Luto Parental e Prematuridade: 70% dos óbitos neonatais são consequência de partos prematuros

De acordo com a ONG Prematuridade.com, é preciso avançar o trabalho para a redução de partos prematuros e lutar pela garantia dos direitos existentes, avançando em políticas públicas relacionadas ao luto

Marcela Souza, psicóloga, Denise Suguitani, diretora executiva da ONG Prematuridade.com, Ana Cony, doula, Dra Maria Helena Franco, Dr João Hopf e Dra Maiara Los Kist

Durante a 1ª Semana Gaúcha do Luto Parental, que aconteceu de 1º a 7 de julho, a ONG Amada Helena, parceira da  Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros – ONG Prematuridade.com, promoveu, juntamente com Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, promoveu no dia 03/07 uma audiência pública para abordar o tema e evidenciar a necessidade do melhor acolhimento de pais e mães enlutados. A audiência, realizada no Espaço de Convergência da Assembleia, contou com a presença do Secretário Estadual da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Catarina Paladini, e com parlamentares, autoridades e gestores da área da Saúde, além de outras entidades vinculadas ao tema.

Denise Suguitani, diretora executiva da ONG Prematuridade.com participou da audiência e contribuiu com uma fala sobre a relação da prematuridade com o luto “Parto Prematuro: a Luta pela Vida”. Durante a apresentação, Denise ressaltou o trabalho que já vem sendo realizado junto a autoridades dos governos estaduais e federais para o aumento de leitos de UTI neonatal, além do trabalho para humanização no acolhimento das famílias que passam pela perda de um filho, seja ele prematuro ou não.

“Se é difícil enfrentar a morte no fim da vida, o fim da vida logo no início é dor condenada ao silêncio.”*

Tratado como tabu pela sociedade, o luto parental ganha visibilidade e pede alteração nos procedimentos hospitalares, como clama a ONG Amada Helena, que surgiu em 2013 depois que Tatiana Maffini, perdeu a filha prematura com apenas 17 dias de vida. O objetivo da Amada Helena é acolher e orientar pais e mães e lutar pela garantia dos direitos existentes e avançar em políticas públicas relacionadas ao luto parental.

Durante a audiência pública, o médico paliativista da Santa Casa de Porto Alegre e especialista em luto, João Luiz de Souza Hopf, ponderou que “além de entender o tamanho da dor, temos a obrigação de trazer a discussão de forma aberta e sincera para a sociedade”. Hopf entende que é preciso reverter a “desumanização da assistência em saúde”, e o acolhimento dos enlutados é um grande desafio. Dados revelam que os estudantes de medicina recém-formados, enfrentam apenas no primeiro ano a morte de 40 a 50 pacientes e esses profissionais, em sua maioria, relatam estresse e despreparo para essa situação. “Tanto quanto garantir o ensino de técnicas para o alívio de sintomas, é preciso desenvolver competências humanas como empatia e solidariedade para que esse cuidado seja dado aos pacientes e às famílias”, afinal, orientou o especialista, “uma das coisas que o luto ensina é que nunca perdemos as pessoas que amamos, pois elas permanecem em nossas vidas”.

As discussões sobre o tema do Luto Parental durante a audiência resultaram no encaminhamento de proposta de projeto de lei para normatizar procedimentos nos hospitais nos casos de morte de bebês, como a utilização de pulseira de identificação para a mãe e a possibilidade de quartos separados aos pais enlutados, conforme sugeriu a ONG Amada Helena, responsável pela proposição da audiência pública à deputada Fran Somensi (PRB).

No sábado, dia 06 de julho, aconteceu o 3º Encontro Multiprofissional para falar de Luto Parental, no auditório do prédio 9 da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Foi mais um dia cheio de emoções e aprendizado, que contou o depoimento de pais enlutados e com a participação de especialistas. A ONG Prematuridade.com, representada por sua diretora, Denise, participou da mesa redonda “Práticas Humanizadas no Cuidado Integral às famílias”.

Para Denise Suguitani, “precisamos acelerar políticas públicas que diminuam a incidência de partos prematuros no Brasil e que ofereçam acolhimento e a assistência de saúde mais adequados às famílias que enfrentam a perda de um filho. Parafraseando a jornalista Eliane Brum, em um artigo escrito para a revista Época, “Infelizmente, homens e mulheres, a cada ano, vão continuar perdendo bebês. Se, depois de todas as tentativas, não houver como salvá-los, é preciso compreender que, pelo menos, é possível salvar aquela família. Cuidando dela”, comentou.

*Fonte: frase do artigo “A mãe órfã”, escrito por Eliane Brum para a revista Época

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