Especialistas do Grupo Oncoclínicas comentam principais temas do maior evento da oncologia mundial

No último mês de junho, o Encontro Anual da ASCO  reuniu em Chicago, nos Estados Unidos, os principais nomes da oncologia  no mundo. Ao todo, o evento, considerado o maior e mais importante do calendário especializado, atraiu cerca de 40 mil pessoas, que acompanharam uma série de apresentações, pesquisas inéditas e debates sobre as formas como especialistas de diferentes países podem transformar os principais avanços científicos e tecnológicos recentes em realidade para o tratamento do câncer.

Esta edição do congresso teve como tema "Entregando Descobertas: Ampliando o Alcance da Medicina de Precisão" e colocou no foco central das discussões a importância das análises genéticas para a definição das melhores terapêuticas. Dentro desse conceito, um dos painéis mais impactantes da ASCO ocorreu durante a sessão plenária, a mais aguardada pelo público, que revelou um avanço significativo para pacientes diagnosticados com câncer de mama.

Nomeado como TAILORx, fase III, o estudo apresentado mostrou que para determinados tipos de tumores em estágio inicial, a quimioterapia não é  necessária após a cirurgia em grande parte dos casos. A indicação dos médicos é que mulheres, a partir de um exame genético, poderão ser tratadas com terapia hormonal, mais amena e com menos efeitos colaterais.

De acordo com os autores, metade de todos os cânceres de mama são positivos para HR, negativos para HER2 e negativos para linfonodos axilares. O ensaio revelou que a quimioterapia pode ser evitada em cerca de 70% dessas mulheres quando seu uso é guiado por uma análise de 21 genes do tumor (Oncotype DX® Breast Recurrence Score).

Para o oncologista Mario Alberto Costa, do Grupo Oncoclínicas no Rio de Janeiro, esse resultado foi um dos mais importantes para o segmento de câncer de mama, tipo mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, respondendo por cerca de 28% dos novos casos registrados no país a cada ano. “Na análise geral, ficou evidente que algumas mulheres podem abrir mão da quimioterapia, que, como se sabe, é um tratamento mais agressivo. Acredito que essa é uma notícia muito boa para a maioria das pacientes. Com mais segurança e informação é possível oferecer um tratamento mais específico para cada pessoa", comenta.

Como já se sabe, os efeitos colaterais de curto prazo que ocorrem durante a quimioterapia têm impacto direto no bem-estar dos pacientes. Entre eles estão náuseas, vômitos, perda de cabelo, fadiga e infecção. Em mulheres mais jovens, também pode ocorrer menopausa precoce ou infertilidade. A neuropatia é outro efeito colateral comum, com sintomas que incluem dormência, formigamento ou dor nas mãos e nos pés, que, às vezes, podem ser permanentes.

Segundo o oncologista Daniel Gimenes, do Grupo Oncoclínicas em São Paulo, a indicação da quimioterapia para o câncer de mama sempre ocorreu por falta de outros recursos, mas esse cenário, agora, mudou. “As descobertas terão um impacto imediato na prática clínica, poupando milhares de mulheres dos efeitos colaterais da quimioterapia. O suporte do teste genético, que analisa 21 genes do tumor, fornece uma informação mais precisa a respeito da real necessidade do tratamento pós-operatório. Hoje, mais do que nunca, a medicina de precisão é uma grande aliada das pessoas em tratamento”, declara.

Exame de sangue pode detectar câncer de pulmão precocemente
Outro painel bastante impactante foi liderado por pesquisadores do Dana-Farber Cancer Institute. Intitulado “Sequenciamento do Genoma Geral para Detecção do Câncer de Pulmão em Estágio Precoce de DNA Livre de Células Plasmáticas (cfDNA): O Atlas do Genoma do Câncer Circulante (CCGA)”, o ensaio revelou que a identificação do tumor pode ocorrer a partir de um exame de sangue, usando o sequenciamento do genoma, capaz de identificar a presença de fragmentos de DNA do tumor de pulmão, ainda em fase inicial do câncer.

"O que vimos hoje na ASCO representa um avanço impressionante no tocante à detecção precoce do câncer de pulmão. A identificação de fragmentos de DNA tumoral no sangue, além de não ser uma prática invasiva, é mais um exemplo de como a tecnologia está contribuindo para vencermos a doença", considera o oncologista e hematologista Jacques Tabacof, do Grupo Oncoclínicas em São Paulo.

Novos protocolos
A ASCO 2018 também trouxe informações significativas para o avanço no tratamento do Mieloma Múltiplo, câncer sanguíneo que afeta a medula óssea. Alguns estudos expostos no Congresso indicaram que certas doses de medicamentos, quando aumentadas com segurança, podem proporcionar uma excelente resposta para os pacientes.

O onco-hematologista Bernardo Garicochea, especialista em genética do Grupo Oncoclínicas, relata que esse tipo de câncer - que nos últimos anos recebeu o aporte de cerca de oito drogas capazes de modificar completamente o tratamento, a sobrevida do paciente e o controle da doença - não contava com um protocolo estabelecido. "Não se tinha clareza sobre qual era a melhor ordem de colocação desses medicamentos no tratamento do Mieloma, quem eram os pacientes que se beneficiariam mais com uma droga ou outra e se era possível combinar todas elas. Saio muito otimista desse Congresso no quesito Mieloma Múltiplo, pois acredito que, realmente, essa doença hoje atinge outro patamar em sua forma de tratamento e na expectativa de vida, talvez, até, de cura dos pacientes", explica o oncologista.

