Paternidade e home office: vivências possíveis de diferentes pais no mundo corporativo

A pandemia trouxe à tona a discussão sobre paternidade e a atuação das empresas sobre a vida familiar de seus colaboradores, apontando novos caminhos

Ademir e Fabiana

Ademir e Fabiana estão a quase dois anos esperando o momento da adoção

A pandemia causada pelo novo coronavírus virou o mundo de muitas famílias de cabeça para baixo. Além do isolamento social e da adaptação para o home office, outro grande desafio foi a suspensão das aulas presenciais como forma de conter o avanço da doença. Assim, pais e filhos passaram a ficar juntos a maior parte do tempo, o que trouxe à tona questões sobre relação das empresas com as famílias dos profissionais. E a forma como executivos veem a paternidade tem se mostrado cada vez mais relevante no mundo corporativo.

Crianças são bem vindas

Na Buysoft, uma das maiores empresas de licenciamento de software e soluções em TI do Brasil, o exercício da paternidade é visto como extremamente positivo para o ambiente de trabalho, a vida pessoal e a carreira de seus colaboradores.

Mesmo antes da quarentena, a empresa já incentivava a presença das famílias no ambiente empresarial – e não só a família dos sócios. Sempre foi comum a presença de crianças circulando entre as mesas, fazendo desenhos e conversando aqui e ali. Os filhos dos colaboradores geralmente se conhecem e fazem amizades entre si.

Histórias reais de pais e executivos de sucesso

Adoção e paternidade

Ademir e Fabiana

Ademir e Fabiana entenderam que a adoção é um ato de amor em sociedade: família, amigos e trabalho

Ademir Raimundo da Silva, analista de tecnologia da informação na Digisystem, é marido da arquiteta de soluções Adobe na Buysoft, Fabiana Go e conta que “estamos há quase dois anos esperando pela nossa filha, certos de que o momento da adoção será o encontro mais importante de nossas vidas e que o dia dos pais, das mães e todos os 365 dias do ano serão incríveis com a nova integrante da família por perto”.

Ademir relata que “quando a Fabiana me disse ter comunicado o CEO da Buysoft na entrevista que ela estava ‘grávida’ e que diferente da gravidez biológica poderia durar um, dois, até cinco anos e o ‘nascimento’ seria repentino e demandaria uma licença sem nenhum aviso e ele imediatamente disse sim, entendemos que a adoção é um ato de amor em sociedade: família, amigos, trabalho. E estamos com a maior expectativa do mundo para compartilhar a história do nosso encontro com todos que adotaram nossa filha conosco. Feliz dia dos pais: para todos os que estão esperando, com seus filhos nos braços ou que os perderam. Somos todos pais!”

Pai do coração

O publicitário Elias Duarte Guedes, designer gráfico na Buysoft, é pai não biológico da Esther, de oito anos, mas sente na pele o que significa a paternidade. O pai de coração da Esther (como ela costuma dizer) acredita que “a paternidade faz com que sejamos ainda melhores no trabalho, pois queremos sempre poder dar o melhor aos filhos. É como se eu não trabalhasse apenas por mim, mas por mim e pela família que construí”.

Ele também conta que o home office mudou muito a rotina de trabalho e o convívio em família. Em casa, ele separa alguns momentos parar dar atenção exclusiva à pequena, assistindo desenhos animados juntos, fazendo uma pausa para um café da tarde, uns minutinhos para uma brincadeira. “Mas não vejo isso como algo que atrapalhe a rotina de trabalho, é algo que faz com que nos aproximemos ainda mais, já que estamos convivendo intensamente todos esses meses. O trabalho não deixa de ser feito, pois como estou em casa posso compensar esses períodos trabalhando um pouco mais e entregando dentro dos prazos”, explica. “E o mais importante, esse período em que estamos em casa está sendo muito bom, justamente para poder nos aproximar ainda mais, solidificando o vínculo familiar”.

“E na Buysoft encontrei uma empresa de ‘cabeça aberta’, que não acredita no conceito definido de família certa ou errada, mas sim em uma visão de que todas as famílias devem ser respeitadas”, finaliza Elias.

O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional precisa ser incentivado

Muitas vezes, a visão que se tem sobre empresas de tecnologia é a visão de startups com vários jovens (solteiros, sem filhos, millenials), com foco no universo tecnológico, de games e tendências. No entanto, na Buysoft é composta por pessoas de diferentes idades, interesses e composições familiares. A maioria da empresa é composta por mulheres sem filhos. Já entre os homens, vários são pais.

A flexibilidade de horário dos colaboradores, que já era comum, agora foi ampliada ainda mais, principalmente para aqueles que precisam ajudar a cuidar dos filhos pequenos durante a quarentena. Isso faz com que a forma de ver o mundo se torne menos dura e mais humanizada, mesmo com o mercado sendo competitivo e as metas audaciosas.

As reuniões da Buysoft incluem conversas sobre crenças, como todos enxergam o momento atual e o que tem valor para cada um. São realizadas dinâmicas e discussões e o assunto paternidade/maternidade vem à tona com frequência e é incorporado facilmente às temáticas de trabalho.

Clemilson Correia (CEO da Buysoft) conta que o ambiente da empresa sempre foi aberto a crianças, mesmo antes da pandemia. Dos bebês aos “crescidinhos”, muitas crianças já frequentaram os escritórios quando o colaborador precisasse levar o filho para o trabalho por alguma razão.

Para o executivo “o ser humano é integral. É impossível separar o pai do vendedor, ou a mãe da gestora. Uma família com problemas resulta em funcionários com problemas. É preciso um equilíbrio. Gosto muito da referência de Brian Dyson (ex-presidente da Coca-Cola Co.)”. Ele diz “Imagine a vida como um jogo, no qual você faz malabarismo com cinco bolas que são lançadas no ar. Essas bolas são: o trabalho, a família, a saúde, os amigos e o espírito. O trabalho é a única bola de borracha – se cair e bater no chão, quica para cima – mas as outras quatro são de vidro. Se caírem no chão, quebrarão e ficarão permanentemente danificadas. Entendam isso e assim conseguirão o equilíbrio na vida”.

Clemilson Correia, fundador e CEO da Buysoft, com seus filhos