Pesquisa aponta ansiedade como um dos principais sentimentos emergentes durante o isolamento social

Brasil é apontado como a nação mais ansiosa, entre 16 países, após a pandemia do novo coronavírus

Pesquisa aponta ansiedade como um dos principais sentimentos emergentes durante o isolamento social

Image by Gerd Altmann from Pixabay

Em 2019 o Brasil foi apontado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o país mais ansioso do mundo. São mais de 18 milhões de pessoas vivenciando essa condição, segundo a OMS.

O isolamento social, devido ao atual cenário de pandemia, tem provocado mudanças, principalmente na rotina e no comportamento das pessoas. Esse contexto aflorou sentimentos como de insegurança e medo, que nos fazem ativar nossos mecanismos de alerta, do quais a ansiedade faz parte.

De acordo com uma pesquisa realizada por alunas de Administração da FAE Centro Universitário, campus São José dos Pinhais, mais de 80% dos entrevistados relatam um aumento na ansiedade ao permanecer em isolamento social.

A pesquisa foi realizada pelas estudantes Bárbara Cividini, Isabella de Paula e Letícia Bogo, na disciplina Pesquisa e Análise de Mercado, sob orientação do professor Adriano Toledo.

Características e consequência da ansiedade no isolamento social

Um recente estudo do Instituto Ipsos aponta o Brasil (41%) como o mais ansioso, entre os 16 países onde foi realizado, tornando-se esse um dos grandes problemas da pandemia de covid-19. Em segundo lugar na pesquisa vem o México (35%), seguido da Rússia (32%).

As pesquisas pelo termo também dispararam no Google. Foram o triplo, se comparado ao mesmo período em 2019, mostrando a preocupação e a busca por informações referentes ao tema.

Com o intuito de traçar um perfil sobre ansiedade e isolamento social, causado pelo atual cenário de pandemia, as alunas da FAE realizaram uma pesquisa quantitativa com mais de mil pessoas. Disseminada de forma eletrônica, a atividade teve como objetivo entender a relação entre o isolamento social e o aumento de casos de ansiedade.

O estudo mostrou que entre os jovens com menos de 20 anos a dificuldade de concentração é tratada como um problema no isolamento, enquanto os maiores de 20 anos relatam que o sentimento de preocupação tem se mostrado persistente. Um índice relevante apresentado na pesquisa apontou que 7 a cada 10 pessoas veem a incerteza sobre o cenário econômico e político como o principal fator de quadros ansiosos, seguida da preocupação com a saúde e o desejo de querer sair e não poder.

“Notamos que mais de 80% dos entrevistados responderam que permanecer em casa os deixa ansiosos, sendo o principal motivo a incerteza do futuro, além de citarem também problemas como estresse, mudança nos hábitos alimentares e insônia, por exemplo”, comentam as estudantes.

Como buscar qualidade de vida e lidar com o problema

A ansiedade pode também ser a causa de outros problemas como a insônia e a má alimentação, como mostrou a pesquisa. Por isso, é importante cuidar da mente e buscar qualidade de vida não apenas para momentos de adversidade como o atual, mas durante todas as etapas da vida.

Para a professora do curso de Psicologia da FAE, Giovanna Medina, é importante que cada indivíduo mantenha suas relações afetivas, assim como  uma vida o mais similar possível à que possuía anteriormente.

“Tentar manter a rotina diária o mais próximo da sua realidade, ser paciente consigo mesmo, fazer atividades de que gosta e com as quais se sente bem e, principalmente, não se isolar afetivamente são algumas iniciativas que podem ajudar durante este período desafiador. Em casos de crises graves, é bom procurar ajuda especializada: vários profissionais estão realizando atendimentos de forma on-line neste momento”, comenta.

 

Metodologia – A pesquisa foi aplicada a uma amostra de 1414 pessoas, com um nível de confiança de 95% e uma margem de erro tanto para mais quanto para menos de 1,06%.

A maioria dos respondentes é jovem (em média 25 anos), pertencente à classe média (54%) e está cursando o Ensino Superior (aproximadamente 44%).

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