Gamma Knife do HCor trata distúrbio neurológico mais frequente no Brasil

Todos os anos, cinco em cada 100 mil pessoas no País são diagnosticadas com neuralgia do nervo trigêmeo, problema neurológico de maior incidência no Brasil e no mundo. A doença afeta as terminações nervosas das áreas responsáveis pelas funções motoras e sensitivas do cérebro, provocando crises lancinantes de dor na face, de curta duração. “Podem ocorrer dezenas ou até centenas de vezes por dia, ao serem desencadeadas por atividades triviais como escovar os dentes, fazer a barba, falar, mastigar ou mesmo tomar vento frio no rosto”, revela o neurocirurgião do Hospital do Coração (HCor), Dr. Antônio De Salles.

Em função de suas características, a doença costuma ser confundida e os portadores chegam a adotar tratamentos sem a menor relação com o problema. “Quando conseguem um diagnóstico preciso, o tratamento nem sempre é realizado com facilidade. Em metade dos casos o uso de medicamentos não surte efeito. Os pacientes acabam com várias extrações dentarias e até passam por procedimentos médicos não apropriados para a sua condição, antes de procurarem um neurocirurgião”, comenta a neurocirurgiã do HCor, Dra. Alessandra Gorgulho, especialista no tratamento da neuralgia do trigêmeo.

Atualmente, com a tecnologia de um equipamento neurocirúrgico de última geração, conhecido como Gamma Knife, é possível anular os efeitos da neuralgia do trigêmeo, sem incisões. Ao emitir um tipo de radiação, conhecida como raios gamma, através da caixa craniana do paciente, o Gamma Knife consegue eliminar o distúrbio com extrema eficiência. “O paciente não precisa ser internado, raspar o cabelo ou ser submetido à anestesia. Apenas se deita na maca acoplada ao aparelho e recebe uma única emissão de radiação gamma focada, precisamente, no ponto onde o problema está”, explica a Dra. Alessandra.

Tecnologia & Alta Precisão

O procedimento também conta extrema precisão. Assim, é possível poupar áreas saudáveis do cérebro de significativas doses de radiação. “A precisão chega a ser de 0.3 mm. Em grande parte, tal desempenho é obtido em função do controle robótico do aparelho, o que torna o procedimento, como um todo, praticamente, à prova de falhas. Esta precisão deve-se também à técnica neurocirúrgica estereotáxica que usa fixação rígida para o tratamento, diferente da fixação com máscaras usadas em radioterapia. Vale lembrar que, na fase preparatória os pacientes ainda podem ficar ao lado de seus familiares e acompanhantes. Após o início do procedimento é possível que todos se comuniquem por meio de um sistema de áudio e vídeo, o que humaniza o atendimento”, revela o rádio-oncologista do hospital, Dr. João Victor Salvajoli. (ricardo@targetsp.com.br)