De analfabeta a escritora em 4 anos: conheça a história da D. Maria

Influenciada pelo neto, idosa aprende a ler aos 65 anos e agora, aos 69, lança seu primeiro livro

Em 2017, o Grupo Positivo comemorou 45 anos de uma trajetória dedicada à educação. Entre as campanhas comemorativas, uma websérie contou histórias que exemplificam os quatro principais valores do Grupo: o saber, a ética, o trabalho e o progresso. O primeiro valor, o saber, foi representado pela história real de Maria das Mercês, uma mulher de força singular, que teve a audácia de entrar na escola pela primeira vez aos 65 anos de idade, com a ajuda de seu neto, Felipe.

Durante as gravações desse vídeo, dona Maria expressou seu desejo de escrever um livro para contar os saberes aprendidos em sua trajetória. A partir desse momento, o Grupo mobilizou-se para dar vida ao sonho da dona Maria. O resultado desse esforço é o livro O saber de Maria, que acaba de ser impresso pela Posigraf e publicado pela Editora Positivo. A obra faz parte do acervo das bibliotecas das unidades de Ensino do Grupo Positivo e também está disponível para leitura, na íntegra, no site www.osaberdemaria.com.br.

O lançamento da obra foi realizado no Teatro Positivo – Pequeno Auditório, dia 31 de outubro, durante o “Palavra Viva”, evento literário do Colégio e do Curso Positivo, quando dona Maria viu pela primeira vez o seu sonho impresso. Na ocasião, foram vendidos mais de 100 exemplares do livro, cujo o valor foi doado integralmente à autora.

A trajetória de D. Maria

Maria das Mercês Silva teve uma infância de fome e sofrimento no interior de Pernambuco. Criou nove filhos e um neto, o Felipe, que mora com ela até hoje. “Ele é um anjo que Deus colocou na minha vida”. A pernambucana tem a fala firme, de quem aprendeu com cada lição da vida e nunca baixou a cabeça para as adversidades. Quando ela começa a falar, todos param para ouvir. A baixinha de 69 anos cresce de maneira monumental quando fala.


Desde criança, seu sonho era aprender a ler. “Às vezes eu pegava um jornal ou revista e fingia que estava lendo. Só sabia que não estava de cabeça para baixo por causa das fotos”, diverte-se. Dona Maria lembra dos apertos que passou por não saber ler: "Nunca vou me esquecer de quando meu filho ficou doente e precisei levá-lo ao hospital. Depois não sabia voltar para casa. Tinha acabado de me mudar para São Paulo e não conhecia nada ainda”.

Quando fala sobre o neto, Felipe, dona Maria se emociona. “Ele tinha só oito anos quando me pegou pela mão e me levou para a escola. Aí entrou e disse: diretora, minha avó veio fazer a matrícula”. Ela conta que o neto demorou um ano para convencê-la a estudar. “Aos sete anos, ele me pediu para ajudar com a lição de casa e eu não consegui. Chorei a noite inteira, foi muito triste. Eu tinha vergonha, achei que já estivesse velha para isso”. A verdade é que ela sempre quis estudar, mas nunca pode. “Meus pais não deixaram, meu ex-marido não deixou. Aí, quando me separei, meus filhos diziam que papagaio velho não aprende a falar, então achei que não conseguiria aprender. O Felipe, não! Ele sempre me incentivou, insistiu, não desistiu até que eu fosse para a escola”, conta, emocionada.

O primeiro dia de aula foi difícil. “Cheguei à sala de aula com um caderno, um lápis e uma borracha. Sentia muita vergonha, mas o Felipe foi comigo. Ele foi comigo várias vezes, ficava numa outra salinha me esperando”. Dona Maria diz que “tomou gosto pelo estudo”. Todos os dias ela pedala cerca de meia hora por ruas movimentadas até chegar à escola. Todos os dias, ela e o neto estudam juntos.

E a recompensa veio quando dona Maria leu a primeira palavra. “Estava em um parque com o Felipe e as ruas da região tinham nome de frutas, verduras, legumes, aí olhei a placa e li: abóbora! Comecei a gritar: Felipe, olha! Eu estou lendo! Abóbora! Abóbora!”, diz orgulhosa. “Foi como se eu saísse de um buraco, foi como se uma luz tivesse acendido na minha vida. Foi maravilhoso”, completa.

Cinco anos depois, dona Maria sabe que é capaz de qualquer coisa e dedica o livro aos filhos que duvidaram que ela pudesse aprender aos 65 anos: "dei tantos exemplos bons a eles, de trabalho, de honestidade, de dedicação; quem sabe esse, de não desistir nunca, eles sigam”, finaliza.

Assista aqui ao vídeo da Dona Maria (https://goo.gl/Pf7y13).

“Não há saber mais ou saber menos: há saberes diferentes”

Paulo Freire

Sobre o Grupo Positivo

O Positivo nasceu em 1972, a partir da ideia um grupo de professores visionários que criaram um curso pré-vestibular inovador. Hoje, a marca Positivo consolidou sua liderança em todas as áreas em que atua (Ensino, Soluções Educacionais, Cultura, Tecnologia e Gráfica), graças à qualidade de seus serviços e produtos. Na área de Ensino, o Grupo atua desde a Educação Infantil até o Ensino Superior - Graduação (Bacharelados, Licenciaturas e Cursos Superiores de Tecnologia), Especialização, Mestrado e Doutorado, contando com aproximadamente 52 mil alunos em escolas próprias. De acordo com o ranking da Revista Amanhã, o Grupo Positivo é a maior empresa do setor de educação do Sul do país, com receita líquida próxima de R$ 1 bilhão e cerca de 8 mil colaboradores. Mais de 1 milhão de alunos utilizam os sistemas de ensino da Editora Positivo, em escolas públicas e particulares, no Brasil e no Japão. Escolas de mais de 40 países utilizam soluções desenvolvidas pela divisão de Tecnologia Educacional da Positivo Tecnologia. A Posigraf, uma das maiores gráficas da América Latina, imprime e distribui mais de 50 milhões de livros por ano. Na área cultural, conta com sete espaços destinados a eventos e exposições (Expo Barigui, Teatro Positivo - Pequeno Auditório, Teatro Positivo - Grande Auditório, Expo Unimed Curitiba, Estação Eventos e Laboratório de Inovações Gastronômicas). O Grupo Positivo conta ainda com o Instituto Positivo, que tem foco em Investimento Social por meio de ações voltadas para a  melhoria da educação pública e, atualmente, beneficia 32 mil alunos da rede pública de ensino.

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