Tradição e modernidade: o limite para que as duas possam fazer parte da mesma festa

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de casamentos no Brasil está crescendo a cada ano. Os maiores índices foram registrados nas regiões Centro-Oeste e Sudeste. A idade média do noivo também mudou, passou de 27 para 30 anos, enquanto as noivas passaram de 23 para 27 anos. No entanto, independente da idade e da localização onde acontecem, as festas de casamento preservam várias tradições. No entanto, a grande maioria das noivas ficam em dúvida no que pode ou não ser feito durante o processo que envolve todo o planejamento para a festa do casamento.

Segundo a produtora de eventos e cerimonialista, Silvia Lopes, essencialmente o ritual do casamento permanece o mesmo, os elementos desse rito é que sofrem algumas alterações de acordo com a época, com os valores da sociedade e com a moda. “O casamento pertence a um universo único que mistura tradição e modernidade. Vai ter protocolo e etiqueta e, como toda relação social, também apresentará alguns conflitos. Toda a noiva quando começa a organizar o evento vai sentir isso, pois ela estará diante de um rito secular, mas também vai se deparar com inúmeras dúvidas diante da modernidade. Antigamente a nossa vida social era regida por rigorosas regras que eram bem claras e definidas, hoje em dia a flexibilidade caminha com os noivos para o altar, mas é preciso saber o limite para que a tradição e modernidade sejam convidadas para a mesma festa.”

A primeira dúvida que as noivas têm é em relação à sobrescrição dos convites. Com as composições de família que temos atualmente, como casais homossexuais com filhos, casais divorciados e pessoas que já possuem uma segunda família, é preciso ficar atento com a maneira que irá fazer o convite. A partir do momento que a lista de convidados é feita, é fundamental já ser colocada na sobrescrição correta. “Antigamente fazer um convite era algo muito rígido, deveria ser feito via calígrafo, todos os nomes por extenso e os convites deveriam ser grandes. Com o advento de internet e design gráfico, tudo mudou. Para os casamentos tradicionais a comunicação mais clássica ainda permanece, mas também são aceitas formas mais carinhosa para endereçar o convite, como “aos queridos padrinhos” ou “ao amado tio”, por exemplo. “No casamento vale muito mais a delicadeza do que a norma. Apesar das modernidades, existem algumas coisas que não mudam: não existe esposo nem senhor. Se o casal que será convidado é casado, obrigatoriamente o nome do marido aparece na frente. Mas em casos onde a mulher é a amiga mais próxima dos noivos, pode ser feita uma exceção, deixando o nome dela em primeiro lugar”, explica a cerimonialista.

Outra dúvida frequente é sobre o que deve e o que não deve ser colocado no convite. Antigamente costumava-se a escrever sobre o traje a ser usado na festa, no entanto, as nomenclaturas do vestuário para festas praticamente caíram em desuso. No Brasil é usado o passeio completo para casamentos, que compreende o traje social. A especialista ressalta que para a maioria dos casamento não é necessário explicar a roupa que deve ser utilizada na festa, a mesma regra serve para o endereço dos noivos, que não precisa mais aparecer no convite.

Pedir presentes ou valores em dinheiro também devem ser completamente evitados. Silvia lembra que presente não se pede, e sim se ganha. No entanto, existem muitos casais que oficializam o relacionamento e já possuem uma casa completa. Nessas situações, podem ser utilizadas maneiras de “maquiar” esse presente, utilizando sites que vendem cotas de viagem, por exemplo. Mas pedir dinheiro ou informar conta bancária é totalmente deselegante, uma vez que os convidados podem ter a sensação de violação ou de serem tributados por uma escolha feita pelo casal. O mesmo serve para o famoso passar a gravata. Antigamente havia uma razão: noiva fazia o enxoval, o pai do noivo dava a casa, o pai da noiva pagava a festa e era feita essa “vaquinha” durante a festa para que o dinheiro servisse para os noivos começarem a vida juntos. Agora a grande maioria dos casais paga o próprio casamento. Além do mais, o convidado também gasta para fazer parte da celebração, com roupas, presentes, deslocamento, entre outros. Em tempos de crise, principalmente, deve ser avaliado se deve passar a gravata, mas ultimamente a maioria das noivas não permite, pois consideram como um ato grosseiro para com o convidado. “Muita coisa mudou nos casamentos, mas o que deve permanecer é a essência festiva e principalmente a importância da união com amor e verdade, assim qualquer festa será repleta de alegria e emoção”, finaliza Silvia Lopes.

 

 

Este post tem um comentário

  1. Silvia uma pessoa maravilhosa alem de competente. Sabe como orientar e fazer do evento a realização de um sonho

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