Novos medicamentos para hepatite C estão disponíveis no Brasil

A hepatite C é uma doença viral transmitida, principalmente, pelo sangue contaminado com o vírus. Considerada a maior epidemia de todos os tempos, ela é conhecida como “o assassino silencioso”. Diferente dos tipo outros tipos de hepatites, A e B, boa parte dos casos de hepatite C não apresenta sintomas na fase aguda da inflamação do fígado. O paciente pode conviver durante décadas com a doença, e somente perceber que algo está errado quando os olhos começam a ficar amarelados e a barriga e as pernas incham. Estima-se que a hepatite C atinja 3 milhões de brasileiros, enquanto em todo mundo, são 200 milhões, cerca de 3% da população mundial. Anualmente 1,5 milhão de pessoas morrem devido a suas complicações. A Aids, por exemplo, tem hoje 32 milhões de infectados em todo o mundo. Dos 200 milhões de portadores, apenas 10% sabem que tem a doença. A hepatite C apresenta subtipos, que são os genótipos e variam de 1 a 6. Sendo os genótipos 1 e 3 mais frequentes no Brasil.

 

A infectologista e clínica médica da Cardio & Saúde, Maria Inez Domingues Kuchiki, conta que até o ano de 2014 o tratamento existente era menos efetivo. “Antes o tratamento era com medicamento injetável (interferon), associada a um comprimido (ribavirina) duas vezes ao dia. No entanto, para os genótipos 1 e 3 o resultado não era 100%, apenas 60% dos pacientes conseguiam a cura.”

 

A grande novidade para o tratamento de hepatite C em 2016 são os novos medicamentos que o Ministério da Saúde (MS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estão liberando no Brasil. Esses medicamentos são chamados de DAAs (da sigla americana Direct-Acting Antivirals), ou seja, antivirais de ação direta no virus da hepatite C (HCV). Os DAAs já aprovados para uso no Brasil pelo MS são: sofosbuvir, simeprevir e daclatasvir. Agora, os pacientes são tratados com a associação de dois desses novos remédios. “A chance de cura pode ficar acima de 95%. Outra vantagem será o tempo de tratamento, que cai de um ano (até um ano e meio antes) para três meses de tratamento. Ainda tem a comodidade de ser apenas comprimido por via oral uma vez ao dia, sem necessitar mais de medicação injetável. Sem dúvida, irá revolucionar o tratamento da hepatite C, já que serão utilizados remédios específicos para esse tipo, melhorando também a qualidade de vida do paciente”, aponta a infectologista.

 

A hepatite C é uma doença crônica e caso não seja tratada pode evoluir para uma fibrose (cicatriz no fígado), depois cirrose e, em casos mais avançados, evolui para câncer no fígado, sendo necessária a realização de um transplante. “A população está mais consciente, mas ainda falta muita informação, principalmente para os jovens e idosos”, ressalta a infectologista.

 

Como a transmissão por via sanguínea é a principal forma de contaminação, as pessoas que receberam transfusão de sangue antes do ano de 1994 devem realizar exames de sorologia para verificar a presença do vírus da hepatite C. Pois antes dessa data os bancos de sangue não triavam a sorologia para hepatite C. Usuários de drogas injetáveis que ainda compartilham seringas e pessoas hemofílicas também precisam realizar exames de sangue periódicos. “A faixa etária mais comum de pessoas infectadas é entre os 40 e 50 anos, mas todos podem contrair o vírus, por isso é necessário ficar atento às situações de risco e realizar exames de sangue”, finaliza a infectologista.

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