III Seminário Sul Brasileiro da Indústria Gráfica apontou caminhos para empresas venderem mais

Apesar dos números negativos em vendas em boa parte das mais de 4,6 mil gráficas da Região Sul, o mercado está cheio de oportunidades para quem quer inovar e melhorar seus resultados. Este foi o recado dado pelo III Seminário Sul Brasileiro da Indústria Gráfica aos cerca de 300 proprietários e gestores de gráficas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul que participaram do evento, no último sábado, 21, no Campus da Indústria da Fiep, em Curitiba. O seminário foi realizado pela Abigraf-PR (Associação Brasileira da Indústria Gráfica – Abigraf Regional Paraná) com o apoio das Abigraf’s de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.

Em um cenário que aponta para uma queda média de 3,4% na produção nacional do setor, segundo dados da Abigraf Nacional, e que em alguns segmentos, como o promocional, o decréscimo pode chegar a 10%, o seminário foi construído com objetivo de dar aos participantes informações e conhecimento suficientes para refletirem e agirem em busca de melhoria em seus negócios.

Para isso, os organizadores apostaram em palestras sobre assuntos  que têm a ver com o presente e com o futuro da indústria gráfica, mas sem tecnicismos. “E deu certo. Ao falarmos de temas como impressão das coisas, neuromarketing, millennials, criatividade, inovação, entre outros, conseguimos incutir na mente dos empresários a necessidade de refletirem sobre o que é possível fazer para que suas empresas acompanhem as transformações pelas quais o nosso setor passa”, disse o presidente da Abigraf-PR, Jair Leite.

Segundo ele, os números ruins do setor gráfico refletem a crise econômica, mas também a dificuldade dos empresários em assimilarem as mudanças no mundo e as específicas na indústria gráfica, que, entre outros reflexos, levam a dificuldades de fidelização de clientes. Leite afirma que não é possível mais vender produtos gráficos como se fazia anos atrás. “Acabou a época de clientes virem atrás das empresas e de grandes quantidades de impressos. O empresário que não olhar para produtos diferentes, não explorar outros nichos e não enxergar mudanças nas necessidades dos seus clientes vai sair do mercado, como muitos já estão saindo. Enfatizamos muito no seminário que não dá mais para o empresário gráfico esperar que as coisas melhorem. Ele tem que se mexer”.

Na avaliação do presidente da Abigraf-RS, Angelo Garbarski, o recado foi assimilado pelos participantes. Em suas conversas nos intervalos do evento com os gráficos do Rio Grande do Sul e dos demais estados, ele disse ter constatado um entusiasmo contagiante com as informações passadas nas palestras. “Afirmo com total segurança que não há um só empresário gráfico que tenha saído do seminário sem alguma ideia ou solução para começar a implantar urgentemente em seu negócio”.

Para Garbarski,o seminário também foi importante para mostrar que ainda há muito dinamismo e interesse das empresas pelo desenvolvimento do setor. “Muitos falam que a indústria gráfica está acabando. Está acabando, realmente, para quem não se atualiza, não se recicla e não abre os olhos para as transformações do mundo. Eu digo que quem não veio ao evento perdeu, e muito, em conhecimento”.

O presidente da Abigraf-SC, Cidnei Barozzi, avaliou que o seminário foi altamente positivo pelo fato das palestras terem sido cirúrgicas nas necessidades atuais do empresário gráfico. “Os temas foram explorados de forma muito coerente e consistente para que o gráfico entenda que ele tem que sair da casinha, arregaçar as mangas e se jogar no mercado em busca de soluções. O caminho foi dado com muita competência pelos palestrantes”.

Segundo Cidnei, o seminário também serviu para enterrar de vez a desconfiança de alguns empresários quanto ao futuro do setor. “Só quem reclama e não age é que teme o futuro. O seminário, com 300 participantes, união das entidades do Sul, participação de líderes da Abigraf Nacional, engajamento de empresários e com expositores de peso no mercado gráfico, mostrou que o setor está mais vivo do que nunca. Quem participou, seguramente está passos à frente da concorrência”.

