Mel produzido no oeste do PR aguarda liberação de indicação de procedência pelo INPI

Processo está em análise e IG deve sair ainda neste ano; reconhecimento é resultado de anos de investimento em qualificação da apicultura na região

Depois de anos de investimento em boas práticas de produção, gestão, manejo e qualidade, apicultores do oeste do Paraná terão a produção de mel com registro de Indicação Geográfica (IG) pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O pedido de Indicação de Procedência (IP) ao mel produzido no Oeste do Paraná foi feito em dezembro do ano passado e deve ser publicado na revista semanal do INPI até o final deste ano. Ate lá, entidades, cooperativa e produtores aguardam, mas não perdem o foco em qualificar ainda mais o mel da região.

Segundo o consultor do Sebrae/PR, Emerson Durso, 50 municípios estão dentro da área geográfica da IP, que vai abranger tanto a produção do mel pela abelha Apis africanizada quanto da Jataí. “Os produtores, com o apoio de instituições, trabalharam nos últimos três anos buscando evidências para que o mel produzido a região seja considerado uma Indicação Geográfica com Indicação de Procedência. O próximo passo é reunir dados de estudos de qualidade e característica do mel para entrar com o pedido de Denominação de Origem (DO)”, destaca Durso.

A professora Regina Garcia, que leciona no curso de Zootecnia da Unioeste e é responsável pelo setor da universidade que estuda a apicultura, explica que essas são as duas formas de se conseguir a IG. “Para obter a IP (que é o registro solicitado ao mel produzido no Oeste do Paraná) é preciso comprovar que há tradição no cultivo do produto, que há uma ligação social com ele no território, além, é claro, da qualidade. Já para conquistar a DO no produto, são necessários relatos, estudos sobre a produção, dados que comprovem que o produto é diferente dos outros”, resume.

A expectativa para a conquista do registro é grande, conforme aponta o presidente da Cooperativa Agrofamiliar Solidária dos Apicultores da Costa Oeste do Paraná (Coofamel), Wagner Gazierro. “Sabemos que o impacto comercial da IP não acontecerá de imediato, mas já vai ajudar no marketing do produto, dará o ‘start’ para o trabalho de reconhecimento geográfico. Hoje, o mercado busca produtos mais naturais, mais ecológicos, sustentáveis e toda certificação ou nova tecnologia que reforce questões como essas é bem-vinda”, observa Gazierro.

Em todo o Brasil, há apenas dois registros de mel com IG no INPI. O primeiro, concedido em março de 2015, para Indicação de Procedência do mel produzido na região pantaneira dos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; e o segundo, que concedeu, em setembro do ano passado, a Denominação de Origem ao também paranaense “Mel de Ortigueira”. “A partir da divulgação do registro, já será possível que os cerca de 120 apicultores ligados a Coofamel possam estampar o “Mel do Oeste” em seus produtos”, enfatiza o consultor do Sebrae/PR.

Mercado

De acordo com Emerson Durso, a expectativa é que o mel produzido na região seja reconhecido pelo mercado com esse diferencial do registro no INPI. “Essas conquistas são apenas um passo a mais na caminhada para tornar o Mel do Oeste mais conhecido, apreciado e valorizado. Entretanto, não se pode parar de melhorar a produção. A partir desse primeiro registro, a ‘tarefa de casa’ é continuar a acompanhar a evolução do mercado, com a aplicação de novas técnicas e tecnologias, que já têm sido implementadas para aumentara a qualidade e produtividade do mel produzido no oeste paranaense”, detalha.

As presenças nos seminários e capacitações são prova de que os apicultores da região estão engajados com a causa. A 6ª edição o Seminário de Apicultura do Oeste do Paraná, que aconteceu no final de outubro em Santa Helena, por exemplo, reuniu os produtores de mel associados à cooperativa da região em busca de novas orientações sobre boas práticas de fabricação, manejo de pré-colheita, meliponicultura e apicultura profissional. O evento aproximou apicultores de especialistas e estudiosos da produção de mel.

Foi com a ajuda das capacitações que o apicultor de Santa Helena, João Luiz Carniel, conseguiu aumentar em 30% a produção de mel. “Aprendi muito nos cursos. Além de produzir mais, temos um mel com mais qualidade aplicando as técnicas novas. Neste último seminário, aprendi como manter o enxame forte antes mesmo do início da florada. O bom é que conhecemos a técnica e, logo em seguida, colocamos em prática”, afirma. Sobre a conquista do registro, Carniel ressalta: “Além de valorizar o nosso produto, conseguir a IG vai mostrar a outros mercados que a gente existe”, aposta.

Na avaliação do presidente da Associação de Apicultores do Oeste do Paraná (Apioeste), Lothario Lohmann, o registro de Indicação Geográfica pode refletir diretamente na rentabilidade do apicultor, em médio e longo prazos. “Atualmente, a maioria os nossos associados têm pequena produção. Se conseguirmos aumentar a venda para outras regiões ou para fora do Estado, eles podem passar a produzir mais e, quem sabe, viver só da apicultura. Nesses encontros técnicos, temos percebido que é vontade de todos melhorar sempre mais a produção. Gostamos de trabalhar com as abelhas”, assinala.

Emerson Durso, do Sebrae/PR, destaca que as oportunidades de aperfeiçoamento não terminaram neste ano. “Temos prevista mais uma capacitação, em formato de dia de campo, na próxima semana em Santa Helena, um dos municípios que concentram um maior número de apicultores. Nosso intuito, enquanto entidade de fomento o empreendedorismo, é levar possibilidades para que haja o desenvolvimento da atividade como um negócio, que gere emprego e renda, permitindo que as pessoas continuem no campo”, salienta.

Além do Sebrae/PR, Coofamel e Unioeste, também estão engajados com o Projeto de Desenvolvimento dos Apicultores do Lago Itaipu, a Itaipu Binacional e Parque Tecnológico de Itaipu (PTI) por meio do Programa Cultivando Água Boa, a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Biolabore, Emater e prefeituras municipais.

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