Primavera intensifica as alergias em crianças da Região Sul

A polinização das gramíneas e o clima seco contribuem para as manifestações alérgicas

Primavera intensifica as alergias em crianças da Região Sul

Alergias atingem cerca de 22% das crianças
Pixabay

Estima-se que 22% das crianças da Região Sul do Brasil sofram com manifestações alérgicas na primavera causadas pela polinização das gramíneas, principalmente do azevém, e pelo clima seco. Rinite, sinusite e conjuntivites alérgicas são comuns neste período do ano e com o isolamento social imposto pela pandemia da Covid-19 as alergias se tornaram mais frequentes.  

Enrico Zilioto, de cinco anos, sofre com alergias desde bebê. Após uma consulta médica foi constatado que ele tem rinite alérgica e sinusite e a mãe, Sylvia Zilioto, precisou fazer mudanças na rotina alimentar e de higiene da casa, além da medicação constante. “Na primavera a rinite passa a ser frequente e a incidência da sinusite aumenta também. Com isto cresce a dosagem do corticóide e a limpeza da casa se torna diária”, conta a mãe.

De acordo com a pediatra especialista em alergias Camilla Pereira, do Plunes Centro Médico, de Curitiba (PR), o isolamento social também acaba contribuindo para o aumento da frequência dos episódios alérgicos. “As alergias podem ser sazonais, mas o isolamento fez com que as crianças ficassem mais tempo em casa, local que geralmente é propício ao acúmulo de fatores alergênicos, como poeira, pelos de animais, entre outros, intensificando as manifestações”, diz.

Para a especialista, as alergias precisam de tratamento medicamentoso e o cuidado do ambiente ao redor do paciente é fundamental para manter os sintomas sob controle. “Não conseguirmos ter uma prevenção total na primavera porque a polinização acontece, não tem como evitar. Mas uma casa antialérgica faz toda a diferença”, explica.

A mãe de Enrico, por exemplo, optou por não ter cachorros ou gatos e assim evita que a casa tenha mais pelos ou poeira, fatores que contribuem para a alergia. Outras dicas são evitar talcos, perfumes, principalmente em spray, aspirar a casa pelo menos duas vezes na semana, não fumar dentro de casa, passar pano úmido no piso, móveis e objetos no mínimo quatro vezes na semana e durante a higienização não permitir que o alérgico fique no mesmo local.

O quarto precisa de uma atenção especial, como evitar bichos de pelúcia, revistas, livros, tudo que possa acumular poeira, e manter o local sempre ventilado. “Recomendo usar capa de plástico em travesseiros e colchões para evitar ácaros. O estrado da cama deve ser limpo duas vezes por mês e as roupas de cama devem ser trocadas regularmente e expostas ao sol ou ar quente após a lavagem. Cortinas devem ser preferencialmente persianas que possam ser limpas com pano úmido”, detalha a médica.

Para aqueles que têm animais de estimação, a regra é não permitir o acesso ao quarto dos alérgicos. “Manter a porta fechada é a melhor solução, infelizmente. Mas a melhor dica é procurar um especialista para que ele determine qual a melhor solução dentro do quadro clínico do paciente”, finaliza Camila. emilia@agenciasouk.com.br