A pá de cal na desconfiança quanto ao futuro da indústria gráfica também foi comentada pelo presidente do Conselho Diretivo da Abigraf Nacional, Julião Flaves Gaúna. “Fiz questão de vir acompanhar de perto este evento para ter ainda mais subsídios para expor a todos os que insistem em falar no fim do setor. A grandeza deste seminário, o nível dos participantes e dos palestrantes deixa claro que há um grande movimento em busca de soluções e de preparação para as novas demandas. Há sim uma transformação e quem não se atentar para ela corre mesmo o risco de ter sérios problemas”.

Para o presidente do Sigep e vice da Fiep, Abilio de Oliveira Santana, o seminário atingiu o objetivo ao instigar os participantes a refletirem. “A forma como os palestrantes colocaram as informações naturalmente deixa o participante com o sentimento de que precisa fazer algo por sua empresa. Ou seja, ele sai daqui com uma oportunidade clara de repensar ações, rever conceitos e começar a mudar o rumo do seu negócio. No fundo, praticamente todo mundo sabe disso, mas só se dá conta quando tem o privilégio de ouvir isso de vários especialistas”.

Exemplos

A concordância e a cobrança dos três presidentes das Abigraf’s do Sul quanto à importância dos empresários reciclarem conhecimentos para saírem da zona de conforto e melhorarem seus resultados ganha respaldo quando se vê no seminário representantes de duas das mais premiadas gráficas do Paraná  no tradicional Prêmio Paranaense de Excelência Gráfica Oscar Schrappe Sobrinho. Vicente Linares, diretor da Corgraf, de Colombo, e Edson Benvenho, diretor da Midiograf, de Londrina, são exemplos em sempre participarem de eventos de atualização profissional e em buscarem diferenciais para suas empresas.

Para Edson Benvenho, um seminário que se propõe a apresentar temas para o empresário refletir sobre o futuro do seu negócio é lugar mais do que obrigatório para quem quer se destacar. “É um evento para dizer ao empresário que mudou o jeito de fazer as coisas e que sem tecnologia, gestão, diferenciação, ele vai ser engolido pelas transformações do setor”.

Benvenho fala com autoridade. Sentindo as mudanças do mercado e a diminuição de pedidos, o empresário tratou de inovar. Uma das ações foi ingressar no mercado de realidade aumentada (técnica que explora a inserção de objetos virtuais no ambiente físico, mostrada ao usuário em tempo real com o apoio de algum dispositivo tecnológico, como smartphone). Com parceiros, a empresa criou o seu próprio aplicativo, que ajuda a destacar os impressos explorando o fato de todo mundo hoje ter smartphone. Isso, de acordo com Benvenho, ajuda na atração de clientes para a gráfica. Com esta e outras ações, o faturamento da empresa deve crescer cerca de 15% em 2017.

Na Corgraf, apesar de não divulgar números, também haverá crescimento real em 2017. Tudo por conta da busca incessante pela diferenciação de produtos e no atendimento. O próprio material de apresentação da empresa, em formato de abacaxi, que recebeu inúmeros prêmios, já demonstra a sede por não ficar na mesmice. “Já é da história da Corgraf querer fazer o que é o difícil, o inesperado, o surpreendente. É nossa forma de ganhar espaço. Para isso, sempre acompanhamos de perto as tendências e as possibilidades de inovação. É o motivo de eu estar aqui neste importante seminário. Sempre que saímos de nosso habitat conseguimos captar novas ideias e soluções para nossos clientes”, disse Vicente Linares.

Palestras ofereceram um dia de imersão em novos conhecimentos

Com uma grade bem diversificada e complementar, as palestras foram do riso à apreensão e da reflexão à certeza da necessidade de mudanças. Cada um ao seu modo, os palestrantes deram o recado e saíram aplaudidos com tamanha quantidade de boas informações enriquecedoras fornecidas aos participantes.

Veja resumo de cada uma delas

Estímulo à criatividade

A manhã de palestras começou com o especialista em áreas de venda e liderança e coordenador técnico de Negócios do IEL, João Carlos B. Souza, enaltecendo o papel da indústria gráfica. “Se não fosse a indústria gráfica compartilhar o conhecimento por meio do seu trabalho, talvez nem estivéssemos aqui hoje”.

Em seguida, abordou o tema Criatividade, Inovação e Mudança”, convidando os participantes a “saírem da caixa”, o que, para ele, não e sair por aí fazendo tudo sem pensar, mas sim buscar referências para estimular a criatividade nos negócios.  Segundo João de Souza, a mesmice é o grande fator de estagnação, já que muitas empresas erram e até acertam sempre da mesma forma, sem nunca se preocuparem em fazer diferente. O palestrante recomendou mudanças, que começam, segundo ele, colocando-se ideias em práticas, arriscando e ousando, mesmo que haja erro.

