10 anos do furacão Katrina: o que podemos aprender?

Patrícia Sottoriva*

Em 29 de agosto de 2005, o furacão Katrina atingiu Nova Orleans (EUA), deixando 80% da cidade debaixo d’água, mais de 1,8 mil pessoas mortas e 500 mil desabrigadas. Após dez anos desse desastre que causou comoção mundial, ações ainda estão sendo realizadas para a reconstrução da cidade. Mais de 150 mil famílias foram ajudadas economicamente, 36 mil novas casas foram construídas e quase 3 mil famílias receberam ajuda para comprar novas residências.

A demora em reestabelecer a normalidade evidencia a importância de ter conhecimento sobre esses fenômenos e estar preparado para mitigar seus efeitos. Vivemos num momento em que os eventos naturais, de maior ou menor intensidade, estão acontecendo com mais frequência e a reconstrução é sempre uma etapa onerosa e que traz danos imensuráveis e irreversíveis, como os traumas psicológicos e a perda de vidas. 

O primeiro furacão na costa do Atlântico Sul (2004), o ciclone tropical Catarina, deixou mais de 27,5 mil desalojados, danificou quase 36 mil casas, ocasionando 11 mortes e 518 feridos. Os prejuízos foram próximos a R$ 1 bilhão. Em 2014, na cidade de Xanxerê/SC, um tornado deixou 4.275 pessoas desalojadas, 539 desabrigadas, 02 mortes e mais de 90 pessoas feridas. Os prejuízos superaram R$ 100 milhões. Em 2015, dois tornados no Sudoeste do Paraná, atingiram as cidades de Francisco Beltrão e Mariópolis, deixando 463 pessoas afetadas, 39 desalojadas, 52 desabrigadas, 33 feridas, além de 127 casas danificadas e 24 destruídas.

No Brasil, a ocupação humana densa e muitas vezes inadequada expõe a população aos riscos de desastres, que nem sempre estão associados à intensidade do evento, mas à fragilidade das edificações ou à localização inadequada destas (margens de rios, encostas). Em tempos de variações climáticas complexas, somadas ao uso inadequado do solo, as vulnerabilidades tendem a aumentar exponencialmente. 

Eventos naturais extremos não são sinônimos de desastres. Os desastres são caracterizados quando pessoas, meio ambiente e/ou equipamentos urbanos são atingidos e geram danos e prejuízos. Portanto, os desastres estão associados a ambientes vulneráveis. Quando se conhece as possíveis causas dos riscos de desastres, aumenta-se a capacidade para tomada de decisão, conferindo melhor aproveitamento dos recursos aplicados na prevenção, assim como as respostas são mais rápidas, eficazes e a recuperação mais eficiente.

No Brasil, a ONU, em parceria com o Governo Federal, estabeleceu em 2013 o Centro de Excelência para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR-CERRD)/RJ, cuja a missão é de contribuir para a construção de comunidades mais resilientes, isto é, aumentar a capacidade das cidades em absorver, resistir, e se recuperar de um desastre e, de maneira organizada, prevenir perdas de vidas e bens. 

Indo na contramão das necessidades dos municípios brasileiros, o Governo Federal anunciou para dezembro o fechamento do escritório no Brasil, alegando redução de gastos. Diferente dos países que aprendem com os desastres ocorridos e buscam reduzir os danos em eventos futuros, o Brasil continua com a política de respostas às emergências, fortalecendo atitudes reativas e assistencialistas, em vez de 
evoluir para atitudes proativas, promovendo a prevenção, preparação e mitigação dos danos.

*Patrícia Sottoriva é professora de Mestrado e Doutorado do Programa de Pós-Graduação em Gestão Ambiental da Universidade Positivo


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