Com uso de máscara para evitar Covid-19, cresce busca por procedimentos na parte superior da face

Renascimento do olhar e da testa: o uso do equipamento de proteção para evitar o contágio com o Novo Coronavírus fez aumentar a tendência pela procura de procedimentos para a região acima da máscara, principalmente para olheiras, reposicionamento das sobrancelhas, flacidez e rugas

Com uso de máscara para evitar Covid-19, cresce busca por procedimentos na parte superior da faceSão Paulo — 23/10/2020 – Embora você já tenha ouvido falar que as pessoas geralmente procuram cirurgias e tratamentos no inverno para se preparar para o verão – e isso inclui procedimentos corporais e faciais – nossa nova realidade em meio ao coronavírus aparentemente está fazendo com que as pessoas tentem parecer melhor com seu mais novo acessório: a máscara facial. A imprensa americana já até aponta isso como uma tendência, tanto na escolha da maquiagem (que será mais carregada nos olhos) quanto ao fazer um procedimento estético na parte superior da face. O próprio contato mais intenso com as mídias sociais e as selfies têm feito muitas pessoas perceberem rugas na testa, flacidez nas pálpebras e outras alterações estéticas acima da máscara. Baseado nisso, consultamos cirurgiões plásticos, dermatologistas e angiologistas para explicar melhor os procedimentos acima da linha do nariz:

Blefaroplastia (flacidez das pálpebras) – Indicada para fins estéticos e também funcionais, visto que a flacidez excessiva das pálpebras pode atrapalhar a visão de algumas pessoas, a cirurgia de blefaroplastia tem como objetivo rejuvenescer a área periorbital através da retirada do excesso de pele e bolsas de gordura presentes nas pálpebras superiores e inferiores, com a possibilidade do reposicionamento dessas estruturas ou preenchimento de sulcos na região quando o médico julgar necessário. “Em alguns pacientes pode ser realizada também enxertia de gordura para preencher a perda dos tecidos locais, visto que o resultado da cirurgia se torna mais natural quando há certo volume de tecido ao redor dos olhos”, afirma o cirurgião-plástico Dr. Paolo Rubez, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. De acordo com o especialista, a recuperação do procedimento é tranquila e indolor, sendo que nos primeiros dias após a cirurgia o paciente pode apresentar inchaço e hematomas no local, sintomas que se resolvem dentro de algumas semanas e podem ser aliviados com a ajuda de repouso e compressas frias sobre os olhos. A recuperação é tranquila e leva, em média, uma a duas semanas, período em que o paciente deve permanecer em repouso, higienizar o local corretamente e evitar fazer exercícios físicos e fumar”, diz o Dr. Paolo. O resultado definitivo é notado em torno de 3 a 6 meses.

Cirurgia de Castanhares (reposicionamento da sobrancelha) – O procedimento, indicado nos casos em que a grande questão é o reposicionamento e a forma da sobrancelha, é feito por meio da retirada de uma faixa de pele na região dos supercílios. “A técnica levanta as sobrancelhas e melhora a abertura dos olhos. O corte é feito rente à sobrancelha. É um procedimento rápido e o paciente volta para casa no mesmo dia. Por uma semana o local fica inchado e o corte avermelhado, mas a recuperação é rápida. O paciente não pode tomar sol por um mês, deve ficar duas semanas sem exercício físico e na primeira semana deve evitar trabalhar”, diz o Dr. Mário Farinazzo, cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e Chefe do Setor de Rinologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Esse procedimento é mais realizado em pacientes acima dos 50 anos porque a cicatriz fica menos evidente que em pacientes muito jovens. “Outra limitação inclui pacientes com a sobrancelha muito fina”, diz o médico.

Lifting frontal (flacidez da testa) – Esse é um procedimento que visa o tratamento dos sinais da idade que surgem no terço superior da face. “Também conhecido como lifting de testa, esse procedimento cirúrgico tem como objetivo suavizar rugas e linhas de expressão e diminuir a flacidez na região da testa, além de elevar a posição das sobrancelhas, conferindo assim um aspecto mais jovem ao rosto”, explica a cirurgiã plástica Dra. Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery). O lifting frontal pode ser realizado de diferentes formas dependendo do grau de flacidez da região frontal, sendo que a técnica mais adequada será escolhida pelo cirurgião levando em consideração fatores como idade e qualidade da pele. “Quando não há necessidade de retirar pele, o procedimento pode ser feito com auxílio de endoscópio, instrumentos especiais com uma câmera na ponta que são inseridos na pele através de pequenos cortes no couro cabeludo, permitindo ao cirurgião reposicionar os músculos e puxar o tecido cutâneo para corrigir rugas e vincos com uma pequena quantidade de cortes, o que resulta em cicatrizes menores e menos visíveis”, afirma a médica. Existe hoje também uma nova técnica chamada de GBL, que consiste no descolamento da pele e reposicionamento do supercílio por meio de uma cicatriz muito pequena, dispensando assim o uso de equipamentos caros como o endoscópio. Já quando há necessidade de retirada da pele, em casos de pacientes com testa alta ou flacidez excessiva na região, o procedimento é realizado através de uma incisão próxima à raiz do cabelo que se torna quase imperceptível após um tempo. Na maior parte das vezes, o paciente já pode voltar para a casa logo após o procedimento. Porém, ele só poderá retornar as suas atividades rotineiras cerca de 10 dias depois da cirurgia, tempo necessário para que as incisões cicatrizem.

