Unidos em Câmara Técnica, empresários do Oeste do PR projetam novas oportunidades de negócios

O desafio é aumentar a competitividade de pequenas indústrias locais de máquinas e equipamentos para o agronegócio

Com cerca de oito meses desde a criação do grupo, integrantes da Câmara Técnica (CT) de Material de Transporte e Equipamentos para o Agronegócio, do Programa Oeste em Desenvolvimento (POD), já colhem resultados e projetam novos negócios e desafios. A CT – que foi lançada durante um dos maiores eventos do agronegócio do Brasil, o Show Rural, em fevereiro deste ano – conta, hoje, com pouco mais de 30 empresas do segmento.

Segundo o consultor do Sebrae/PR, Emerson Durso, o grupo foi criado com a missão de tornar o oeste do Paraná um polo metalomecânico do agronegócio até 2025. “Uma meta ousada, mas que têm sido a grande força dessas indústrias da região que, mesmo de pequeno porte, concorrem com grandes multinacionais. Envolvidos na Câmara Técnica, somam forças, criam novas parcerias, investem em inovação e geram o desenvolvimento”, explica o consultor.

A fase atual é de engajamento de ações práticas, de acordo com o coordenador da CT, o empresário Dhione de Oliveira, de Palotina. “Iniciamos ações específicas de melhoria para o segmento na região. O entrosamento tem sido tão grande que até conseguimos gerar negócios entre as empresas”, destaca.

Uma das metas de melhoria ao setor é a aproximação das empresas com as universidades. “Em setembro, por exemplo, participamos de algumas ações na Femai (Feira de Máquinas, Automação e Indústria) em Toledo. Dentre elas, estivemos com núcleos de inovação de várias Instituições de Ensino Superior (IES) do Paraná, pensando em resoluções de como efetivar, de fato, a parceria empresa-universidade”, comenta Ernesto Bradacz, outro integrante da CT.

O encontro foi possibilitado por meio do Sistema Regional de Inovação (SRI), também criado dentro do POD para promover ações de desenvolvimento territorial. “As universidades podem contribuir com pesquisas e ensaios de materiais que teríamos que buscar fora. Sem contar o alto custo, também seria inviável para uma pequena empresa buscar sozinha pela inovação. Em contrapartida, as empresas inserem os estudantes no mercado e cumprem uma demanda industrial real”, contextualiza Bradacz.

Em setembro, o grupo também participou de palestra sobre as leis trabalhistas. “Os palestrantes ilustraram tanto o que mudou quanto alguns de nossos direitos enquanto empresários. Tenho percebido que essas ações coletivas renovam nosso ‘ciclo vicioso’ da rotina de trabalho. Sair da empresa e pensar como grupo, interagir, nos desperta novos caminhos”, relata Sirlei Valente, empresária de Cascavel que integra a CT.

Mesmo em pouco tempo os resultados da integração das pequenas empresas na CT já apareceram. “Estamos em busca de desenvolvimento do grupo, entretanto, as parcerias começam a aparecer entre os integrantes. Nossa empresa, por exemplo, já efetivou negócios com quatro outras participantes da CT. Nisso, também buscamos um modelo para desenvolver produtos em conjunto”, enfatiza Ernesto Bradacz.

Resultados

Gerente regional do Sebrae/PR no oeste, Orestes Hotz, reforça a importância da CT no desenvolvimento da região. “Além de fazer parte do setor do agronegócio, onde, no oeste, trabalhamos as cadeias produtivas de grãos e de proteína animal (leite, aves, suínos e peixes), esse grupo integra também a cadeia produtiva do setor metalomecânico com excelente perspectiva de crescimento. O estudo econômico do território apresentou que esse setor se constitui em uma cadeia propulsiva de grande importância na região. Isso mostra que o Oeste do Paraná é destaque tanto na produção primária, como de grãos, e na transformação em proteína animal, quanto na indústria de transporte, máquinas e equipamentos. A CT pretende ampliar a força do segmento”, ressalta.

Hotz afirma, ainda, que há um movimento cíclico, no qual as Câmaras Técnicas do Programa Oeste em Desenvolvimento tendem a interagir umas com as outras a fim de impulsionar a região em vários setores. “Com o segmento metalomecânico regional qualificado e forte, as cadeias do agronegócio terão tecnologia e inovação em máquinas e equipamento para aplicar em seus processos produtivos. Isso tudo dentro de um mesmo território, promovendo a economia regional”, pondera.

Perspectivas

Até o final do ano, o grupo tem agendadas, além das reuniões ordinárias e encontros dos Grupos de Trabalho (GTs) de Inovação, Gestão, Mercado e Produção, atividades de melhoria de processos, como um workshop sobre o Modelo de Excelência em Gestão (MEG), da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), que acontecerá nos dias 30 e 31 de outubro. “O MEG avalia como as empresas estão em relação aos processos de gestão, o que contribui para implantar ações específicas de melhoria de qualidade ao grupo”, salienta Emerson Durso.

Ainda neste mês, complementa o consultor do Sebrae/PR, a CT de Material de Transporte e Equipamentos para o Agronegócio vai oportunizar uma missão técnica aos integrantes. “O objetivo é levá-los, no dia 27 de outubro, à 12ª Feira Metalmecânica e Instituto Senai de Tecnologia em Metalmecânica em Maringá e, além disso, conhecer o Instituto. Todas as ações buscam tornar as empresas mais competitivas e sustentáveis com posturas inovadoras”, assinala Durso.

Além disso, há intenção de criar um selo de qualidade ao segmento, como forma de diferenciação dos produtos e serviços das empresas participantes. “O grupo está em uma sintonia bem interessante, seja de fomento aos negócios, seja em melhorar a qualidade e inovação ou ampliar a atuação no mercado. Estamos conseguindo enxergar a região como potencial. Uma das metas, por exemplo, é nos aproximar das cooperativas daqui, formando novos clientes”, aponta Dhione de Oliveira.