ARTIGO| Ayrton Baptista | SÓ UM BREVE DESCANSO

Não mais que um fim de semana para o descanso dos políticos, se é que eles descansam. Os grandes líderes que tivemos num passado até recente, muitas vezes resolveram sérios problemas num domingo. Sem falar em feriadão, sonho de todos os militantes de alto coturno, pois a seguir tudo ficava claro, ainda que os machucados escondessem do grande público os ferimentos que lhes alcançaram. Getúlio Vargas, Carlos Lacerda, Amaral Peixoto, Juscelino Kubitschek, para citar apenas alguns, não se queixavam das tarefas sem fim, queriam era reuniões. Como exemplifica Benedito Valadares, interventor e governador de Minas Gerais: reunião é uma coisa boa, desde que o assunto já esteja resolvido.

Desde a segunda-feira voltou a esquentar o tempo em Brasília. Depois do “quorum” diminuído das manifestações pró e contra o impeachment, as penalidades que se quer impostas a Dilma Rousseff e Eduardo Cunha voltam com toda a força, até fazendo jus aos que estimam por uma dupla penalidade, riscando ambos do panorama político brasileiro. Da mesma forma, todos os militantes políticos da capital da República e de outros que por lá vivem semanalmente, não crêem que cessem as “gentilezas” e as enganações de tratamento entre a presidente e seu vice.

O PT e o PMDB, ou vice-versa, não falam a mesma língua. Não valem as promessas de novos tempos, com a união entre ambos os partidos de forma a minimizar os enormes problemas que enfrentam. Não há mais como disfarçar. PT e PMDB são companheiros desde as eleições de Lula e Dilma. Mas parecem na verdade disputantes da Fórmula Um, onde os companheiros de modo especial se tornam os piores inimigos. Assim será até o fim dos tempos. Cada um por si, se possível atrapalhando o outro.

Então, como fazer estimativas diante deste final de ano nem quanto ao início de 2016? Há no ar, inclusive, o cheiro de que melhor assim, já que não se encontram saídas para o impasse. Se não se gostou da carta de Michel Temer á Dilma Rousseff, lembra-se que o presidente do PMDB vem sofrendo boicotes generalizados dos líderes do PT, e que a própria Presidente deixou de lado seu vice em momentos em que preferiu brilhar sozinha.

Lula, líder inconteste dos aliados do Governo já não tem mais a ascendência que se mostrava até o início da atual administração. Ele está atuante, mas prefere as reuniões quase secretas, já que à luz do dia, mesmo que lhe agrade, não tem podido conduzir como gostaria os encontros e os acertos daqueles que já o apoiaram.

Estamos no fim do ano. Há muita gente querendo que este fim se estenda ao mandato de Dilma e de Cunha e já sem melhores perspectivas que se imponha o fim de quase tudo, menos da Lava Jato.

 

Ayrton Baptista, jornalista

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