Surgical Derm (rugas na testa) – Além das cirurgias invasivas, novas tecnologias podem melhorar a área acima da máscara. A principal – e mais diferente – delas é o plasma de baixa temperatura Surgical Derm, indicado principalmente para rugas profundas, inclusive as da testa e as que tem forma vertical. O equipamento é um plasma endodérmico que penetra na pele através de pequenos orifícios chegando até a derme e promovendo contração. “Uma sessão do Surgical Derm traz mais resultado que 4 sessões de laser CO2, que é um procedimento extremamente dolorido. Ele é um plasma que faz a sublimação (passagem direta de uma substância do estado sólido para o estado gasoso) da pele. Ele não carboniza. Este é o grande diferencial. Existem outros plasmas, usados por esteticistas, que carbonizam, furam e queimam a pele. O Surgical Derm é um plasma frio que entra na pele com um orifício muito fino e se espalha na derme”, afirma o dermatologista Dr. Abdo Salomão, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Com isso, há uma grande contração da pele, que reduz de forma eficaz a flacidez e rugas com resultado percebido já na primeira sessão”, acrescenta.

Laser Vektra QS (olheiras) – Aplicado na região dos olhos, o laser Vektra fracionado melhora a textura e principalmente clareia as olheiras. “Ele aperfeiçoa tanto o castanho que é o pigmento de melanina quanto o pigmento férrico que é o da hemoglobina. Vektra age no melanócito impedindo a célula de liberar o pigmento para as células mais superficiais”, explica o dermatologista Dr. Abdo Salomão Jr. O ideal é fazer uma sessão a cada 15 dias, num total de 4 a 6 sessões. “As sessões são rápidas, duram 10 minutos, o tratamento não dói; é possível fazer e o paciente ir trabalhar na mesma hora”, afirma.

Laser ND Yag (veias no rosto) – Perfeito para eliminar vasinhos que surgem no rosto, principalmente na testa, o laser Nd Yag 1064 é o que existe de mais específico para tratamento de lesões vasculares, segundo a cirurgiã vascular e angiologista Dra. Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgiã Vascular. Com bons resultados, segundo a médica, a indicação é de, em média, uma a cinco sessões (dependendo do tipo de lesão) com grande nível de segurança, já que a dor é amenizada com uso de aparelhos resfriadores de pele. “Quanto aos cuidados antes e depois do tratamento, não se deve aplicar cremes ou maquiagem no rosto no dia (para evitar interação com laser e evitar queimaduras), usar protetor solar com fator 50 ou 60 e, em casos raros, especialmente para peles mais sensíveis, usar pomadas à base de corticoide”, finaliza.

FONTES:

*DR. ABDO SALOMÃO JR: Doutor em Dermatologia pela USP (Universidade de São Paulo). É sócio Efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Membro da Sociedade Brasileira de laser em Medicina e Cirurgia e da American Academy of Dermatology. Diretor da Clínica Dermatológica Abdo Salomão Junior.

*DRA. ALINE LAMAITA: Cirurgiã vascular e angiologista, Dra. Aline Lamaita é formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, é Membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia e do American College of Phlebology. A médica possui título de especialista em Cirurgia Vascular pela Associação Médica Brasileira / Conselho Federal de Medicina

*DRA. BEATRIZ LASSANCE: Cirurgiã Plástica formada na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e residência em cirurgia plástica na Faculdade de Medicina do ABC. Trabalhou no Onze Lieve Vrouwe Gusthuis – Amsterdam -NL e é Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da ISAPS (International Society of Aesthetic Plastic Surgery) e da American Society of Plastic Surgery. Além disso, é membro do American College of LifeStyle Medicine e do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.

*DR. MÁRIO FARINAZZO: Cirurgião plástico, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Chefe do Setor de Rinologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Formado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), o médico é especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Professor de Trauma da Face e Rinoplastia da UNIFESP e Cirurgião Instrutor do Dallas Rinoplasthy™ e Dallas Cosmetic Surgery and Medicine™ Annual Meetings. Opera nos Hospitais Sírio, Einstein, São Luiz, Oswaldo Cruz, entre outros. www.mariofarinazzo.com.br

*DR. PAOLO RUBEZ: Cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), Dr. Paolo Rubez é Mestre em Cirurgia Plástica pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP. O médico é especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University, com o Dr Bahman Guyuron (em Cleveland – EUA) e em Rinoplastia Estética e Reparadora, pela mesma Universidade, e pela Escola Paulista de Medicina/UNIFESP. http://drpaolorubez.com.br/

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