Brasileiros não controlam colesterol

O colesterol está diretamente relacionado às doenças cardiovasculares, principal causa de mortes em todo o mundo. Mesmo assim, a maioria dos brasileiros não sabe qual a sua atual taxa de colesterol. Pesquisa recente da Sociedade Brasileira de Cardiologia, intitulada “O que o Brasileiro Sabre sobre o Colesterol”, revelou que 67% dos entrevistados não sabem sua taxa de colesterol, 41% não se preocupam em saber suas taxas e 11% nunca mediram o colesterol na vida. Apesar disso, 89% dos entrevistados reconheceram a necessidade de se medir regularmente as taxas de colesterol.

“Parece um contrassenso, mas isso revela o comportamento padrão do brasileiro, que não cuida preventivamente da sua saúde. O brasileiro só sabe que seu colesterol está alto quando ele já provoca problemas de saúde”, afirma o cardiologista da Unimed-Curitiba Flávio Studart, membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Ecocardiografia.

Esse desconhecimento da própria saúde tem ajudado a aumentar os casos de problemas entre os jovens na faixa de 20 anos. “O jovem acha que vende saúde e não fica fazendo exames. O problema é que o jovem está cada vez mais envolvido numa rotina de estresse, com trabalho, estudos e atividades pessoais, e cuida cada vez menos da alimentação, embarcando na onda do fast food. Isso tem aumentado muito os casos de jovens que chegam ao consultório com problemas de colesterol”, alerta o cardiologista.

Independente da idade, o controle do colesterol exige disciplina alimentar e física. A alimentação deve ser pobre em gordura saturada (frituras, gordura animal e gordura hidrogenada, entre outras) e rica em folhas e fibras. “Além disso, o paciente não precisa ser um atleta, mas 30 minutos de caminhada acelerada, cinco vezes por semana, já são suficientes para melhorar a qualidade de vida”, ensina Studart.

Apesar de eficientes, comer adequadamente e se exercitar nem sempre são suficientes para o tratamento do colesterol. Histórico familiar de diabetes, hipertensão e enfarto, tabagismo, sedentarismo e obesidade são alguns dos fatores que agravam a situação dos pacientes com taxas mais elevadas de LDL (colesterol ruim), que causam a aterosclerose, que é o acúmulo de gorduras nas paredes internas das artérias. “Por isso, os valores de referência que aparecem em todos os exames de sangue não devem ser tomados como padrão. Dependendo do histórico do paciente, esses valores podem estar bem acima ou bem abaixo do ideal”, alerta o cardiologista.

Por isso, realizar exames periódicos, sob orientação médica, é a principal indicação para quem quer controlar o seu colesterol. “Temos que mudar a cultura nacional de esperar a doença aparecer para tratar”, conclui Studart.