Festival de Cultura Criativa em Joinville

Contar histórias, transmitir ideias por meio de produtos e marcas, conectar consumidores em torno de um mesmo conceito, valorizar o potencial humano e apostar no caráter autoral. Em sua 11ª edição, o (IN)Consciente coletivo abre mais uma janela de visibilidade e de conexão entre marcas, autores, criadores e público catarinenses, com atividades nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, em Joinville e se consolida como um Festival da Cultura Criativa, uma das principais vitrines para a economia criativa em SC.

– Quando a gente fala em economia criativa, estamos falando de uma série de elos, e não só da ponta. Tem muita gente envolvida, além dos expositores, esta iniciativa envolve fornecedores de vários segmentos então o Festival gera movimento durante o ano todo. O INC é uma ferramenta de contato e conexão também para novas parcerias, conectando as pessoas não só para vender durante uma de suas edições, mas pensando em movimentar outros cenários, fora do festival em si – pontua a designer Sarah Pinnow, uma das idealizadoras do (IN)C.

Em 2016, um mapeamento nacional publicado pela Firjan revelou que, no período de um ano, a economia criativa havia gerado mais de R$ 155 bilhões em riqueza no Brasil, cifra acompanhada pela expansão das empresas e dos empregos ligados à criatividade individual, assim como da média salarial dos profissionais criativos. Além disso, a pesquisa destacou a economia criativa como um dos poucos recortes do mercado que apresentou crescimento mesmo durante a recente recessão econômica atravessada pelo país.

Segundo o mesmo levantamento, em Santa Catarina os chamados empregos criativos já representam 2,1% da força de trabalho formal no Estado. Essas estatísticas refletem um cenário que o INConsciente Coletivo – Festival da Cultura Criativa já vinha acompanhando em suas edições, ao longo de cinco anos: o crescimento da demanda por espaços de visibilidade para a cultura criativa, cujo fôlego expressivo vem demonstrando o potencial de criadores e novos pequenos empreendedores no Estado.

Um dos exemplos disso é Andrea Bartossewiez, que em 2005 decidiu inverter as atividades de hobby e trabalho, transformando o primeiro no segundo.

– Saí da empresa em que eu estava, no mercado tradicional, e decidi investir mais seriamente em algo que antes eu levava como hobby, que eram os bordados, as tapeçarias. Nisso acabei encontrando a moda e me especializei em bolsas, sempre sentindo a necessidade de fazer algo novo, buscando exclusividade e também agregando outros profissionais criativos ao meu trabalho, por exemplo com parcerias com outros expositores do próprio (IN)C. – conta Andrea, que nesta edição também integra a comissão organizadora do Festival.

Outro aspecto que tem estimulado o desenvolvimento da economia criativa é a possibilidade de que cada vez mais pessoas possam desempenhar atividades profissionais com as quais se identifiquem, rompendo com modelos e relações excessivamente baseados em cumprimento de obrigações, hierarquia severa e muitas vezes permeados pela insatisfação. Entre os expositores do 11º (IN)C, são vários os criadores que decidiram empreender na busca por rotinas mais flexíveis, destacando-se também a necessidade de transmitir valores pessoais por meio de suas criações.

Exemplos disso são a Afeto Fraldas Modernas, que surgiu da necessidade da designer Mônica de passar mais tempo em casa com a filha recém-nascida, aliando ainda a busca pela redução de custos e do impacto ambiental das fraldas descartáveis, e a Lohas, loja de cosméticos veganos e orgânicos que é fruto da busca dos sócios por produtos mais éticos e naturais.