Quem imagina que não é criativo e inovador, está redondamente enganado, na visão de João Souza. “Todo mundo é criativo, basta saber canalizar a criatividade para o ponto certo. E há boas referências para a criatividade e inovação em toda a parte, até mesmo em outros segmentos e em outros mercados. Basta ficar atento e adaptar as boas ideias ao seu negócio”.

No processo de criatividade e inovação, o palestrante sugeriu avaliar metodologias como a SCAMPER, que quer dizer substituir, combinar, adaptar, modificar, eliminar e rearrumar. “É um método que explora diferentes possibilidades de se mexer no que está estabelecido, instigando mudanças em produtos e serviços com troca de partes, realinhamento de processos, inclusão de tecnologia, adaptações etc. E sempre faça as perguntas: e se eu mudar o processo? E se eu oferecer determinado serviço? E se eu criar outro produto?”

Mas, de nada adianta tudo isso se o empresário não tiver o foco no foco do cliente. “Essa é a grande diferença entre empresas do mesmo ramo que crescem e outras que não crescem. Quando você tem o foco no foco do cliente, você anda junto com ele e é mais assertivo na entrega de soluções”.

Hora de se reinventar

A segunda palestra foi a mais interativa. Com o tema Reinvente-se, a empreendedora, administradora de empresas e coach, Indakéia Marisol Lima, já começou colocando todo mundo para conversar, em dupla. Ela pediu para um contar ao outro três fatos positivos que tenham ocorrido na última semana, depois fatos positivos nas últimas 24 horas e ainda desejos e sonhos que querem realizar ainda este ano. Encerrou pedindo para que um desejasse ao outro, do fundo do coração, que realizasse todos os seus desejos.

Segundo ela, esse tipo de atividade mostra que nem sempre é fácil falar de coisas positivas, pois somos condicionados a focar em problemas e não em soluções. “Já reparou que as pessoas adoram falar que estão com algum tipo de dor? E falar de coisas ruins atrai mais coisas ruins. Na empresa é a mesma coisa. É preciso mudar, valorizar as conquistas, fazer o melhor com os recursos disponíveis e aproveitar todas as oportunidades com uma mentalidade realizadora”.

Além do pensamento negativo, a coach destacou que o ser humano desperdiça energia demais tentando antever situações no dia a dia, sejam profissionais ou pessoais. Isso, de acordo com ela, cria ansiedade que faz o indivíduo não viver o agora, não realizar adequadamente o que tem que ser feito. Outro problema é reclamar de tudo, do governo, da economia, do cliente. Ou seja, “isso atrai mais problemas para se atingir os resultados desejados”.

Para ela, as pessoas precisam estar bem com elas mesmas e sempre preparadas para aproveitar as oportunidades que surgem. Dessa afirmação veio mais uma atividade interativa. Ela pediu para que três pessoas subissem ao palco para vender da melhor forma possível os serviços de sua empresa em 40 segundos. O resultado, em geral, na própria avaliação da palestrante, não foi bom porque os profissionais focaram apenas em vender a empresa, e não as soluções. Ou seja, não estavam bem preparados e perderam uma boa oportunidade.

A reinvenção de cada um, proposta pela palestrante, também passa pela fuga da zona de conforto, exemplificada em outra atividade. Ela escondeu um chocolate atrás da tela de exibição da palestra e pediu para que as pessoas dissessem o que estava atrás da tela, numa alusão à imagem projetada. A maioria dizia algo relativo à imagem, mesmo com a negativa da palestrante. Apenas um gráfico se levantou e foi atrás da tela ver o que tinha lá. Acabou encontrando um chocolate. “Alguns até disseram que deveria ter algo atrás da tela, mas não se mexeram. Isso é comum com muitos empresários, pensam demais, mas não agem. Um dos participantes deu o exemplo de que como sair do conforto e de como agir para se diferenciar e alcançar melhores resultados. Ele se arriscou, se levantou e foi até lá. Poderia não haver nada, mas tentou e se deu bem”.

