Diabetes: uma doença silenciosa, mas que pode ser prevenida

Dra. Silvana Aniella, endocrinologista do Pilar Hospital, esclarece dúvidas sobre a doença

Diabetes: uma doença silenciosa, mas que pode ser prevenidaUma doença silenciosa, mas que pode ser prevenida. O diabetes é caracterizado pelo aumento dos níveis de açúcar no sangue. A alimentação saudável e atividade física são os maiores aliados na prevenção da doença. A dra. Silvana Aniella, endocrinologista do Pilar Hospital diz que “se manter no peso é fundamental na prevenção do diabetes. Para os que estão acima do peso, uma perda de 5 a 10% do peso corporal reduz significativamente o risco de diabetes e de outras doenças, inclusive, casos complicados de COVID-19”, explica a médica. Alimentos integrais e frutas, ao contrário do que se pensa, não podem ser ingeridos à vontade, devem ser incluídos dentro de um programa alimentar equilibrado e de preferência orientado por um nutricionista.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, mais de 13 milhões de pessoas possuem a doença, sendo que 1/3 desconhecem o diagnóstico. Dra. Silvana explica que existem vários tipos de diabetes, mas os mais comuns são o diabetes tipo 1 (DM1) e o diabetes tipo 2 (DM2). A diferença entre eles é que no diabetes tipo 1 o pâncreas não produz insulina, por isso necessita de injeções diárias para manter a glicose no sangue em valores normais. Os casos de DM1 geralmente se apresentam de forma repentina necessitando internamento, muitas vezes em UTI. Esse tipo é mais comum em crianças, adolescentes ou adultos jovens. Já no tipo 2, geralmente, as pessoas têm acúmulo de gordura abdominal, não necessariamente obesas. A DM 2 acomete principalmente pessoas com mais de 40 anos, mas devido ao aumento da obesidade infantil, tem sido diagnosticado casos em adolescentes e jovens. No DM2 o paciente produz insulina, mas ela não consegue agir. Por ser uma doença silenciosa, na maioria das vezes, no DM2, os pacientes permanecem por muitos anos sem diagnóstico e tratamento”, esclarece a endocrinologista.

As gestantes merecem cuidado redobrado, e, conforme protocolos, devem ser submetidas ao exame de sangue chamado teste oral de tolerância à glicose para avaliar se a paciente possui a chamada ‘diabetes gestacional’. Idade materna avançada, ganho de peso excessivo, síndrome dos ovários policísticos são alguns dos fatores de risco que precisam de atenção.

Em tempos de pandemia da COVID-19, a vida de muitos pacientes com diabetes foi impactada. Uma pesquisa inédita divulgada pela Agência Brasil feita com 1.701 brasileiros com diabetes, mostrou como a pandemia alterou seus cotidianos, controle da doença, padrão de alimentação, atividade física, acesso a medicamentos e serviços de saúde.

Realizada entre 22 de abril e 4 de maio, em ambiente online, o estudo identificou que 59,5% dos entrevistados apresentaram redução nas atividades físicas; 59,4% observaram variação na glicemia e 38,4% adiaram ou cancelaram suas consultas médicas. A pesquisa foi coordenada pelo vice-presidente da International Diabetes Fedaration (IDF), Mark Ugliara Barone, também membro do Departamento de Educação da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Para Barone, entre os comportamentos de destaque que possivelmente contribuíram para esse impacto sobre a glicemia, destacam-se a redução de atividades físicas e o cancelamento ou adiamento de consultas e exames.

“Certamente, muitos doentes crônicos sofreram os impactos do isolamento neste ano, acabaram mudando suas rotinas de exercícios e controle de alimentação, o que é fundamental para o controle glicêmico. É importante que os pacientes retomem suas consultas médicas, o controle dos índices e retomem a prática de atividades físicas, que são extremante importantes para a manutenção da qualidade de vida”, comenta a especialista.