Como eliminar os paradigmas criados pelo varejo e crescer profissionalmente

Por Patricia Cotti e Arnaldo Mello*

 

O varejo é um dos setores que mais contrata no Brasil. Apesar disso, muitas pessoas ainda não o consideram um segmento para fazer carreira, encarando-o apenas como o seu primeiro emprego. E isso é algo que o setor deve trabalhar, e muito, para eliminar.

Talvez por isso, algumas pessoas digam “eu sou só o vendedor, não preciso saber sobre este assunto”. E, embora o varejo seja visto como o segmento cuja mão de obra é menos qualificada, engana-se quem pensa assim. Mesmo sendo “apenas” um vendedor é possível, sim, atingir cargos altos dentro de grandes organizações. Basta se qualificar, não ter medo de se arriscar e tentar fazer as coisas de outra maneira.

Existe muito espaço para trabalhar e melhorar dentro do varejo e se você nunca parou para pensar, o uso da matemática é fundamental até mesmo para os cargos mais simples. Sim, a matemática. Sem ela as principais funções do universo varejista são completamente impossibilitadas.

Talvez, em razão disso, o termo matemática financeira assombre tanto as áreas operacionais do segmento. Realmente, ela não é o assunto mais fácil de todos e, por já ser cercada de certo estigma, há quem nem tente saber mais sobre o assunto. E ter tal receio de se aprofundar pode ser prejudicial não só para o desenvolvimento profissional como também para impedir a visão do todo no que se refere às atividades. Afinal, sem conhecer matemática não é possível questionar os valores estabelecidos, eles são simplesmente replicados e ponto.

Para quem não sabe, a matemática financeira consiste em uma ferramenta útil para a análise de algumas alternativas de investimentos ou financiamentos de bens de consumo. Ela emprega procedimentos que, por exemplo, ajudam a simplificar a operação financeira do fluxo de caixa. E, no caso do varejo, que tem na questão dos juros uma das suas maiores dificuldades, não compreendê-la e/ou usá-la pode graves problemas.

Um setor que busca seu amadurecimento, como o varejo, não pode deixar que problemas como este  se torne maior devido à imagem de algo “impossível” de ser entendido, o que não se condiz com a realidade.

O segmento varejista é uma atividade milenar, com vários paradigmas construídos ao seu respeito ao logo dos tempos. Para que atinja o mesmo patamar de indústrias renomadas, será preciso acabar com fantasmas que assombram – como o caso da matemática financeira. Só assim, o varejo, sobretudo o brasileiro, será capaz de atingir o patamar que tanto deseja.

 

*Patricia Cotti é diretora de conteúdo da Academia de Varejo e Arnaldo Mello é colaborador da Academia de Varejo