Fique atento aos primeiros sinais do câncer de cabeça e pescoço

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que 640 mil novos casos de câncer são diagnosticados anualmente no Brasil. As estimativas também mostram que desse total, 43 mil diagnósticos são de cabeça e pescoço. O câncer da boca, por exemplo, em alguns estados, chega a ser o 5º tumor mais comum nos homens. A mortalidade no Brasil é de aproximadamente 10 mil mortes por ano, e é elevada na doença diagnosticada de forma tardia. Apesar disso, é uma neoplasia com altos índices de cura, quando diagnosticada precocemente.

A oncologista e cirurgiã de cabeça e pescoço, Paola A. G. Pedruzzi, do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), conta que esses tumores têm cura, mas é de extrema importância que o diagnóstico seja feito o quanto antes para o início imediato do tratamento. “As taxas de cura, na doença inicial, chegam a 95% e na doença avançada diminui para 30%. A população deve ficar atenta aos principais sintomas, entre eles os mais comuns são a presença de feridas ou manchas que não cicatrizam na região da boca, por exemplo, nódulos no pescoço, rouquidão e alterações da voz, dificuldade de engolir e emagrecimento sem causa aparente.” 

O câncer da cabeça e pescoço inclui uma diversidade de doenças, sendo as mais comuns os  tumores da boca (língua, assoalho da boca, lábio, dentre outros), orofaringe (amígdalas, base da língua, palato mole) e laringe. Para conscientizar ainda mais a população sobre os sintomas, o dia 27 de julho foi definido como o Dia Mundial do Câncer de Cabeça e Pescoço. Realizada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço (SBCCP), a Campanha Julho Verde entra na sua quarta edição e em 2019 visa fazer apelo à população para que identifiquem os primeiros sinais da doença. “A importância dessa campanha é mostrar que se trata de tumores altamente possíveis de prevenção, por medidas simples, como evitar ou abandonar os fatores de risco, entre eles o tabaco e álcool, responsáveis por cerca de 90% dos casos, autoexame da boca e consulta médica ou odontológica de rotina nas pessoas de risco”, aponta a especialista.

O HPV (papilomavírus humano) também pode ser o agente  causador de alguns tumores, especialmente o câncer da orofaringe (amígdala). Importante também é o alerta aos idosos que usam próteses dentárias, pois podem ocorrer lesões embaixo dessas próteses. As sequelas da doença são muito menores quando o tratamento é realizado no estágio inicial e o paciente permanece com bons resultados funcionais de voz e deglutição. Além dos tratamentos convencionais como radioterapia, quimioterapia e cirurgia e imunoterapia, o paciente pode auxiliar nesse momento com a adoção de hábitos saudáveis e outras medidas. “O processo de cura não depende apenas do médico ou do tratamento, mas, principalmente, do paciente, na sua individualidade. A aceitação e o enfrentamento da doença são fundamentais. Terapias complementares como ioga, tai-chi, meditação, exercícios respiratórios, acupuntura, atividade física, mudanças no estilo de vida, uso de suplementos, etc. auxiliam na diminuição de efeitos colaterais do tratamento, no controle dos sintomas  da doença durante e após o tratamento e no processo de cura como um todo em melhora da qualidade de vida. Porém, existem recomendações para cada paciente e doença. Acupuntura, por exemplo, pode ser eficaz no câncer de cabeça pescoço no tratamento do tabagismo, no de boca seca e de alguns tipos de dores, na insônia, ansiedade e outros transtornos. O paciente precisa ser avaliado, pois essas indicações são caso a caso. A oncologia integrativa aborda o paciente e não apenas a doença, e traz inúmeros benefícios”, destaca Dra. Paola Pedruzzi.

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