do coração batem com uma frequência extremamente rápida e com amplitude muita curta, parecendo mais uma tremulação do que um batimento propriamente dito. Esta arritmia altera o ritmo do coração e o pulso se torna geralmente rápido e irregular.

As duas câmaras superiores do coração (os átrios), que recebem o sangue do restante do corpo, tremem ou “fibrilam” em vez de bater normalmente. Durante uma batida normal do coração, os impulsos elétricos nascem de uma pequena área do átrio direito chamada nó sinusal. Durante a fibrilação atrial, porém, estes impulsos vêm de toda a superfície dos átrios, gerando 300 a 500 ativações por minuto. Quando isto ocorre por um período mais prolongado de tempo, existe o risco de formação de coágulos dentro do coração (mais especificamente dentro do apêndice atrial esquerdo).

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