Descubra como a alimentação pode acelerar ou retardar o processo de envelhecimento da pele

Provavelmente, a expressão “você é o que você come” já passou pelos seus ouvidos alguma vez na vida. Geralmente designada para repreender quem só ingere comidas altamente gordurosas ou ricas em açúcar – e que aceleram o envelhecimento da pele, essa frase deve ser vista com uma nova amplitude. Pelo menos é o que mostra o Congresso Americano de Dermatologia, realizado em fevereiro nos Estados Unidos. “Dietas restritivas e desbalanceadas, com baixas ingestões de proteínas, vitaminas e carboidratos podem afetar negativamente a pele, na medida em que não fornece nutrientes essenciais. Por outro lado, o excesso de proteína, por exemplo é capaz de conduzir a um envelhecimento ainda mais agressivo”, conta a dermatologista Dra. Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia. Ela explica abaixo a importância dos macro e micronutrientes para a pele e fala sobre as dietas:

Proteínas – biologicamente, são polímeros compostos de aminoácidos. “Eles são construtores e reparadores, então ajudam no equilíbrio da pele com relação a conferir hidratação, luminosidade e renovação celular. Sem proteínas, não conseguimos fazer síntese de colágeno e elastina, o que é vital para ter uma pele firme e combater a flacidez. Além de proteínas, ingira também Vitamina C, pois ela é essencial também para a síntese de colágeno”, afirma a médica. Mas atenção às doses: no geral, é indicado o consumo de 20 a 30g por refeição (café da manhã, almoço e janta). “Por outro lado, o consumo excessivo de proteína pode levar a um envelhecimento mais agressivo através da estimulação da via mTor, que está envolvida na regulação de diversas funções celulares, mas quando altamente estimulada pode destruir as vias de reparo necessárias para a longevidade saudável”, argumenta a médica. Além disso, o consumo abundante de proteínas sinaliza às células uma necessidade de reproduzir, diferenciar e crescer através de reguladores como insulina, leptina e IGF. “As células são tipicamente configuradas para crescer ou reparar danos. Com a via mTor estimulada, há um aumento nos ciclos de crescimento celular e uma inibição dos processos de reparação necessários para a longevidade saudável”, explica.

Carboidratos (açúcar) – apesar de importante para conferir energia ao corpo, o carboidrato em excesso pode interagir com as proteínas e gorduras para causar os AGEs (Agentes avançados de glicação) que alteram as estruturas e funções do colágeno e elastina, causando desordens na pele, com aparecimento de rugas, flacidez e manchas. “A glicose em excesso pode causar desregulação dos genes pró-longevidade e aumentar a concentração de methylglyoxal, um tipo de AGE”, afirma a médica.

Gorduras – o tipo de gordura é o mais importante para colher benefícios ou problemas. Elas são divididas basicamente em saturadas (encontrada principalmente em carnes vermelhas, elas aumentam o colesterol ruim) e insaturadas (de origem vegetal e peixes, diminui o colesterol ruim). “Enquanto níveis elevados de gorduras saturadas podem inibir a atividade da SIRT1 (proteína que estimula à longevidade celular) levando a uma vida útil celular reduzida, altas doses de gordura poli-insaturada podem: ativar mecanismos de reparação em células, conduzindo à longevidade; e diminuir a proporção de mau colesterol em comparação ao bom”, afirma a médica. “E tudo isso reflete na pele, que sofre menos com os radicais livres, principalmente quando a boa gordura é usada como fonte de energia, pois ela causa menos estresse oxidativo ao corpo do que consumir carboidrato”, explica. “No caso da pele seca, a ingestão de alimentos ricos em ômegas como castanhas, abacates e azeite de oliva ajuda a formar a boa membra hidrolipídica , que vai ajudar na proteção e fortalecimento dessa pele contra os agressores ambientais, ao mesmo tempo em que também confere luminosidade”, diz a médica.

Vitaminas – micronutrientes essenciais que o organismo não consegue produzir sozinho em quantidades suficientes, as vitaminas podem ser solúveis em água ou em óleo (gordura). “Uma das mais importantes é a nicotinamida, que pode melhorar a hidratação da pele, diminuir a hiperpigmentação e ajudar no controle da acne por seu papel anti-inflamatório”, afirma a médica. Carnes magras, leveduras, leites, ovos e legumes fornecem essa vitamina, que tem importante papel no metabolismo energético e na reparação do DNA. “A Vitamina C é uma referência em antioxidantes e também deve ser consumida, e a Vitamina A é importante para a renovação celular, sendo indicada para rejuvenescimento e acne”, explica.

Minerais – um dos mais importantes minerais para a pele é o selênio, segundo a Dra Thais Pepe. “Ele é necessário para a produção de glutationa, que ajuda a proteger contra os radicais livres, melhora a elasticidade da pele, fortalece cabelos e unhas e colabora contra infecções”, diz a médica. A castanha e a noz são grandes fontes de selênio.

Água – fundamental para o transporte de nutrientes e a hidratação do organismo como um todo, a ingestão ideal de água por dia melhora a circulação com melhora expressiva na pele. “Beber bastante líquido como água e água de coco ajuda a eliminar as toxinas, diminuindo o edema e reavivando a pele”, conta.

Antioxidantes – micronutriente que neutraliza os radicais livres (que causam estresse oxidativo, dano celular e processos de inflamação crônica), os antioxidantes são a chave biológica para o metabolismo mitocondrial e o bom funcionamento celular. “Quando em deficiência no organismo, o organismo fica susceptível a doenças de pele e envelhecimento precoce. A ingestão de antioxidantes é uma forma inteligente de fortalecer a pele e todos os órgãos do corpo no combate aos agressores que reduzem a longevidade celular”, diz. A suplementação com Polypodium Leucotomos, que contém uma série de Polifenois antioxidantes, é uma das mais importantes, segundo estudos, pois a substância pode reduzir os danos solares, prevenindo o fotoenvelhecimento e diminuindo o risco de câncer de pele

Sobre dietas – Várias dietas foram analisadas durante o Congresso Americano, de forma que a dieta mediterrânea, focada em peixes, vegetais e mix de nozes, oferece uma série de benefícios para a saúde como um todo, muito em virtude das boas gorduras, das proteínas e demais nutrientes. “Com relação à dieta vegetariana e vegana, elas precisam ser bem planejadas para fornecer os nutrientes essenciais e, principalmente, aminoácidos. Os mais comuns perdidos em dietas desse tipo são: lisina, metionina, triptofano e fenilalanina. Por isso, é necessário ficar de olho em como ingerir essas substâncias na dieta vegetariana e vegana”, explica a médica. “A lisina está disponível em lentilhas, germe do trigo e pistache; a metionina pode ser encontrada no abacate, nas nozes e aveia; o triptofano está no espinafra, aspargos e amêndoas; e a fenilalanina está presente em grãos integrais, grão de bico, amendoins e nozes”, finaliza.

Dra Thais Pepe: Dermatologista especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia.

maria.claudia@holdingcomunicacoes.com.br

Talvez você se interesse por estes artigos

Fechar Menu