Brasil gera 1,4 milhão de toneladas de lixo eletrônico ​ao ano

Educação é fundamental para evitar o descarte incorreto dos chamados “e-waste”

Carência de políticas públicas, falta de conscientização ambiental por parte da população e das empresas e deficiência nos sistemas de coleta seletiva de lixo são elementos que compõem o atual cenário brasileiro de geração de resíduos eletrônicos. De acordo com um estudo da Associação de Empresas da Indústria Móvel (GSMA), o Brasil gera atualmente 1,4 milhão de toneladas de “e-waste”. O levantamento estima ainda que, em 2018, o país deverá gerar 5 milhões de toneladas de lixo a partir do descarte de computadores e acessórios, telefones celulares e baterias, televisores, câmeras fotográficas, impressoras e outros equipamentos eletrônicos.

Para o professor de Engenharia da Universidade Positivo (UP), Giancarlo de França Aguiar, além da falta de conscientização pela população em geral, o Brasil é um país sem gestão pública de resultado no que se refere ao descarte correto de resíduos proveniente de equipamentos elétricos e eletrônicos. “São incipientes as campanhas governamentais de sensibilização e o currículo escolar não abrange de forma expressiva o assunto. A conscientização só será possível e alcançará objetivos quando discutirmos este tema nas escolas. Esse é o desafio central”, observa Aguiar.

Legislação

Em relação à legislação específica, o professor lembra que, em 2010, foi finalmente promulgada a Lei nº 12.305, constituindo a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) – e um dos avanços foi a inclusão da chamada logística reversa. O instrumento prevê que as empresas, indústrias e fábricas sejam responsáveis pela coleta dos resíduos sólidos para reaproveitarem em seus ciclos produtivos ou darem o correto destino ambiental. “A prática constante da logística reversa é uma das alternativas mais dinâmicas para o gerenciamento de resíduos (sejam eles eletrônicos ou não), desde que fomente a tríade da sustentabilidade (economia, sociedade e meio ambiente)”, destaca o professor.

Aguiar enfatiza ainda que é imprescindível que os formuladores de políticas públicas se empenhem para introduzir uma legislação que apoie os esforços de reciclagem de todos os participantes na cadeia do lixo eletrônico, incluindo os consumidores e a sociedade civil. Ele também acredita na discussão coordenada envolvendo fabricantes, importadores, distribuidores e coletores de resíduos e empresas de reciclagem. “Para fazer o descarte correto, o primeiro passo é fazer a coleta seletiva em casa e procurar locais que recebam lixo eletrônico”, explica.

Dez mandamentos

O professor Aguiar apresentou aos universitários os dez mandamentos do usuário “verde” da tecnologia, propostos por especialistas da Universidade de Brasília (UnB), em conjunto com uma empresa de eletrônicos e o Ibama:

  1. Pesquise se o fabricante do seu produto possui preocupações ambientais.

  2. Prolongue: aprenda a evitar trocas constantes, prolongue ao máximo a vida útil do produto.

  3. Doe para alguém que vá usá-lo e, assim, prolongar a sua vida útil.

  4. Recicle: procure postos e organizações de coleta e reciclagem.

  5. Substitua: escolha produtos que consomem menos energia, trocando aparelhos individuais pelos multifuncionais.

  6. Informe-se: que tal passar a consumir responsavelmente, descobrindo os efeitos que seus bens causam ao meio ambiente?

  7. Opte pelo original: produtos pirateados não adotam políticas de preservação ambiental.

  8. Pague: os produtos denominados “verdes” podem ser mais caros, mas tem a certificação da responsabilidade ambiental.

  9. Economize energia: opte pelo produto que consome menos energia.

  10. Mobilize: divulgue e repasse informações sobre a coleta adequada de resíduos eletrônicos. A informação é a nossa maior arma a favor do meio ambiente.