ARTIGO|Ayrton Baptista|PMDB EXIBE SEU EXÉRCITO

PMDB EXIBE SEU EXÉRCITO
Ayrton Baptista
            Para quem não conhecia ou nem ideia fazia de sua extensão e importância, o PMDB aproveitou o horário eleitoral obrigatório da última semana e fez desfilar na televisão todo o seu exército. Senadores, deputados, líderes de modo geral, homens e mulheres que estão a postos para qualquer eventualidade, além, claro, nas posições de governo que já atuam, uma espécie de reprise governamental desde tempos. Coincidência: isso tudo durante uma das crises políticas mais significativas em que navegamos. E quando justamente o presidente da legenda, também vice-presidente da República, Michel Temer, faz declarações seguidas e que colocam de prontidão Dilma Rousseff e outros comandantes do PT e forças aliadas.
            A força do PMDB foi mostrada para que não achem dúvidas. A tropa está pronta, bem fardada, nas ruas se preciso for, todos os seus elementos ávidos de ocupar seus lugares ou o que entendem como seus, de preferência num futuro muito próximo. Tão próximo que os governistas de primeira linha estão a pedir audiências para os comandantes peemedebistas. Na linha de frente, Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, ainda que os dois últimos estejam sendo dados como implicados em problemas na Petrobrás, empresa orgulho brasileiro, hoje titubeando diante de denuncias inacreditáveis.
            No PMDB do Paraná, posando e falando para a posteridade, claro, o senador Roberto Requião e o deputado João Arruda, sobrinho do cacique maior, que tem mostrado capacidade de direção partidária e maestria com o mandato, perante o Governo e outros setores de atividade brasileira.
            O partido que alguns apelidaram de “velho de guerra”, mostra com a ajuda da lei eleitoral, ser capaz de preencher todos os cargos do âmbito federal, inclusive o que já se denominou “curul presidencial” e que o vice Michel Temer está pronto e até esperando vir a ocupar. O partido já tentou com Ulisses Guimarães e com Orestes Quercia. Não teve sorte. Até porque o páreo era difícil com gente em melhores condições como capitalizadores de votos. 
            O PMDB, herdeiro do MDB dos bons tempos de oposição ao regime militar, está pronto. Gente ele tem. Se Dilma não conseguir nos próximos meses equilibrar a economia e a política brasileiras com os problemas que ela própria criou, não vai procurar candidato para a disputa presidencial, seja na marca do pênalti, seja nos tempos normais de mandatos regidos pela Constituição. Tem Michel, mas tem também gente de sobra procurando um lugar no sol que, no caso, representa a principal disputa da República.
            Claro, os líderes peemedebistas não contaram isso tudo nem para Dilma, muito menos para Lula, candidato natural ao lugar que conforme Fernando Henrique Cardoso, não querer voltar pois ainda não saiu. Dilma já não pode mais concorrer ao cargo e o ex-presidente Lula, inquieto, nervoso, confiante, está aí, como o PMDB, prontinho da silva, talvez apenas sem exército. O que para muitos é uma pena.
Ayrton Baptista, jornalista.
abnoticias@abcom.com.br

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