Gartner alerta para os dez principais erros em projetos empresariais de Blockchain

Executivos de TI podem evitar falhas desnecessárias ao reconhecerem dificuldades comuns

 

O Gartner, Inc., líder mundial em pesquisa e aconselhamento imparcial em tecnologia, alerta que executivos de TI devem estar atentos aos erros comuns que levam a problemas e falhas em projetos empresariais de Blockchain. As empresas já começaram e experimentar a tecnologia Blockchain para uma ampla gama de usos, como remessas financeiras, sistemas de credencial acadêmicos, sistemas de título de terra e rastreamento da origem de produtos. Mas, parte do problema é que a maioria dos projetos empresariais de Blockchain não requer de fato a tecnologia. Analistas do Gartner estimam que 90% dos projetos de Blockchain empresariais lançados em 2015 irão falhar entre 18 a 24 meses.

“A geração atual de plataformas com tecnologia tem limitações significativas em múltiplas áreas, que resultarão na falha em alcançar os requerimentos estabelecidos na visão de longo prazo”, diz Ray Valdes, Vice-Presidente e Fellow do Gartner. Blockchain é dos temas mais quentes do momento e, por isso, será debatido em detalhes no Symposium/ITxpo 2017, maior evento de tecnologia do mundo e que terá sua edição no Brasil de 23 a 26 de, no Sheraton São Paulo WTC Hotel.

“Muitas empresas ainda estão seguindo a tendência do Blockchain e, para a maioria, decepção será a próxima fase”, alerta o analista. Se as empresas tiverem uma ampla visão do tema, certamente acertarão em seus projetos que utilizam a tecnologia Blockchain. Analistas do Gartner apresentarão no Symposium/ITxpo 2017 pesquisas exclusivas sobre Blockchain e os dez principais erros no uso:

 

  1. Não entender ou ignorar o propósito da tecnologia Blockchain – Para um projeto utilizar Blockchain de forma efetiva, ele deve adicionar confiança a um ambiente não confiável e explorar um mecanismo de registros distribuídos. A implementação de Blockchain privado flexibiliza as condições de segurança em favor de um sistema de gerenciamento de identidade centralizado e mecanismo de consenso que previne as premissas de não confiabilidade. Para corrigir isso, empresas devem criar um modelo de confiança de um sistema completo para identificar áreas de confiança e de não confiança, aplicando Blockchain apenas nas partes não confiáveis.

 

  1. Assumir que a tecnologia atual está pronta para uso em produção – Apesar de um mercado de mais de 50 diferentes plataformas com tecnologia Blockchain, apenas o Bitcoin e a plataforma Ethereum estão testados “em escala”. Porém, integradores terceirizados de sistema e diversas startups estão vendendo a tecnologia como madura. CIOs precisam assumir que a maior parte das plataformas Blockchain estarão imaturas por 24 meses e continuar com experimentos e provas de conceito, especialmente no contexto de Open Source (fonte aberta).

 

  1. Confundir a tecnologia Blockchain do futuro com a geração atual – A plataforma com tecnologia Blockchain atual é limitada em escopo e não atinge os requerimentos de uma plataforma de distribuição de escala global que pode permitir a economia programável. Enquanto esse é o plano de longo prazo para a tecnologia, CIOs devem se assegurar de que sua linha do tempo de uso de Blockchain se relaciona com a evolução das capacidades funcionais do Blockchain, assim como sua maturidade legal, regulatória e contábil.

 

  1. Confundir um protocolo de nível fundamental limitado com uma solução de negócio completa – Enquanto o termo Blockchain é frequentemente utilizado junto com soluções inovadoras em indústrias como gerenciamento de supply chain ou sistemas de informação médica, o que está atualmente disponível no mercado nem sempre corresponde ao que é exagerado nas notícias. Dado como o Blockchain é tratado, líderes de TI podem pensar que a tecnologia de nível fundamental oferecida atualmente é essencialmente uma solução completa de aplicação. De modo prático, porém, o Blockchain ainda tem muito a evoluir até ser capaz de atender a todas as tecnologias potenciais. Quando considerarem um projeto de Blockchain amplo e ambicioso, os CIOs devem analisar a parte do Blockchain em si como menos de 5% do esforço total de desenvolvimento do projeto.

 

  1. Ver o Blockchain meramente como um mecanismo de armazenamento ou banco de dados – Alguns líderes de TI confundem “registros distribuídos” com um mecanismo de persistência de dados ou um sistema de gerenciamento de banco de dados distribuído. Atualmente, o Blockchain implementa um registro sequencial, append-only de eventos significativos. Ele oferece possibilidades limitadas de gerenciamento de dados em troca de um serviço descentralizado para evitar confiar apenas em uma única organização central. CIOs devem estar atentos e ponderar as vantagens e desvantagens para garantirem que o Blockchain é uma boa solução empresarial em sua forma atual.

