Marcus Gunn: Conheça a síndrome que leva à queda das pálpebras quando a pessoa movimenta a mandíbula

A síndrome de Marcos Gunn é uma condição caracterizada por um grau variável de ptose palpebral (queda das pálpebras), normalmente apenas de um lado, de acordo com os movimentos da mandíbula. Está presente desde o nascimento, ou seja, é um tipo de ptose palpebral congênita. Como quase todas as doenças raras, leva o nome do oftalmologista escocês que a descreveu pela primeira vez, em 1883, Robert Marcus Gunn.

A síndrome de Marcos Gunn corresponde de 2 a 13% das ptoses congênitas, sendo que, em dois estudos recentes, encontrou-se uma prevalência de 5%.

Segundo a oftalmologista Dra. Tatiana Nahas, Chefe do Serviço de Plástica Ocular da Santa Casa de São Paulo, a principal característica da síndrome da Marcos Gunn é a sincinesia, por isso é chamada também de síndrome sincinética mandíbulo-palpebral.

“A sincinesia é um fenômeno que leva à ptose palpebral quando há movimentos da mandíbula, como mastigação, sucção, sorriso, protusão da língua (mostrar a língua) ou uma simples inspiração. Esses movimentos, das pálpebras e da mandíbula, ocorrem ao mesmo tempo, ou em sequência, e de uma forma coordenada”, comenta Dra. Tatiana.

Origem ainda não é bem estabelecida
O porquê da síndrome de Marcus Gunn ocorrer ainda não está totalmente esclarecido pela medicina. "Acredita-se que está ligada a uma conexão que não deveria existir entre os nervos dos músculos elevadores das pálpebras (responsáveis pelos movimentos de abrir e fechar as pálpebras) e das ramificações nervosas dos músculos que controlam os movimentos da mandíbula", cita a oftalmologista.

Pais são os primeiros a perceber
Segundo Dra. Tatiana, embora seja uma condição rara e até mesmo um tanto desconhecida por médicos mais generalistas, os próprios pais são os melhores observadores do bebê.

“Os pais podem notar, de forma precoce, a ocorrência da anormalidade quando o bebê é amamentado, por exemplo. O ideal é procurar um oftalmologista para que o diagnóstico possa ser feito de forma precoce”, comenta.

Em alguns casos, a criança pode apresentar outras condições em conjunto. Em cerca de 50 a 60% dos casos, a síndrome de Marcus Gunn se associa ao estrabismo, em 25% à anisometropia (erros refrativos diferentes entre os olhos) e de 30 a 50% com a ambliopia (olho preguiçoso).

Tratamento nem sempre é cirúrgico
A criança com a síndrome de Marcus Gunn deve ser acompanhada de forma regular pelo oftalmologista e por um neuroftalmologista ou neurologista, dependendo da presença ou não de comorbidades.

“Em muitos casos, após algum tempo de convivência com a condição, o paciente passa a reconhecer os movimentos que levam à sincinesia. Esse reconhecimento ajuda a evitá-los para minimizar o desconforto”, cita Dra. Tatiana.

Quanto à cirurgia para corrigir a ptose palpebral, há alguns critérios e nem todos os pacientes serão candidatos ao procedimento. “O oftalmologista especialista em cirurgia de pálpebras é o profissional mais indicado para fazer essa avaliação. Serão analisados o grau da ptose, sua origem, a função do músculo elevador da pálpebra, assim como qual a melhor abordagem cirúrgica”, comenta Dra. Tatiana.

Uma ptose mais acentuada pode gerar danos no desenvolvimento visual. Assim, quando há associação com estrabismo e/ou ambliopia, há indicação para correção cirúrgica. Porém, vale lembrar que a sincinesia não é passível de ser corrigida, mas pode melhorar com a ressecção parcial do músculo elevador das pálpebras ou ainda com sua transposição, em conjunto com a correção da ptose”, cita a especialista.

Tem cura?
Muitos pais, quando recebem o diagnóstico da síndrome de Marcus Gunn, questionam se a condição tem cura. “Algumas crianças apresentam melhora do quadro clínico ao longo da vida. Mas, há uma variação de acordo com vários aspectos, como o grau da ptose e as comorbidades presentes”, ressalta Dra. Tatiana.

“O mais importante é fazer o diagnóstico precoce, o acompanhamento com o oftalmologista e, no caso de comorbidades neurológicas, com o neurologista ou neuroftalmologista. Como pode afetar a autoestima, é interessante que os pais procurem apoio psicológico para ajudar a criança a entender sua condição e encontrar estratégias e recursos para superar as adversidades”, finaliza a especialista.

carol@agenciahealth.com.br

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