A nova imagem do seguro no Paraná e no Mato Grosso do Sul

Na próxima semana tomam posse os presidentes dos oito Sindicatos de Seguradoras do Brasil, a maioria jovens executivos de alto desempenho, que assumem o desafio de aplicar seus conhecimentos de gestão empresarial para modernizar a representação sindical.

É um momento de transição da antiga imagem dos sindicatos com práticas muito assemelhadas ao setor público, para uma nova realidade, provocado pela reforma trabalhista e pelo fim da obrigatoriedade da contribuição sindical. A queda nas receitas praticamente condicionou a sobrevivência das entidades sindicais à capacidade de gestão e de apresentar bons resultados aos associados.

Nesta perspectiva, o mercado segurador deu início a um processo de remodelagem organizacional de suas entidades representativas. A Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) firmou um acordo formal entre suas federações e sindicatos estabelecendo uma série de medidas de transparência e austeridade, como redução do número de diretores, limite de valores que podem ser gastos sem autorização prévia da entidade superior e máximo de dois mandatos consecutivos para presidente.

No Sindicato das Seguradoras do Paraná e de Mato Grosso do Sul (Sindseg – PR/MS), o último presidente, João Possiede, permaneceu no cargo por 27 anos e será sucedido a partir do dia 15 deste mês por Altevir Dias do Prado, superintendente da Bradesco Seguros na Região Sul. Formado em Filosofia, História e Economia, com doutorado em Ciências Econômicas na Espanha, o executivo defende que é possível dar uma nova dinâmica aos sindicatos mais assemelhada ao setor privado.

“Acho que as instituições representativas têm de se reinventar, agregar valor ao setor que representam de forma que as mensalidades pagas pelas associadas não sejam a fundo perdido, que elas tenham um retorno sobre esse investimento de alguma forma”.

O executivo destacou que, no caso das seguradoras, o sindicato regional (Sindseg – PR/MS) já desenvolve um trabalho de representação interessante apoiando as autoridades públicas no combate aos furtos e roubos de veículos, promovendo a educação no trânsito e fomentando o aprimoramento da legislação. Mas segundo ele, o uso das tecnologias pode otimizar as ações.

“Os novos tempos e a geração que está chegando exigem um sindicato mais moderno. Então é importante a modernização do sindicato neste sentido, de torná-lo um pouco mais on-line, de dar uma feição mais contemporânea”, afirmou Prado citando alguns projetos. “Pretendemos ter um canal permanente via aplicativo de mensagens para troca de boas experiências com os demais sindicatos regionais do Brasil, fazer gestão participativa e democrática, austeridade no gasto e ter um protagonismo na realização de cursos de pequena e média duração para contribuir na formação do capital humano das seguradoras”, disse.

O setor de seguros é bastante expressivo na economia brasileira, responde por cerca de 6,5% do PIB nacional. No ano passado, registrou lucro líquido de R$ 17,8 bilhões. Mesmo representando um mercado pujante, as diversas entidades sindicais do setor, tanto patronais quanto de trabalhadores, passam por processo de adaptação ao novo cenário pós-reforma trabalhista de 2017, que reduziu o faturamento dos sindicatos em até 90%.

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