E, na hora de agir, disse a coach, o foco deve ser sempre solução que atende necessidades de pessoas. “Tudo é baseado em pessoas. Não existe empresa de sucesso, existe pessoa de sucesso. Faça este pacto com você mesmo, de fazer a diferença na busca por apresentar soluções aos seus clientes”.

A ciência por trás das vendas

Em tempos de alta concorrência e de clientes mais informados para tomar decisão, alguns detalhes podem fazer toda a diferença para se conseguir melhores resultados em vendas. E uma das formas de lançar mãos destes detalhes é ter conhecimentos de neuromarketing, como explicou o mestre em Business Administration in Neuromarketing, Felipe Nasser. Ele comandou a palestra “Neuromarketing:  a nova geração de vendas e comunicação gráfica”, abordando aspectos da neurociência aplicados ao marketing.

Nasser afirmou que o marketing tradicional ainda funciona, mas que já não é suficiente para trazer para a gráfica o aumento de faturamento necessário. Nesse ponto ganha força o neuromarketing por conta das particularidades que oferece no entendimento de pessoas e dos seus sentimentos até mesmo na hora de uma negociação. “Trabalhar neurociência é trabalhar pessoas, e assim trabalhamos emoções. Alegria, raiva, medo, tristeza, nojo e surpresa são sentimentos que levam à emoção. Então que emoção podemos despertar nos nossos clientes por meio de nossos produtos?”

A chave para conseguir melhores resultados em vendas com o neuromarketing, por exemplo, é se ater a detalhes do comportamento do cliente. Segundo Nasser, pessoas com respiração acelerada podem estar em estado de euforia e emotividade, o que as deixa mais abertas a compras; alterações de humor são impulsionadoras de compra e de consumo; pessoas mais jovens se desconcentram mais rapidamente pela manhã, enquanto os mais velhos pela tarde; somos atraídos por coisas familiares, simples e seguras e que conhecemos, então não adianta tentar vender algo que a pessoa nunca tenha visto. ”Estar atento a estes e a outros detalhes pode fazer a diferença na hora de conseguir vender”.

Conhecer as diferenças entre homens e mulheres também é uma ótima ferramenta para se dar bem nas vendas. O homem, segundo Nasser, por exemplo, é dominante por natureza e não adianta querer vencê-lo na mesma linha de sentimento. Por isso, a dica é usar a razão quando ele argumenta com a emoção e vice-versa. Já a mulher gosta de se sentir única e de falar. Então, sugere Nasser, deixe-a expor suas ideias e negocie de um jeito que a faça se sentir exclusiva.

Para finalizar, o palestrante recomendou que o vendedor precisa estudar a biologia  humana para conseguir melhores resultados. “Não adianta ter o melhor produto e a melhor proposta se não entender de pessoas e sua biologia. Além disso, saiba contar histórias que envolvam e surpreendam. Elas ajudam muito a cativar e prender a atenção, facilitando o processo de vendas”.

Por que uns vendem mais do que os outros?

Por que, mesmo em condições normais de mercado e de estrutura, alguns vendedores do setor gráfico conseguem melhores resultados do que outros? A pergunta inquietante foi o centro da palestra “Gestão de vendas e de vendedores para grandes resultados na nova era do mercado gráfico”, proferida pelo coach empresarial e de vendas, Marcos Biaggio.

A resposta dada pelo palestrante tem a ver com a palestra anterior, de Neuromarketing. Segundo ele, a batalha por mais clientes e vendas não ocorre mais no campo técnico, mas sim no campo da inteligência emocional, em que vender é uma combinação de arte, ciência e neurociência. “Quem incorpora a inteligência emocional, que é a capacidade de lidarmos com nossas emoções e com as emoções dos outros, conseguirá sempre melhores resultados”.

Neste cenário, Biaggio afirmou que vendedores vendem pouco porque não conseguem estabelecer um plano de ação que foque em pessoas, não se relacionando adequadamente com os clientes, não sabendo contornar objeções, não tendo habilidades na hora do fechamento do negócio e não sabendo prospectar corretamente. Para este tipo de vendedor, disse o palestrante, o foco é só em dar desconto, o que é trágico para a saúde financeira da empresa.

Somada à falta de habilidade no trato com as pessoas, o palestrante também destacou que falta de motivação, falta de foco, dificuldade para prospectar, falta de confiança no produto ou serviço, falta de planejamento, falta de conhecimento do mercado e falta de criatividade também são determinantes para o fracasso em vendas.

