Medicamentos para facilitar ereção e descuido sexual ajudam a aumentar casos de AIDS entre idosos

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Dados do Ministério da Saúde confirmam que o número de casos de AIDS entre a população brasileira mais idosa está crescendo. Dos cerca de 500 mil casos da doença no país, 15 mil atingem a terceira idade, sendo que em 1991 este número era de apenas 950 ocorrências. Segundo o infectologista Jaime Rocha, conselheiro da Unimed Curitiba e professor da PUC-PR, isso é consequência da melhora na qualidade de vida entre os idosos e do uso cada vez maior de medicamentos contra a disfunção erétil, que estimulam práticas sexuais. A falta do hábito de usar preservativos explica o aumento de casos neste grupo.

Analisando os números oficiais dos novos casos da doença no Brasil, Rocha alerta para o fato de que as gerações que não viveram diretamente os efeitos da AIDS nas décadas de 1980 e 90 são, hoje, as mais sujeitas aos comportamentos de risco. Um grande número de novos casos está entre os jovens com até 20 anos de idade e pessoas mais idosas. O primeiro grupo acha que basta tomar remédio para ficar bem, se contrair a doença. Já o segundo não teve a educação sexual das gerações posteriores. Ambos descuidam da proteção”, analisa.

Por isso, os jovens com idade entre 15 e 24 anos, das classes C, D e E, são o principal alvo do Ministério da Saúde para a campanha deste ano do Dia Mundial de Luta contra a AIDS, comemorado no dia 1º de dezembro. Segundo dados do UNAIDS (Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS), o número de casos da doença entre homens de 15 a 19 anos no Brasil subiu 53% entre 2013 e 2014. No mundo, uma em cada três pessoas infectadas tem entre 15 e 24 anos.

O médico Jaime Rocha destaca que todos os grupos sociais, independente da orientação sexual e idade, têm o mesmo risco de contrair a doença quando adotam comportamentos de risco. Confira a entrevista com o especialista. 

 

Ainda permanece a imagem de que homossexuais e pessoas com múltiplos parceiros são mais propensos a contrair a doença? 

A AIDS não discrimina ninguém e está presente em todos os grupos sociais: ricos e pobres, com ou sem educação básica e/ou superior, heterossexuais, homossexuais e bissexuais, homens, mulheres e transexuais. Todos estamos expostos! Quem ainda acha que o risco da doença é exclusivo desse ou daquele grupo só reforça o preconceito e abre espaço para o crescimento da doença.

 

O descuido sexual tem feito a doença voltar a crescer no Brasil. Isso tem sido bem perceptível nos últimos anos? 

Sim.Há um número alarmante de novos casos, especialmente em grupos de pessoas novas, na faixa de 15 a 19 anos de idade, que não viram os efeitos da AIDS nos anos 1980 e 90 e acham que, se contrair a doença, é só tomar remédio para ficar bem, e entre as pessoas mais idosas, que não tiveram a educação sexual das gerações posteriores e estão com uma atividade sexual mais ativa e menos protegida, graças aos medicamentos que facilitam a ereção.

 

Em relação às doenças sexualmente transmissíveis, em geral, quais as orientações para se prevenir? 

O mais importante é ter uma seleção adequada do número de parceiros sexuais. Parece uma orientação óbvia, mas é necessário ter esse controle. Quando há um parceiro estável, ambos devem fazer o teste de HIV, para sua própria tranquilidade. Uma pessoa pode ser portadora do vírus por anos e não apresentar qualquer sintoma. Sem conhecer sua condição de portadora, pode infectar outras pessoas sem saber. Hoje, o teste pode ser feito pela saliva, oferecido em todas as unidades básicas de saúde, ou pelo sangue. Sobre o exame de sangue, é preciso enfatizar que a pessoa não deve doar sangue só para saber se é ou não portadora do HIV. São frequentes os casos de pessoas buscarem hemocentros para fazer o exame “de graça” na doação. Isso não é aconselhável e pode colocar a vida de alguém em risco. Os exames existem de graça nas unidades de saúde.

 

Sobre o diagnóstico precoce e o tratamento, quais as novidades? 

A gente costuma dizer que, hoje,só morre de AIDS quem quer. Nos últimos 15 anos, o número de mortes caiu 41%, segundo o UNAIDS. Quando o diagnóstico é precoce, há ótimas opções de tratamento. Hoje, temos excelentes respostas com apenas um comprimido por dia. A pessoa com HIV positivo tem sobrevida normal, vai morrer com o vírus, mas não por ele. Mas a questão muda de figura se o diagnóstico é feito tardiamente. Por isso, a importância não só de se prevenir, como de fazer o teste se houver a mínima dúvida.

 

Sobre as formas de transmissão, quais as mais comuns? 

Primordialmente, pela via sexual, por transfusões de sangue e materiais contaminados. A mãe pode transmitir para o bebê em três ocasiões: durante a gravidez, na hora do parto e durante o aleitamento. Fora isso, não é preciso restrições na vida cotidiana: alimentos e objetos podem ser compartilhados com soropositivos, banheiros públicos podem ser utilizados sem medo, e assim por diante.

 

E sobre as perspectivas de cura da AIDS? 

É importante frisar que há estudos que propõem a cura para a doença num futuro não definido, mas que estão avançando. Da mesma forma, já existem vacinas em fase avançada, mas ainda sem eficácia comercial.Em relação aos chamados parceiros discordantes, quando um deles é HIV positivo e outro não, a orientação é procurar medidas que não sejam o uso de remédios de prevenção. Nesses casos, o ideal é sempre discutir a melhor solução com o seu médico.

1 comment

  1. Jaderson arias de souza 1 dezembro, 2015 at 10:03

    pesquisei no youtube,com sobre imonologia e aids e achei um video ilustrativo desenvolvido por um professor que fala sobre o assunto ele diz que nosso organismo tem um mecanismo de defesa que se chama macrófagos que conseguem eliminar o vírus da corrente sanguínea depois lendo mais sobre imunologia e como ativar os macrófagos que ate então estão estáticos nas pessoas que portam o vírus descobri que existem probióticos que ativam esses macrófagos para que eles então eliminem o vírus do organismo o vídeo esta no youtube já faz tempo vale a pena dar uma olhada

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