Tragédia e Conscientização são âncoras do Fashion Revolution Day 2017

Você conhece o movimento Fashion Revolution (Revolução da Moda)? Pois deveria.  Assim como o #voltaparavoce, startup paranaense de propósito educativo que incentiva negócios locais e alerta os consumidores sobre o impacto econômico, social e ambiental, e a Fashion Revolution surgiu com o objetivo de aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto em todas as fases do processo de produção e consumo.

 

E foi uma tragédia que inspirou esta data. Em 24 de abril de 2013 aconteceu um acidente em Bangladesh que vitimou milhares de pessoas. O edifício Rana Plaza desmoronou matando mais de 1.200 trabalhadores e ferindo outros 2.500. Os proprietários das fábricas de roupas (que estavam de maneira irregular neste edifício) sabiam das rachaduras que surgiram um dia antes e ignoraram o perigo. O que chocou comunidade foi a quantidade de marcas importantes nas etiquetas encontradas nos escombros  – Mango, Benetton, Primark, Walmart e várias outras que terceirizam a sua produção nesses locais em busca da mão de obra mais barata.

 

O Fashion Revolution criou o Fashion Revolution Day e a primeira edição aconteceu  em 24 de abril de 2014, data que marcou um ano do acidente em Bangladesh. Desde então todo 24 de abril acontece o evento que levanta o debate sobre a ética na moda, a sustentabilidade ambiental e social.  

“Haviam costureiras,  homens e crianças trabalhando neste edifício. O Fashion Revolution tem essa abordagem do combate ao trabalho escravo contemporâneo ou trabalho análogo à escravidão. Aqui no Brasil a lei trata desses dois termos.  A ideia é fazer  pessoas conhecerem quem fez essas roupas, justamente para pensarmos quais são as pessoas envolvidas na cadeia têxtil e no ciclo de vida de uma roupa.” explica Gabi Garcez Duarte, professora de moda na PUC e uma das envolvidas com o movimento Fashion Revolution em Curitiba.

 

Movimento prega a conscientização do consumo

O começo da conscientização dos consumidores envolve desde a confecção e afeta todo o ciclo da moda, envolvendo temas como sustentabilidade ambiental, o descarte de roupas que geram resíduos e o tingimento tóxico.  “O dia 24 de abril serve para a gente pensar sobre a roupa que compramos e todo o processo que ela passou para chegar nas lojas, enquanto esta roupa gerou de prejuízo para o planeta e para as pessoas. Tudo vai envolver a questão de repensar tipos de consumo que baseiam-se apenas no preço.”

 

Mais do que preço baixo, o conceito deste dia é passar a ideia para o consumidor que uma roupa muito barata, muitas vezes envolve este trabalho nada ético que é o trabalho análogo à escravidão – quando apenas um grande empresário sai ganhando e muitas pessoas são exploradas.

 

Movimento começando a ganhar fôlego

Em Curitiba, o Fashion Revolution está começando a ganhar força aos poucos e Gabi já tem “os culpados” pela lentidão: as grandes marcas que não divulgam este conceito.

 

“Infelizmente ainda não tem muitas marcas participando, portanto o público consumidor acaba não conhecendo este conceito. Não são todas as pessoas que já ouviram falar no Fashion Revolution. Além do mais estamos falando de algo que existe desde 2014, é bem recente ainda.”

Mesmo assim, a organizadora do Fashion Revolution segue animada pela repercussão que a data está gerando em países como Inglaterra e Alemanha –  locais que já estão em uma outra etapa de consumo. “Estes países já passaram pelo consumo exagerado sem critério,  em grandes quantidades que são prontamente descartadas. Nestes países já estão escolhendo melhor o que consumir e o Brasil ainda está chegando na etapa em que podemos consumir muitas coisas eticamente corretas.”

Gabi lembra que no Paraná existem grandes marcas no interior e pequenas e médias em Curitiba – e é na capital que muitas marcas desenvolvem seus produtos. Por serem na maioria das vezes empresas de pequeno e médio portes, a disputa acontece de maneira desigual com uma marca mundial ou de hábito nacional:

 

“Uma marca é considerada grande porque ela produz em larga escala. Ela tem investimentos mais altos e atingem a maior parte das lojas e outros consumidores através deste  investimento. Certamente uma marca pequena não tem como competir no que diz respeito a variedade de produtos e preços menores. As empresas gigantes produzem em larga escala e conseguem negociar preços de insumos e ter mais investimentos em marketing.”

 

A idealizadora explica que uma marca pequena pode inovar ainda mais, justamente por produzir menos e ter menos vínculo com uma hierarquia corporativa: “O próprio criador estará modelando ou costurando a peça. Assim ele consegue inovar e ser criativo no estilo dessas roupas. “

 

Benefícios para a comunidade

A comunidade tem vários benefícios quando consome moda de designers locais e a sustentabilidade é um destes benefícios:

 

“Há um ciclo de vida mais econômico energeticamente falando. Isso acontece quando uma roupa é produzida com tecidos locais, feita com mão de obra da região e vendida localmente. A gente tem um ciclo de vida menos prejudicial com relação ao gasto energético do próprio transporte. Gasta-se menos combustível, temos menos emissão de dióxido de carbono no meio ambiente além de favorecer uma economia local girando dinheiro na região. Os produtores acabam, de repente, gastando também este dinheiro regionalmente.”

 

E os efeitos positivos não param apenas na produção e comercialização local. Gabi explica também que aumenta a autoestima de comunidades de costureiras locais: “Surgem as bordadeiras, a serigrafia, os cortadores de tecidos, novas lojas que atraem outros negócios como lanchonetes e muito mais. Fortalece toda uma economia local.”

 

Sobre o #voltapravoce

O #voltapravoce é uma startup paranaense de propósito educativo e transformador que incentiva negócios locais e alerta os consumidores sobre o impacto econômico, social e ambiental de suas decisões de compras. A iniciativa, lançada há quatro meses, estimula que as pessoas escolham as marcas levando em consideração o critério “local”. Ao invés de optar por produtos e serviços fornecidos por empresas globais, os consumidores precisam valorizar e dar preferência aos itens fabricados na sua região como forma de impulsionar a economia brasileira, promover ganhos sociais e reduzir os impactos ambientais.

ACESSE: http://www.voltapravoce.com.br/

 

Sobre a KAKOI Comunicação

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