Foram divulgadas ainda algumas análises relacionadas à melhoria na qualidade de vida dos pacientes. Entre os destaques, um estudo apontou resultados animadores a partir do o uso da testosterona para pacientes com câncer de rim - um tipo de tumor que afeta 150 mil pessoas no mundo, em sua maioria homens na faixa etária de 50 aos 70 anos. "Um dos painéis avaliou que a reposição desse hormônio masculino melhora um sintoma muito comum em pessoas em tratamento: a fadiga", aponta o oncologista Paulo Sérgio Lages, do Grupo Oncoclínicas no Distrito Federal. Para o especialista, esse estudo abre novas frentes na definição das condutas a serem adotadas nos cuidados gerais de indivíduos com tumores renais.

Benefícios da Imunoterapia
A imunoterapia tem sido um dos temas mais abordados por médicos e especialistas nos últimos anos. Nesse tipo de tratamento, o objetivo é fazer com que as células do sistema imune identifiquem as células tumorais, reconhecendo-as como elementos estranhos, e acabe por destruí-las.

Duas sessões educacionais da ASCO revelaram um cenário promissor em relação ao uso da imunoterapia para o tratamento de pacientes com tumor de bexiga localizado, em estágio avançado, e de indivíduos diagnosticados com câncer de rim metastático. "Se nos últimos 30 anos, quase não tivemos evolução significativa para o tratamento do câncer de bexiga, temos visto um avanço muito importante com a chegada da imunoterapia", expõe o oncologista Andrey Soares, do Grupo Oncoclínicas em São Paulo.

A partir do conhecimento mais aprofundado da biologia do tumor e com análise da medicina mais personalizada, o oncologista acredita que é possível oferecer para cada paciente, de forma individualizada, novas práticas terapêuticas, medicamentos e novas opções a fim de tornar o tratamento mais assertivo. “No caso do câncer renal metastático, ou seja, quando a doença sai do órgão, a personalização do tratamento é o melhor caminho", salienta.

Embora a imunoterapia não beneficie 100% dos pacientes com esses tipos de tumor, o procedimento tem sido cada vez mais utilizado para o tratamento. "Estou muito otimista. Muito do que foi apresentado na ASCO 2018 será utilizado em breve no nosso dia a dia", afirma Andrey Soares.

Hábitos saudáveis em pauta
Além de novas práticas terapêuticas, as apresentações da ASCO abordaram também o impacto de hábitos comportamentais no  desenvolvimento do câncer e a importância de um estilo de vida saudável na prevenção e na redução da recorrência da doença esteve mais uma vez no centro dos debates.

"Uma orientação divulgada no Congresso indicou que a combinação dieta e atividade física é capaz de evitar o aparecimento do câncer em até 40% dos casos. Ou seja, trata-se de uma medida preventiva extremamente eficaz que está ao alcance do paciente", aponta a oncologista Renata Cangussu, do Grupo Oncoclínicas na Bahia.

A adoção desses hábitos no cotidiano beneficia também pacientes que já tiveram diagnóstico de câncer. "A rotina de comer bem e se exercitar regularmente pode diminuir a mortalidade em também 40% dos casos", descreve a oncologista, que destaca ainda outras duas recomendações indicadas no congresso: redução do consumo de álcool e uso do protetor solar.

Sobre a ASCO
ASCO é a abreviatura para American Society of Clinical Oncology, ou Sociedade Americana de Oncologia Clínica, em tradução para o português. A entidade foi fundada em 1964 por sete oncologistas que tinham a finalidade de melhorar o atendimento dos pacientes com câncer. Na época, a doença era vista como incurável e tinha poucas terapias, geralmente, difíceis de tolerar e quase sempre ineficazes. O estigma e o silêncio deixaram muitos pacientes com pouco apoio ou informação.

Ao longo de cinco décadas, a ASCO e seus membros estabeleceram e avançaram no campo da oncologia clínica moderna. De muitas maneiras, a história da ASCO é a história do progresso contra o câncer. Com apenas sete membros originais, hoje, já tem mais de 40 mil. Nesse período, o número de medicamentos disponíveis para tratar o câncer aumentou significativamente. E, o mais importante, os pacientes estão vivendo mais e muito melhor.

Para mais informações, acesse https://am.asco.org/.

Sobre o IHOC
O Instituto de Hematologia e Oncologia Curitiba (IHOC), fundado em 2000, é um centro de tratamento médico multidisciplinar, com foco no tratamento de pacientes com tumores e doenças hematológicas. A estrutura é preparada para procedimentos de alta complexidade. Desde o início de 2017, se uniu ao Grupo Oncoclínicas. Mais informações sobre o instituto podem ser conferidas no site www.ihoc.com.br.

Sobre o Grupo Oncoclínicas
Fundado em 2010, é o maior grupo especializado no tratamento do câncer na América Latina. Possui atuação em oncologia, radioterapia e hematologia em 11 estados brasileiros. Atualmente, conta com mais de 60 unidades entre clínicas e parcerias hospitalares, que oferecem tratamento individualizado, baseado em atualização científica, e com foco na segurança e o conforto do paciente.
Seu corpo clínico é composto por mais de 450 médicos, além das equipes multidisciplinares de apoio, que são responsáveis pelo cuidado integral dos pacientes. O Grupo Oncoclínicas conta ainda com parceira exclusiva no Brasil com o Dana-Farber Cancer Institute, um dos mais renomados centros de pesquisa e tratamento do câncer no mundo, afiliado a Harvard Medical School, em Boston, EUA. Para obter mais informações, visite www.grupooncoclinicas.com.

 

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