O começo da virada, ensinou Biaggio, é melhorar o foco na prospecção. Para ele, cada vendedor tem que trabalhar permanentemente com prospecção de 50 clientes, além dos que já atende. “Assim, aliado a um plano de inteligência emocional e confiança no que faz, este vendedor conseguirá melhorar em cerca de 15% os resultados para a empresa e, consequentemente, os seus próprios resultados. Por isso, os donos de gráficas devem ficar atentos a terem cada vez mais negociadores em vez de vendedores”.

 A internet como ferramenta para se alcançar mais clientes

Se o mundo vem tendo mudanças significativas no jeito como as pessoas se comunicam, se hospedam, andam de carro, ouvem música e assistem filmes, é lógico pensar que também há mudanças na forma como elas compram as coisas. Esta foi a linha de raciocínio principal da palestra  “Fundamentos de um e-commerce de sucesso”, ministrada pelo mestre em Administração, Leandro Krug Batista.

A mudança principal no consumo é que a internet passou a ser um campo vasto para se adquirir de tudo, de tênis a pré-compra de carros. E, segundo o palestrante, a indústria gráfica não pode ficar de fora deste cenário sob pena de perder ainda mais negócios, principalmente por conta da nova geração consumidores que já nascem com o celular na mão e fazem tudo pela internet. “A nova ordem nos leva a pesquisar, avaliar, ver opiniões e comprar tudo pela internet. É praticidade e ganho de tempo que não podem ser descartados por nenhum negócio”.

Mas antes de sair por aí fazendo um site e criando uma loja virtual, a sugestão é para se ter planejamento e foco no que realmente precisa. Para o palestrante, muitas empresas pecam nesta parte por criarem sites nada funcionais, que mais atrapalham do que ajudam. Segundo Krug, a loja virtual precisa ter o tripé encontrabilidade (tem que ser facilmente encontrada), usabilidade (facilidade de se navergar e encontrar o que se procura na loja), credibilidade (que outras pessoas comentem e recomendem a loja) e vendabilidade (facilidade para se fazer cadastros, fechar compras e pagar). Além disso, a loja precisa ter uma política de atendimento, seja por chat ou e-mail, clara e que ajude o consumidor a resolver suas dúvidas rapidamente.

Na estruturação do site e da loja, Krug ainda lista uma série de cuidados que se precisa ter. “Avalie o seu público-alvo, as regiões prioritárias para entrega, a logística de entrega, o espaço para armazenamento de estoque, a plataforma em que vai construir a loja virtual, como será o atendimento e como será o pós-venda”.

  Impressão além do papel

Na busca por se diferenciar da concorrência, os empresários gráficos estão ganhando a oportunidade de imprimir em outros substratos diferentes do papel. Por isso, o especialista em pré-impressão e mídias eletrônicas, Ricardo Minoru Horie falou sobre “Impressão das coisas: novas oportunidades na impressão digital”.

O tema ganha cada dia mais força, na visão de Minoru, porque o serviço gráfico tradicional se tornou uma commodity, com muitos concorrentes oferecendo o mesmo serviço, preço, qualidade e prazo de entrega. Para se destacarem, a busca por nichos menos concorridos e diferenciais de impressão acaba sendo o caminho mais viável. “Com isso, surgiu a impressão das coisas, também chamada de impressão funcional ou impressão industrial. Há quem diga que isso não é indústria gráfica, mas a verdade é que é um conceito que está perto de completar uma década e que vem sendo o diferencial para muita gráfica ganhar competitividade com produtos de maior valor agregado”.

Minoru enumerou que geralmente se usa uma impressora com tecnologia jato de tinta. O campo de atuação é grande, abrangendo impressão em tecido, piso, parede, azulejos, madeira, vidro, placa de metal, acrílico, garrafas, canecas pra brindes, envelopamento de veículos, comunicação visual, mobiliário urbano, entre muitos outros. E com a impressão 3D, é possível fazer objetos de decoração, peças mecânicas para protótipos e de reposição, próteses ósseas, entre outros produtos.

Uma das vantagens, segundo o palestrante, é que precisa-se de um investimento relativamente baixo, podendo usar a mesma equipe de pré-impressão e arte-final da gráfica e área de produção de poucos metros quadrados. “É um mercado enorme, crescente e de muita oportunidade. Há gráficas que estão ganhando dinheiro atuando com impressão das coisas e já aumentando investimentos nesta área”.

