Luan Bates reflete contradições da religiosidade e fé no single “Casting out a devil”

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Expoente do cenário independente do Rio Grande do Norte, o potiguar Luan Bates prepara caminho para seu segundo álbum completo com o single “Casting out a devil”. A intensidade das guitarras entrega, também, o peso lírico, com o artista dialogando com as contradições de questões ligadas à religiosidade e fé cristãs. A faixa estará em “Nothing Left to Say”, a ser lançado pelo selo Nightbird Records, e sai acompanhada de um lyric video.

Tida como um ponto central do novo disco, a música é construída em torno do diálogo entre dois homens – um, “normal”; o outro, “louco”. Ambos refletem indagações do próprio artista diante da sua relação com a fé, já que a composição surgiu após a leitura de dois livros: “Elogio à Loucura” e “Ortodoxia”.

“Foi numa época em que alguns amigos de infância me levaram de volta à Igreja católica. Eu participei de algumas coisas novamente, mas não me sentia conectado à doutrina e enxergava algumas coisas que eram contraditórias ao que pregavam. É complicado falar de amor ao próximo e, em outro momento, dizer que ‘o homem deve amar a mulher’, isso num contexto em que só esse tipo de relação é válida, por exemplo. Então ‘Casting Out a Devil’ saiu dessas fontes e do meu conflito interno com o catolicismo, especificamente”, conta Luan.

Também produtor musical e agitador cultural, Bates traz uma sonoridade com tons de lo-fi, shoegaze e alternativo, uma postura confessional folk e uma intensidade de rock alternativo para a identidade do seu trabalho solo. Após dois EPs sob codinomes (Scangledcrow, em 2014 e Tendre, em 2016), Luan se lançou como artista após um ano fazendo shows acústicos em sua cidade. As canções intimistas geraram uma identificação forte cenário local, e o EP “Listen Up, Mates” ganhou espaço em sites e blogs independentes de música, gerando registros audiovisuais em canais de música como o Elefante Sessions.

Com o lançamento de seu segundo EP, “Distant Minutes”, Bates foi incluído no line-up da edição 2017 do Festival DoSol e indicado ao Prêmio Hangar de Música como revelação da música potiguar. Já em 2018, o músico colaborou com o produtor mineiro Thought Crimes para um remix da música “Squares and Farces” e lançou seu álbum de estreia, “The Morning Sun”, refletindo experiências e relações do cantor com Natal durante a transição da adolescência para a vida adulta.

Lançando suas faixas em inglês, devido à influência do rock alternativo dos anos 90 e do início dos anos 2000, Luan prepara uma ruptura sonora e estética com o pesado novo disco “Nothing Left to Say”. O álbum é um registro de vivências e sentimentos em meio a conflitos com sua saúde mental e com a sociedade, além de aprofundar o entendimento sobre o período de transição do início de sua vida adulta.

“A ideia desse registro sempre foi de trazer um som mais pesado em relação aos meus trabalhos anteriores, mas também, de abordar minha condição mental de maneira mais realista, mesmo que mais sombria ou negativa, através das letras. Hoje em dia até os seus desabafos e crises são expostos de maneira mais polida, ‘do jeito que você quer divulgar’, e quando escrevi as faixas, estava numa depressão profunda que não me permitia fugir de pensamentos mais pesados”, adianta.

Como um livro aberto para sua intimidade, Luan Bates se prepara para se apresentar para novos artistas e continuar a mobilizar a cena local com sua música e o seu selo Nightbird Records. “Casting Out a Devil” é o terceiro single de seu novo álbum. “Nothing Left to Say” tem lançamento previsto para setembro.

Assista a “Casting out a devil”: