HCor Neuro utiliza equipamento de última geração para tratamento de tremor

É comum tremer em situações peculiares da vida como um dia muito frio, em momentos de cansaço muscular, nervosismo, em um episódio de febre, entre outros. Agora, imagine manifestar um tremor constantemente, sempre que precisar utilizar as mãos, por exemplo. Essa é uma situação mais comum do que se imagina e pode configurar um problema que acomete 5% da população brasileira, chamado de tremor essencial.

O tremor essencial é uma disfunção neurológica crônica que pode piorar lentamente com o tempo e se tornar incapacitante. Os sintomas geram dificuldades motoras e problemas sociais, uma vez que o paciente parece estar sempre ansioso e inseguro. O paciente não apresenta nenhum outro problema neurológico além do tremor, e a doença não tem nada a ver, de modo geral, com a doença de Parkinson. A causa é, em grande parte, genética, sendo que até metade dos pacientes apresentam história familiar positiva para o mesmo problema.

De acordo com o Dr. Antonio De Salles, neurocirurgião do HCor (Hospital do Coração), o uso do Gamma Knife para o tratamento de doenças neurológicas, como o tremor essencial, é pouco conhecido pelo público. Porém o HCor (Hospital do Coração) dispõe desta tecnologia inovadora desde 2014, e, desde então, realiza procedimentos para as diversas doenças neurológicas. “Esse procedimento devolve ao paciente a capacidade de trabalhar, assinar o próprio nome em uma folha de cheque, vestir-se sem a ajuda dos familiares, utilizar copos e talheres sem derrubar os alimentos na mesa, além de ter uma melhora na qualidade de vida”, aponta Dr. De Salles.

A radiação emitida pelo Gamma Knife, direcionada unicamente na le­são, também poupa áreas normais do cérebro de doses significativas de radia­ção, evitando ocasionar sequelas. Tama­nha tecnologia possibilita o tratamento de regiões extremamente delicadas do cérebro.

Um detalhe curioso sobre o tremor essencial é que o paciente tende a melhorar com o consumo de doses leves a moderadas de álcool – isso ajuda no diagnóstico -, mas não é, de forma alguma, recomendado como tratamento.Segundo a neurocirurgiã do HCor, Dra. Alessandra Gorgulho, o tratamento é feito com medicamentos e visa apenas o controle dos sintomas, uma vez que o problema é genético.

“Alguns pacientes com sintomas leves preferem ficar sem medicamento e convivem bem com os sintomas. Porém, os mais graves podem necessitar de procedimentos cirúrgicos para manter sua qualidade de vida. É uma condição hereditária e o tratamento deve ser personalizado à necessidade de cada um”, esclarece o neurocirurgiã do HCor.

Por ser hereditário, várias causas estão relacionadas ao tremor essencial como doenças da tireoide, diabetes, esclerose múltipla, traumas de crânio, entre outros. O tremor essencial é um dos tipos em que não é possível tratar diretamente a causa, pois ele é de família e progride com o tempo. Este tipo de tremor pode surgir na juventude e incapacita de tal forma o paciente que ele acaba buscando tratamento cirúrgico, que vão desde a radiofrequência, implante de marca-passo cerebral até tratamento por meio do Gamma Knife.

Tecnologia de ponta para tratamentos de doenças neurológicas: além das opções medicamentosas, existem os tratamentos cirúrgicos, que atuam diretamente nas estruturas do cérebro que causam os tremores. As opções cirúrgicas são três: técnica mais antiga e tradicional chamada radiofrequência – que emite ondas de rádio diretamente no ponto que controla os movimentos afetados -, para realizar os tratamentos, além do implante de marca-passo cerebral e o tratamento por meio do Gamma Knife.

Na radiofrequência, o paciente é anestesiado para que se faça uma abertura de três milímetros no crânio, onde se passa um eletrodo que permite estimular o cérebro – além de fazer uma desconexão do nervo -, emitindo calor.

Já o implante de marca-passo geralmente é usado quando o tremor é bilateral (mão direita e esquerda) tremem. Para implantar o marca-passo, o paciente é submetido a uma cirurgia onde eletrodos são colocados no cérebro e ligados ao marca-passo (que fica sob a pele na altura da clavícula). Eles são ligados por um fio, também sob a pele. “Esse conjunto irá realizar a estimulação elétrica profunda cerebral, que irá interferir nos sinais que causam os sintomas dos tremores essenciais. Com a melhora dos sintomas, poderá diminuir os tremores dos pacientes, e ele poderá suspender as medicações e, assim, ficar livre dos efeitos colaterais e ter melhora na qualidade de vida”, explica Dr. De Salles.

Por fim, há o tratamento por meio do Gamma Knife – aparelho de radiocirurgia não invasivo, sem o uso de bisturi -, sendo utilizado no tratamento de diversas doenças no cérebro. “Este equipamento permite uma radiação precisa no foco do tremor, sem a necessidade de anestesia ou incisão, e com um funcionamento progressivo de longo prazo (o tempo de tratamento é em torno de uma hora), e em seis meses é controlado o tremor. O paciente que passa por este tratamento recebe alta no mesmo dia. Este tratamento tem apoio do Ministério da Saúde, por meio de recursos do PROADI (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde)”, comenta o neurocirurgião do HCor.

O tremor essencial: o tremor essencial é uma doença hereditária que pode afetar a família, e que progride com a idade. Muitas vezes o tremor essencial inicia-se na infância. “As vezes a criança até consegue segurar lápis e caneta, mas de uma forma muito forte, o que pode atrapalhar a sua rotina escolar. Na idade adulta, o tremor já progrediu a ponto de muitas vezes não permitir que o paciente assine o seu próprio cheque, bem como se vestir e alimentar-se sozinho. Para ajudá-los, existem medicações que os auxiliam por um tempo, mas quando o tremor persiste, é necessário os procedimentos cirúrgicos”, diz.

O tremor essencial é difícil por ser de ação, ou seja, surge quando o paciente vai fazer alguma coisa como por exemplo, beber água, ir aos restaurantes, assinar uma folha de cheque, entre outros. “Uma das consequências do tremor essencial, são os problemas sociais que ele causa, pois o paciente fica com medo de convier com as pessoas. A segunda consequência é a dificuldade de cuidar de si mesmo, trabalhar e realizar as suas atividades diárias”, finaliza o neurocirurgião do HCor Neuro.

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