OPINIÃO | A vez dos Dias | Ayrton Baptista*

O cinco de março pode marcar uma data para Alvaro Dias não mais esquecer. Nesse dia será lançado em Curitiba candidato do Partido Verde às presidência da República. Isso ocorrendo efetivamente (por que não?), abre-se um espaço extraordinário para a união também política dos irmãos Dias: Osmar pode ser o candidato ao Governo do Estado sem preocupação de um irmão para o outro. Ao contrário, poderão formar uma dobradinha acima dos partidos, se não encontrarem até uma maneira positiva de união que ambos devem ao eleitorado paranaense. Há mais de 40 anos como deputado estadual, federal, governador e senador por ato contínuo, Alvaro Dias deixa o PSDB e segue carreira política invejável, iniciada na década de 60 do século passado como vereador em Londrina. Em 1971 integrou a mais importante bancada do MDB na Assembleia Legislativa, junto com José Mugiatti, Maurício Fruet, Antonio Belinati, Nivaldo Kruguer e outros líderes do então partido de oposição duramente organizado no regime militar.

Deixando os tucanos, Alvaro Dias encerra ou dá uma folga na sua oposicionista posição diante de Lula e Dilma, e com capital suficiente para embalar uma candidatura paranaense à presidência da República. A expectativa é a de que leve para o Partido Verde gente boa de várias agremiações, capazes de ajudá-lo na caminhada que ainda precisa de roupagem forte para colocá-lo na disputa pela chefia da Nação.

Seu irmão mais jovem, Osmar Dias, dirige o PDT, brizolista, trabalhista, encontrável no Banco do Brasil, onde ocupa uma das vice-presidências, por nomeação de uma adversária do irmão, a presidente Dilma Rousseff. Como sair desta? Uma engenharia difícil, até porque Osmar está calado, talvez achando que ainda tem tempo até as eleições e definições de 2018. O que se pode adiantar, entretanto, é que os irmãos Dias têm uma chance de se entenderem politicamente, acreditando-se, inclusive e principalmente, que Alvaro tenha tomado uma decisão com vistas à natural pretensão do irmão de se tornar governador do Paraná, após duas eleições frustradas e também do exercício de 16 anos no Senado.

Por isso, o 5 de março, que Alvaro escolheu para uma nova etapa política, se torna das mais importantes. Osmar, em sendo candidato ao Palácio Iguaçu, terá seus adversários. O mesmo acontecerá com Alvaro Dias, se reafirmado candidato ao Planalto. Se Osmar vai dividir a preferência paranaense ou outros e antigos adversários, a união em torno de Alvaro será mais tranquila, embora as cores partidárias e os compromissos políticos de cada um possam levar paranaenses de outras posições políticas a ficar contra o pretendente nosso de cada dia.

Com honrosos expressivos cargos na política brasileira, Alvaro e Osmar poderão desfilar juntos em busca de posições ainda maiores no cenário brasileiro. A luta continua.

 

Ayrton Baptista, jornalista.

(abnoticias@abcom.com.br)

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