Virá da China a revolução dos veículos elétricos?

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Estive na China em Janeiro para um treinamento e muito me impressionou o fato de que em Shenzhen toda a frota de ônibus urbanos e de táxis é 100% elétrica. Isso me intrigou tanto que resolvi pesquisar mais sobre o assunto. Sabemos que os número na China impressionam em qualquer área, mas no que se refere a carros elétricos deixa claro que estamos engatinhando tanto na tecnologia como na adoção e capacidade de suprir a demanda.

Estamos caminhando a passos largos para a revolução dos veículos elétricos, mas ela será impulsionada pela China e não pelos Estados Unidos.

A transição de veículos movidos a combustível fóssil para veículos elétricos virá mais cedo do que se esperava. E a mudança já está acontecendo na China, o maior mercado automobilístico do mundo, com 23 milhões de carros vendidos só em 2018. Ainda existem centenas de milhões de famílias chinesas que não possuem carro algum. Em contrapartida, os países ocidentais que já estão se aproximando da saturação de veículos por habitante.

Vendas mundiais de carros elétricos, 2014-2018

O mercado chinês de carros elétricos está crescendo mais rápido que os outros mercados mundiais, o crescimento entre 2017 e 2018 foi de 78% e o volume atingiu a soma dos veículos vendidos no resto do mundo.

Fonte: EV-Volumes.com

Muitos destes chineses estão comprando carros elétricos e as vendas destes modelos na China ultrapassaram os Estados Unidos em 2015. Em 2018, as vendas chinesas superaram 1,1 milhão de veículos elétricos, quantidade superior a 55% de todos os veículos elétricos vendidos no mundo. As vendas de veículos elétricos nos EUA naquele ano foram de apenas 358.000. Em 2018 houve um crescimento de mais de 400% no número de chineses que adquiriram este tipo de veículo comparado com 2016.

A China hoje produz mais da metade das baterias para automóveis elétricos do mundo,  componente que tem o maior impacto no preço final dos veículos elétricos. Já em 2021, as projeções apontam para 70% da produção mundial de baterias seja realizada na China, mesmo  que o aumento da demanda mundial supere as expectativas. O preços das  baterias tem caído constantemente, com isso, acredita-se que em 2025 será mais barato fabricar um carro elétrico que um carro a combustível fóssil.

Fonte: BloombergNEF

Apoio do governamental

Os veículos elétricos são mais fáceis de fabricar. Como isso a indústria automobilística chinesas, que nunca conseguiu igualar a eficiência e a qualidade das montadoras em modelos a combustão, terá uma nova oportunidade de competir.

Na lista dos dez setores da economia que o governo chinês definiu como estratégicos para seu esforço de impulsionar a tecnologia industrial está a pesquisa, desenvolvimento e fabricação de carros elétricos. Estes esforços incluem o uso de bilhões de dólares para subsidiar a fabricação de veículos elétricos e baterias, além de incentivar empresas e consumidores a comprá-los.

O uso de veículos elétricos ajudam a China a resolver algumas das suas preocupações energéticas e ambientais mais urgentes: poluição maciça do ar, emissões globais de poluentes mudanças climáticas, além da preocupação com o comércio internacional de petróleo

Suporte adicional

Como parte dos planos de incentivo, além dos subsídios, novas leis e regulamentações estão sendo desenvolvidas e apresentadas pelo governo chinês. Todas as montadoras que operam na China, nacionais ou não, são obrigadas a ter parte das suas vendas em veículos elétricos. Esta obrigatoriedade será mais rigorosa ao longo do tempo e deve chegar a pelo menos 7% da produção em 2025.

A Volkswagen vende 40% da sua produção mundial na China e esta exigência do governo chinês é a principal razão pela qual a montadora  alemã está se esforçando para desenvolver carros elétricos. Assim como ela, as principais montadoras estrangeiras possuem grandes plantas fabris e investimentos na China e dificilmente podem se dar ao luxo de abandonar tal mercado.

A enorme demanda interna, aliada ao desconhecimento das marcas chinesas fora de seu país e seus carros não serem 100% aderentes às normas de segurança dos Estados Unidos e da Europa são os três principais motivos que explicam o fato das montadoras chinesas não trabalharem o mercado externo.

Com certeza esses obstáculos serão superados com tempo e dinheiro. As empresas chinesas podem tanto entrar no mercado de baixa renda como fez a Volkswagen há 60 anos. Também há a possibilidade de focar nos público de alta renda com automóveis inovadores e luxuosos.

Quando isso acontecer, carros elétricos vindos da China podem se espalhar pelo ocidente, superando os esforços da Tesla e outros fabricantes de veículos americanos e europeus. Somente barreiras protecionistas tributárias dos países podem inviabilizar este desenvolvimento.

Conclusão

A China tem investido muito, também, na geração de energia solar e hoje ela já produz um volume equivalente ao que é consumido pelos mais 2,4 milhões de carros elétricos em circulação. Isto faz o automóvel elétrico rodando na China causar menos impacto ambiental que rodando em outras partes do planeta.

Tive a oportunidade de visitar centros de pesquisa que tem desenvolvido automóveis com baterias que podem ser retiradas quando vazias e substituídas por outras carregadas. O processo de troca aconteceu, na demonstração, em menos de três minutos. Tempo similar a abastecer um carro com combustível.

A China tem se posicionado, cada vez mais, na vanguarda das novas e disruptivas tecnologias. Hoje, o resto do mundo, precisa correr para acompanhar a China, tecnologicamente, diferente do que se via há  alguns anos.

Sobre Domingos Tabosa

Atualmente é Gerente de Contas Senior na Huawei do Brasil, anteriormente atuou na área comercial, gestão de projetos internacionais sempre em empresas multinacionais tais como: AT&T, Lucent, Furukawa, Nortel e Huawei. A quase oito anos na Huawei foi responsável pelo desenvolvimento da empreas na região sul do Brasil, contribuiu, de forma importante, no crescimento do faturamento em mais de 10 vezes entre 2011 e 2018. Na empresa anterior, Nortel, participou da implantação da área de venda de serviços em toda a região da América Latina.

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