Empresa familiar: mera herança ou degrau para expansão?

A entrada de gestores externos ao círculo familiar pode contribuir para a evolução dos negócios e formação dos sucessores

Não é segredo que, para progredir, toda empresa precisa de um bom sistema de gestão e, principalmente, um gestor preparado para liderar pessoas e conduzir o negócio. Nas empresas familiares, em que muitas vezes os membros da família se dividem na ocupação de cargos existentes na companhia, esse cenário pode se tornar confuso. Principalmente quando os sucessores ainda estão se preparado para assumir novas funções. Com isso, a alternativa cada vez mais utilizada pelas empresas familiares é a contratação de gestores externos, fora do círculo familiar.

Para o diretor-presidente da GoNext, especializada em gestão de negócios e implantação da governança corporativa na empresa familiar, Eduardo Valério, a profissionalização das companhias pode trazer vários benefícios, desde que seja bem estruturada. Segundo ele, entre as vantagens de trazer um profissional com experiência de mercado à empresa familiar estão “a oportunidade de deixar o sucessor se preparar e ter a chance de escolher se quer assumir o negócio ou não; a geração de valor e de credibilidade da empresa perante o mercado”.

A profissionalização é uma tendência. Entre os projetos atendidos pela GoNext, a estimativa é que 25% das empresas familiares contam com gestores externos na administração dos negócios. Valério aponta que entre os principais motivos para trazer um profissional de mercado à gestão estão a falta de interesse dos sucessores no cargo ou inexperiência na função pretendida e um grande intervalo de sucessão, que pode gerar um distanciamento de gerações, com herdeiros ainda muito jovens para gerir a empresa.

Seja qual for o motivo para optar por um executivo de mercado, é importante fazer com que a entrada desse profissional seja realizada de forma responsável. De acordo com Valério, o executivo precisa, comprovadamente, ter experiência no cargo e estar preparado para que, possivelmente, sua passagem pela empresa seja breve. O especialista afirma que não é raro ver que, após um determinado tempo, um ou mais sucessores sentem-se preparados para assumir a direção dos negócios, colocando em cheque o cargo de liderança do profissional anterior. “Caso o herdeiro retorne ao cargo ou opte pela gestão mista, quem ganha com isso é a empresa familiar, que se torna mais sólida e estruturada para continuar atuando no mercado de forma sadia e bem controlada”, avalia Valério.