O “caminho das pedras” para os estudantes que desejam cursar a graduação no exterio

Fazer faculdade no exterior é uma aspiração antiga de muitos estudantes brasileiros e está se tornando também um sonho dos pais. Eles acreditam que estudar fora do país é uma alternativa para que as crianças sejam bem sucedidas no futuro. Muitos já estão procurando as escolas bilíngues, com a expectativa de assegurar para os filhos uma vaga numa universidade fora do país. No entanto, ainda percebemos que há muita desinformação quando o assunto é a formação bilíngue e os pré-requisitos para ingressar numa instituição de ensino no exterior.

As escolas bilíngues brasileiras oferecem uma complementação pedagógica, ou seja, um currículo que contempla conteúdos que são ministrados nas universidades americanas, como a literatura inglesa, por exemplo. Contudo, no final da formação, os alunos da escola bilíngue não recebem um diploma com reconhecimento internacional, com validade no Brasil e no exterior, e tampouco têm uma vaga garantida numa instituição de ensino fora do país.

Para carimbar o passaporte de entrada em uma universidade americana, ou em qualquer outro lugar do mundo, o caminho é um só: apresentar o certificado do International English Language Testing System (IELTS), um exame de alta complexidade, que comprova formação avançada na língua inglesa, além da aprovação no SAT, uma espécie de “Enem” americano. Nesse contexto, a escola bilíngue pode contribuir, mas não é fundamental para aqueles que almejam ter um diploma superior assinado por uma instituição internacional.

Os pais devem ficar atentos antes de matricular seus filhos. Muitas instituições que se autonomeiam bilíngues dispensam, por conta própria, a apresentação de certificados que validem esse ensino. Eles também devem buscar informações e não confundir termos e conceitos diferentes, como escola bilíngue, escola internacional e programa bilíngue. Em tese, escola bilíngue é aquela que engloba, necessariamente e de maneira integrada, o ensino do inglês e do português. Entretanto, as escolas bilíngues não cumprem os requisitos que classificam as escolas como “internacionais”.

As escolas internacionais são validadas pelo International Baccalaureate (IB), e trazem outros idiomas na grade – como francês e alemão – , além de seguirem os moldes europeu e americano, o que resulta em uma série de mudanças na rotina dos alunos, como a adição de um ano ao ensino médio e contra turno. Nelas, a perspectiva holística se estende a todas as disciplinas. As avaliações são provas discursivas em inglês, para todas as áreas do conhecimento. E, ao final do curso, além de apresentarem o portfólio com as atividades extracurriculares realizadas ao longo dos anos, os alunos escolhem um tema original, e com o qual tenham afinidade, para redigir e apresentar uma monografia.

Os pais que realmente desejam proporcionar para os filhos a oportunidade de fazer uma graduação fora do Brasil, devem ter mente que é necessário matriculá-los numa escola de inglês que realize uma certificação de peso, para comprovar conhecimento avançado e fluência na língua inglesa. Esse é o primeiro passo. O segundo é incentivá-los a estudar e obter notas altas, para que sejam aprovados no SAT, uma prova de conhecimentos gerais. Já os pais que almejam preparar as crianças para migrarem entre vários idiomas e lidarem com os desafios do mundo globalizado, as escolas internacionais são a melhor opção.

 

*Carla Probst é gerente dos exames de Cambridge da Cultura Inglesa de Curitiba e especialista em avaliação para crianças.