 Não confronte a nova geração, conecte-se a ela

Nascida entre 1980 e 2000, a geração dos Millennials está chegando com força ao mercado de consumo e de trabalho. Saber lidar com eles, seja como patrão ou como cliente, é chave para o empresário que quer ter sucesso nesse relacionamento. Este foi o tom da palestra  “Sim, os millennials chegaram aos departamentos de Marketing e Compras. Sua gráfica sabe se comunicar com eles?”, que ficou a cargo do designer e especialista em marketing, Joaquin Fernandez Presas.

Também empresário e professor de marketing, Presas enumerou as características das gerações de 1950 para cá (Baby Bommers – 50 e 60 -, Geração X – 60 e 80 -, Millennials – 80 e 2000 -, e Geração Z – acima de 2000) para exemplificar as diferenças  em relação ao perfil, motivação de vida, forma de aprendizado, interação com a tecnologia e, principalmente, forma de se comunicar.

Segundo Presas, na relação com os Millennials é preciso dar dois passos para trás e ver a situação com novo prisma. “Eles são diferentes, mas não adianta querer se adaptar a eles ou confrontá-los, é preciso se conectar a eles e andar junto. Entenda que eles nunca vão fazer as coisas do jeito que a gente quer que façam”.

Na “conexão” com os Millennials é essencial entender as suas características, listadas pelo palestrante. “São motivados por desenvolvimento, prezam por liberdade e flexibilidade, acham que podem fazer o que bem entendem, não gostam de pressão, trabalham com as organizações e não para as organizações. Além disso, são nativos digitais e preferem se comunicar pelo WhatsApp e Facebook em vez do telefone, veem TV no celular ou tablet e compartilham absolutamente tudo, de fotos de viagens a micos de pessoas.”

No trato com eles de forma profissional, Presas orienta que é necessário entender que eles não confiam em autoridades ou governos, mas sim na rede de amigos. Não costumam voltar atrás em decisões e são extremamente egoístas, querendo saber o que podem ganhar  em uma negociação. “Não adianta falar com eles sobre o que você quer vender. Tem que falar sobre como isso pode beneficiá-lo de alguma forma”.

Outro fator importante que pode ser explorado pelos empresários gráficos nesta relação é que os Millennials preferem viver experiências que possam compartilhar a acumular coisas, tanto que não pensam em carros e nem em casa própria. “Que tal, por exemplo, levar os Millennials do seu cliente para uma visita à gráfica, fazê-los mexer nas máquinas, experimentarem um dia de gráfico? Se gostarem, com certeza farão fotos e irão compartilhar com os amigos”.

Itinerante

O III Seminário Sul Brasileiro da Indústria Gráfica é uma continuidade do Seminário Catarinense da Indústria Gráfica, que surgiu em 2014 em Florianópolis e contava apenas com participantes catarinenses. Depois disso, as Abigraf’s dos três estados do Sul se reuniram para fazer um evento único, que passou a ser denominado Seminário Sul Brasileiro da Indústria Gráfica, sendo realizado de forma itinerante. A segunda edição aconteceu no ano passado, também em Santa Catarina. Este ano a sede foi o Paraná. Em 2018 será a vez dos gaúchos organizarem o evento.

Apoios

O III Seminário Sul Brasileiro da Indústria Gráfica tem o patrocínio institucional da ABTG (Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica) e do Sebrae – PR (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), com apoio da Abigraf Nacional (Associação Brasileira da Indústria Gráfica), Two Sides, Revista Abigraf e Expoprint LatinAmerica 2018. Os patrocinadores são Agfa, DuplicopyEurostar e Zanatto Soluções Gráficas (Cota Ouro); DeltaE Tecnologia da Cor (Cota Gralha Azul);  Ibema (Cota Café); Suzano Papel e Celulose (Cota Pinha); Bremen Sistemas, Copygraf, Quimagraf, Perfil, Serigrafia Sign Future Textil, Papirus, Zênite Sistemas, Dugraf, Ferrostaal e Group Work (Cota Araucária); Fiep (Federação das Indústrias do Estado do Paraná) (Cota Prata) e SunChemical e Heidelberg (Cota Pinhão).

 

 

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