 

  1. Assumir interoperabilidade entre plataformas que ainda não existem – A maior parte das tecnologias Blockchain ainda está em estágio de desenvolvimento e não tem roteiros específicos de tecnologia (ou negócios). Fundamentalmente, carteiras não têm fungibilidade nativa e os registros em si não têm capacidades inerentes de integração. De modo crítico, padrões de Blockchain ainda não existem. Isso significa que, além de assumir interoperabilidade potencial no nível mais básico, CIOs precisam olhar para quaisquer discussões de vendedores sobre interoperabilidade com ceticismo. Apesar de existirem vários fornecedores competindo, a tecnologia ainda não amadureceu até um ponto em que a interoperabilidade pode ser assegurada. Analistas mostrarão no Simpósio que não se deve esperar que plataformas Blockchain de 2016 interoperem com plataformas Blockchain de um fornecedor diferente daqui a um ano.

 

  1. Assumir que as plataformas líderes atuais continuarão dominantes (ou mesmo existentes) – Com mais de 50 opções em plataformas com tecnologia Blockchain e outras dúzias no horizonte, CIOs não devem assumir que a tecnologia selecionada para um projeto neste ano oferecerá longevidade. Assim como com plataformas sociais, móveis e de e-commerce do passado, é possível que a tecnologia mais efetiva ainda nem tenha sido criada. CIOs precisam ver as opções de Blockchain de 2016 e do início de 2017 como provisórias ou opções de curto prazo e planejar seus projetos de acordo.

 

  1. Assumir que tecnologias de Smart Contract são um problema resolvido – Smart Contracts, protocolos de computador que facilitarão e reforçarão contratos, são o que permitirá a economia programável. Apesar disso, em um nível técnico, os smart contracts ainda não possuem escalabilidade, auditoria, gerenciamento e verificação. Além disso, não há um modo de trabalho legal atualmente em existência – localmente ou globalmente – para sua aplicação. Eles evoluirão nos próximos três a cinco anos, mas os CIOs precisam ser cuidadosos ao desenvolverem Smart Contracts com as ofertas atuais de Blockchain e buscarem apoio legal em seu uso.

 

 

  1. Ignorar questões de financiamento e governança para uma rede distribuída peer-to-peer – A hipótese é que plataformas Blockchain custarão menos do que o sistema atual de múltiplos sistemas redundantes, processos e dados interoperando entre si. Porém, o custo de tecnologias Blockchain será significativo – ainda maior se o legado atual não for aposentado – e quem pagará quando várias partes estiverem participando ainda é uma pergunta sem resposta. Além disso, conforme o sistema cresce em escala, também aumenta o custo. Sistemas que envolvem múltiplas partes requerem novas abordagens para governança, segurança e economia que levantam questões técnicas, políticas, societárias e organizacionais.

 

  1. Falha em incorporar um processo de aprendizado – Empresas devem tratar projetos Blockchain com uma abordagem prática. O momento atual é fundamental para estabelecer conceitos por meio de teste e aprendizado. As lições aprendidas da experimentação com plataformas, novos modelos de negócios, processos e produtos serão úteis para a futura implementação como parte de uma transformação digital de larga escala. Até mesmo se projetos forem terceirizados, o departamento de TI precisa trabalhar próximo ao fornecedor para aprender habilidades e conceitos como computação peer-to-peer Computing, Smart Contracts, mecanismos de consenso, gestão de identidade, governança e outros que serão essenciais em projetos futuros. CIOs devem assegurar que o conhecimento é desenvolvido e distribuído pela empresa e reconhecer que conhecimento pode ser o único valor gerado por um projeto Blockchain de 2016 e do começo de 2017.

O Gartner Symposium/ITxpo 2017 oferece aos executivos com poder de decisão uma visão estratégica das tendências em evolução e sobre como explorar novas formas de pensar, impulsionar mudanças e desenvolver-se como líder. O Gartner Symposium/ITxpo é o mais importante encontro de tecnologia do mundo. O evento traz conteúdo independente e objetivo com a autoridade do líder mundial em pesquisa e aconselhamento sobre tecnologia e fornece acesso às mais recentes soluções dos principais fornecedores de tecnologia. O Symposium/ITxpo é um componente essencial para os participantes que desejam obter recomendações sobre como suas empresas podem utilizar a tecnologia para atender aos desafios dos negócios e aprimorar sua eficiência operacional.

Até o dia 15 de setembro, as inscrições estão com desconto de R$ 650,00. Há preços diferenciados para profissionais do setor público e descontos para grupos. Interessados devem contatar o Gartner pelo e-mail brasil.inscricoes@gartner.com, pelos telefones 0800-7741440 e (011) 5632-3109 ou pelo site: gartner.com/br/symposium.