Momento exige reflexões jurídicas bioéticas quanto à “fabricação” de crianças

0
10

O discurso politicamente correto contemporâneo não fala mais em família, mas em novas socialidades. E os legisladores se veem diante do desafio de estabelecer normas para a procriação artificial, para os filhos gerados por meio de barriga de aluguel, para a homoparentalidade.

“Trata-se de um movimento coletivo inédito, em que é preciso indagar qual será o interesse geral da sociedade humana em instituir uma nova norma sobre filiação e parentesco que atingirá a todos, fundada na indiferença sexual e de gerações. Existe um novo direito a ter ou a fabricar crianças?”, pergunta a jurista e psicanalista Silvane Maria Marchesini, doutora em Psicologia pela Université Nice Sophia Antipolis.

Para a pesquisadora, palestrante do Fórum de Sustentabilidade do TRT-PR que acontece nesta semana em Curitiba, é necessário fazer essas “reflexões jurídicas bioéticas nesses novos tempos em que a medicalização dos corpos se impõe sobre o nascer, o viver e o morrer”.

“A fabricação do homem não é somente genética, ela é também ética, em um processo que depende de um arranjo que inscreve os traços de memória, enlaçando coisa, imagem, som e palavra”, afirma a psicanalista, para quem o Direito, hoje, parece estar “mais ao serviço do liberalismo que ao serviço dos interditos fundamentais de humanização”.

Durante o III Fórum de Sustentabilidade – Cidadania e Justiça, Silvane Maria Marchesini fez o lançamento do livro “O direito a ter crianças fora da sexualidade”.

imprensa@trt9.jus.br

unnamed

Psicanalista Silvane Maria Marchesini

 

Outra palestrante do segundo dia do III Fórum de Sustentabilidade foi a médica Graziele Moraes Losso, diretora do Setor de Biologia Molecular do Laboratóro Mantis e pesquisadora da Universidade Federal do Paraná, que falou sobre “Implicações genéticas: gravidez após os 35 anos de idade”.

Ela alertou que tanto a maternidade como a paternidade tardias elevam os riscos de problemas de saúde às crianças. “De cada 100 mulheres que engravidam acima dos 35 anos, uma terá filho com síndrome de down; por outro lado, um homem de 36 anos pode passar duas vezes mais mutações ao filho do que um homem de 20 anos. Já um pai de 70 anos pode passar até oito vezes mais mutações”, exemplificou.

Nenhum profissional pode impedir que alguém, em qualquer idade, tenha um filho, mas em nome da saúde desses filhos – segundo a médica – é melhor tê-los em idade mais jovem ou então por meio da congelamento dos óvulos e espermatozoides (criopreservação). A pesquisadora alertou ainda para uma característica predominante dos cânceres atuais: a maioria dos casos é desencadeada por fatores ambientais – o que comemos, o que bebemos e o estresse da vida moderna.

Confira AQUI a programação completa do III Fórum de Sustentabilidade, que está sendo transmitida ao vivo pelo canal do TRT-PR no YouTube

unnamed (1)
Médica Graziele Moraes Losso

Deixe uma resposta