Estresse em profissionais da saúde: é preciso cuidar de quem cuida dos outros

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Os profissionais que trabalham na área de saúde, sejam eles de quaisquer formação, estão diariamente sujeitos a diversos fatores que podem levar ao estresse, ansiedade, descontrole emocional, entre outros. Em tempos de pandemia, principalmente a da Covid-19, a situação agrava-se ainda mais para os que estão trabalhando na linha de frente da situação. O Conselho Regional de Psicologia de Santa Catarina acredita que as(os) profissionais da área psicológica podem aportar de diversas formas neste cenário e busca destacar e compartilhar experiências que estão ocorrendo em nosso estado.

Para a neuropsicóloga Rachel Schlindwein-Zanini, que atua no Hospital Universitário da UFSC, em Florianópolis, tradicionalmente os profissionais de saúde (especialmente do atendimento hospitalar, incluindo o psicólogo) já estão expostos a uma rotina desgastante física e psicologicamente. “Em períodos muito críticos como o de pandemia, pode haver o aumento de casos de violência doméstica, surtos psicóticos e de tentativas suicidas, além do medo de contágio e a possível morte. Esse panorama enfatiza o valor da assistência psicológica para estes profissionais em condições emergenciais”, avalia Rachel.

Normalmente, as pressões psicológicas a que são submetidos podem decorrer da quantidade de trabalho a executar (como muitos pacientes e procedimentos que exigem capacitação) em um período de tempo insuficiente, precariedade de recursos físicos e falta de incentivo e valorização institucional. “Assim, são grupo de risco para distúrbios psíquicos, como ansiedade, depressão, psicossomatização, estresse, transtorno cognitivo, de sono, fadiga, uso e abuso de substâncias (de bebidas alcóolicas a psicotrópicos), sentimentos de impotência, entre outros”, complementa a psicóloga.

O problema maior é que, geralmente, o profissional da saúde não procura ajuda pois, muitas vezes, considera como habituais as pressões e situações (como óbitos, por exemplo) do trabalho hospitalar e também para evitar uma condição de vulnerabilidade (oposta àquela cobrada deste profissional pela sociedade).

 

Rotina, tempo livre, alimentação, exercício

“O ideal é lidar com serenidade, resiliência e procurar auxílio profissional, se necessário. Além disso é importante manter uma rotina de horários nas atividades domésticas e no cumprimento de tarefas pendentes, estimular a cognição com leituras e outras atividades acadêmicas. Importante também contatar pessoas queridas, praticar exercícios físicos leves, adotar uma alimentação saudável, realizar atividades prazerosas e diminuir o tempo ‘online’, uma vez que a exposição ao excesso de informações, muitas vezes em descompasso com a vida real, promove aumento da ansiedade e da frustração”, sugere.

A psicóloga destaca também que é importante transmitir tranquilidade aos familiares, além de orientação correta acerca do momento. Mas isso nem sempre é uma tarefa simples, porque além de sua atuação junto a pacientes, em casa também precisam estudar, acolher a família e participar dos afazeres, mesmo com suas angústias. Os profissionais da saúde precisam de um momento para o autocuidado e acolhimento, e se for o caso, ser atendido por um psicólogo. Exercícios físicos também ajudam na melhora da resistência, da imunidade, e de sintomas depressivos e ansiógenos.

No caso de profissionais que lidam diariamente com perdas e mortes, ou mesmo situações assim próximas à família e amigos, ela orienta: “apesar do isolamento social, alguns rituais de despedida podem colaborar no processo vivenciado em situações de adoecimento, terminalidade e morte, pois trazem conforto emocional aos enlutados e marcam o significado íntimo que atribuímos ao ente perdido”.

 

Sobre o CRP-SC

O Conselho Regional de Psicologia da 12° Região – Santa Catarina (CRP-12) faz parte de um sistema formado pelo Conselho Federal de Psicologia e outros 22 Conselhos Regionais distribuídos por estados e/ou regiões. Tem como funções primordiais orientar e fiscalizar o exercício e as atividades da profissão de psicólogo no nosso Estado, zelando pela fiel observância dos princípios éticos e disciplinares da classe profissional.