Você se alimenta como deveria?

Imagine a cena: você entra num restaurante e se depara com a farta mesa do bufê. Observa as seções separadas: saladas, pratos quentes e sobremesas. O olho “estica”, como se costuma dizer, e você parte para o ataque. Prato cheio, nem sempre obedecendo aos critérios de uma refeição saudável e, principalmente, engolindo às pressas para voltar ao trabalho.

O hábito de se alimentar fora do lar foi incorporado na rotina dos brasileiros, principalmente daqueles que trabalham dia afora e não têm tempo de voltar para casa para comer. É muito comum nas grandes cidades a variedade de restaurantes e lanchonetes que servem refeições, lanches (fast food) e petiscos. Ainda há a diversidade da culinária, outro atrativo para a população.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o brasileiro gasta cerca de 25% de sua renda com alimentação fora do lar. Já a Associação de Bares e Restaurantes (ABRASEL) estima que o setor represente 2,7% do PIB brasileiro. Outra informação relevante ainda é a de que esse setor tem crescido a uma média anual de 14,2%, conforme destaca a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA).

Comer fora, seja por necessidade ou por hábito, nem sempre é uma coisa ruim, desde que isso não provoque um desregramento alimentar, já que muitas vezes tendemos a escolher o alimento mais pelo sabor do que pelo seu valor nutricional, o que pode ser uma armadilha. De acordo com Vanessa Arantes, nutricionista do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), alimentar-se de forma incorreta pode levar à obesidade, que é o principal fator de risco para inúmeras doenças, como o câncer, diabetes e doenças cardiovasculares. “O mais preocupante é o aumento da prevalência da obesidade no Brasil, que vem aumentando num ritmo crescente nas últimas décadas”. Segundo a nutricionista, comer fora não pode se tornar um problema para a pessoa, que tem que se adequar a um determinado ritmo de vida, mas privilegiar uma boa alimentação, capaz de dar força, energia e disposição, é mais que uma necessidade, e deve, tanto quanto possível, ser incorporada à rotina.

“Uma dica para um prato saudável é dividi-los em quatro partes. Separe duas partes para a salada (composta preferencialmente por hortaliças e legumes). Uma parte para carboidratos (massas, arroz, por exemplo). A parte que restou, uma proteína, que pode ser animal (carne de boi, frango, peixe, porco ou ovos) ou vegetal (feijão, lentilha, grão-de-bico)”.

A nutricionista alerta ainda para outro tipo de armadilha ou tentação que pode surgir ao longo do dia. Passada a refeição do almoço, no meio da tarde a pessoa já começa a sentir fome. É preciso saber identificar esse tipo de fome, se é uma necessidade fisiológica ou o impulso de comer. Ela explica que “geralmente, a fome fisiológica surge de forma gradual, já a fome emocional (que é por impulso) aparece de repente. É nessa hora que é preciso ter cuidado. Fazer lanchinhos calóricos para matar a fome pode ser uma cilada e um passo para levar à obesidade. Trocar o lanchinho por uma fruta é mais nutritivo e não deixa a pessoa com a consciência pesada, o que acaba afetando-a também.”

Portanto, na cena em que você entra num restaurante e se depara com aquele farto bufê, deve pensar nas quatro partes que irão compor o seu prato antes de se deixar absorver pelo impulso de escolher aleatoriamente o que vai comer, tornando-se consciente do que está ingerindo. Além disso, desenvolver uma maior consciência sobre o modo como encara os momentos de refeição, transformando-os numa oportunidade de meditação, interiorização e relaxamento, fará toda diferença na sua saúde física e mental.